Voto.Porque.

Votar.

O voto e a disputa eleitoral são, sem sombra de dúvidas, momentos de extrema importância para o combate social de ideologias. Assim, é importante lembrar o que elas significam, quem elas representam e que sociedade elas buscam atingir com seus discursos e práticas.

A esfera política brasileira, sabemos, tem o costume de não enfrentar diversos problemas sociais que dificultam o acesso amplo e irrestrito à atuação e efetivação dos ideais democráticos. O não enfrentamento, o medo de atacar questões centrais à pluralização do espaço público, está diretamente vinculado ao senso comum construído por uma ideologia dominante que abomina o confronto e a crítica aos interesses da elite econômica e política do pais. Somos o país dos falsos-consensos, da naturalização das desigualdades sociais.

Os vídeos da campanha escancaram o preconceito sistemático que negros, homossexuais, mulheres, índios, pessoas de baixa renda e nordestinos sofrem e que impedem a criação de um ambiente efetivamente democrático, efetivamente aberto e efetivamente inclusivo. Conservar o status quo é, necessariamente, conservar essa perspectiva. É conservar os mecanismos que rebaixam, diminuem e excluem com frequência a diversidade na decisão coletiva.

Para mudarmos esse cenário, precisamos, então, refundar o senso comum,  entendendo sua vocação emancipatória para sempre apontar novas perspectivas e novas experiências democráticas. Combater o senso comum é combater discursos que impedem a abertura de espaços como o da família, do mercado, do acesso à moradia, à educação, à comunicação, ao transporte e todos os outros aspectos da vida individual e coletiva que aumentam a participação política.

A campanha #votoserrapq atacou de forma irônica os discursos conservadores que integram o senso comum pouco enfrentado para que não esqueçamos de nossa missão, como sociedade, de enfrentar problemas que são centrais para a pluralização constante.

Para tanto, torna-se indispensável ressignificar o sentido da palavra “votar”. Votar não é, nem pode ser, somente clicar botões em uma urna eletrônica. Tampouco pode ser a participação em processos eleitorais de quatro em quatro anos. “Votar” é escolher. É escolher projetos, é escolher formas de atuação, é escolher disputas. É, acima de tudo, escolher lados, escolher, diariamente, um projeto coletivo.

Assim, agradecemos, encarecidamente, todos que se incluíram no #votoserrapq, seja enviando sugestões, seja fazendo seus próprios vídeos. É o aspecto coletivo de qualquer atividade que a engrandece e, nesse caso, não é diferente. Sem a adesão maciça, o apoio incontestável, e as críticas construtivas, a campanha não seria a mesma.

Portanto, apesar de as urnas terem fechado, os votos terem sido contabilizados, nosso trabalho apenas começou.

Cabe a nós, agora, a luta. Cabe a nós, a inquietação. Cabe a nós exigir, através de disputas permanentes e persistentes, que nossos ideais se tornem realidade.

Abaixo o último vídeo de nossa campanha, agora intitulada “Voto.Porque.”

#votopq

Dilma é muitos

Por João Telésforo Medeiros Filho

Amanhã é dia de eleger a primeira mulher Presidente do Brasil!

Porém, é mais do que isso.

Anteontem, emocionei-me de súbito ao lembrar que Dilma Rousseff, há algumas décadas, era uma adolescente corajosa e idealista resistindo à ditadura. Apesar de todas as limitações e contradições da aliança de correntes sociais, políticas, econômicas e culturais que ela representa, sua chegada à Presidência, caso se confirme, carregará o simbolismo daqueles valorosos lutadores.

Em 2008, em sabatina no Senado, Dilma prestou um grande serviço ao Brasil ao falar em nome da sua geração, respondendo a uma tão infeliz quanto reveladora pergunta do Senador José Agripino (que foi prefeito biônico de Natal durante a ditadura, indicado pelo seu primo governador do estado, que sucedera seu pai, também biônico):

O economista Maurício Dias David resumiu à época a importância daquele grande discurso de Dilma Rousseff:

“(…) Dilma falou por todos os torturados, por todos os violentados em seus direitos e em suas consciências no passado, por todos os que viveram os dias de 68. Ela fez acender a chama da dignidade no coração de milhares, milhões talvez. Quando disse:

– O que acontece ao longo dos anos 70 é a impossibilidade de se dizer a verdade em qualquer circunstância – afirmou ela, emocionada. O direito à livre expressão estava enterrado. Não se dialoga com o pau-de-arara, o choque elétrico e a morte. É isso que é importante hoje na democracia brasileira. Qualquer comparação entre ditadura e democracia só pode partir de quem não dá valor à democracia brasileira.

E completou :

– Me orgulho de ter mentido, mentir na tortura não é fácil. Diante da tortura, quem tem dignidade fala mentira. Agüentar tortura é dificílimo. Todos nos somos muito frágeis, somos humanos, temos dor, a sedução, a tentação de falar o que ocorreu. A dor é insuportável o senhor não imagina o quanto. Me orgulho de ter mentido porque salvei companheiros da mesma tortura e da morte – finalizou, sendo aplaudida por parte dos senadores presentes à sessão.

Quem falava ali no recinto do Senado não era a toda poderosa Dama de Ferro do governo Lula. Era Joana D’ Arc. Era Anita Garibaldi. Era o melhor de uma geração. Era a menininha de 19 anos, que voltava a ter os olhos radiantes, o coração vibrante e a emoção de pensar-se lutando por um futuro melhor.

Que esta seja a Dilma do futuro também. É o melhor que, agradecidos por este momento sublime, eu e nossa geração dos lutadores de 68 podemos lhe desejar nestes momentos…

Mauricio Dias David, economista do BNDES, foi preso político e exilado nas décadas de 60 e 70, e ainda tem acesa em seu coração a chama da esperança em um mundo melhor, mais humano e solidário“.

Votei em Plínio no 1º turno, e mantenho minhas críticas às alianças e recuos programáticos do PT. Agora, no entanto, cabe-nos votar 13 e impor uma derrota nas urnas ao conservadorismo da candidatura de José Serra, e depois derrotar nas ruas o lado conservador da coligação PT-PMDB-etc. É a nossa vez de agir com idealismo e coragem para que a chegada de Dilma à Presidência não seja apenas a compensação simbólica pelo sofrimento daquela geração, cujo esforço temos a obrigação de levar adiante.

Quinta, 28/10, 11h30: Leonardo Boff na UnB!

“Momento atual e Ecologia”,
com Leonardo Boff,
Ministro da Cultura Juca Ferreira e
Pedro Ivo Batista, Rede Brasileira de Ecossocialistas

*Dia 28/10/10, quinta, 11h30
Local: ICC Norte “Ceubinho” UnB

Participe!!!