Domingo é dia de eleger Fábio Félix 50321 Deputado Distrital!

FALTA MUITO POUCO!
Reta final: vamos eleger um mandato em defesa dos direitos humanos?

E aí, galera?! Reta final!
Nossa campanha surpreendeu, bombou, cresceu muito mais do que imaginávamos. Falta muito pouco para garantirmos um mandato de direitos humanos na Câmara Legislativa e esse pouquinho faz toda a diferença! Você pode ajudar nele.

Como?

1 – Facebook: trocando a capa do seu perfil, curtindo e compartilhando os conteúdos da nossa página www.fb.com/fabiofelixdf

2 – Email: encaminhando emails (inclusive este boletim) de indicação de candidatura para seus amigos, amigas e familiares mais próximos. A sua opinião é muito importante para eles.

3 – Whatsapp: encaminhando uma indicação para grupos de amigos próximos ou até montando uma “lista de transmissão”, encaminhando nossos conteúdos, imagens e vídeos produzidos específicamente para esse aplicativo. Para solicitá-los, basta enviar uma mensagem para 8189-3214.

4 – Rua! Você pode tomar as ruas do DF conosco, participando de nossas panfletagens e mobilizações cotidianas. É só você ligar ou mandar sms ou um Whatsapp para 8189-3214.

Estamos na reta final! Dia 05 de outubro nosso barulho vai chegar nas urnas do Distrito Federal. É só você pegar seu título de eleitor, conferir sua zona, sua seção, e não pode esquecer a identidade! Vamos fazer muito barulho votando 50321 nas urnas do DF. A gente se encontra na festa da vitória!

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Alguém ganhou?

O primeiro esboço de um balanço político sobre a Copa do Mundo no Brasil

Por Edemilson Paraná*
publicado em 14/07/2014 no site do PSOL Nacional (aqui)

Prometi que passaria todo esse período sem fazer um comentário sequer sobre a Copa e…consegui.

É que nesses períodos, com raras e honrosas exceções, abundam análises políticas e/ou esportivas absolutamente fracas e imediatistas sobre o minuto que acabou de transcorrer, comentários irracionais, raivosos e/ou vazios, sem falar no apagamento, cada vez mais previsível, da linha tênue que separa a celebração social de um momento divertido com amigos e família da mera exposição exibicionista e narcisista em busca de atenção e reconhecimento.

Desanimado com a Copa no Brasil, que tanta atrocidade produziu para os mais necessitados, e disposto a não fazer parte do improdutivo espetáculo das mídias sociais a respeito, resolvi me focar no que era mais importante. A experiência não poderia ter sido melhor. Convenhamos, o próprio Facebook, com seus algorítimos sociais, hiper-imagetização de tudo, travas e links patrocinados, está se tornando uma chatice só, um espetáculo de irrelevância. Em raras ocasiões há um bom debate. Em termos de interação, estamos cada vez mais direcionados para o que querem de nós e cada vez menos para o que queremos deles. Essa sensação, que não é só minha, pode fazer o próprio Facebook ter de pagar um preço em breve. Mas isso é outro papo.

Feita a ressalva, Copa finalizada, algumas coisas começam a decantar. Hora, talvez, para um primeiro balanço rápido na rede.

1- Ninguém de fato se deu bem politicamente com a Copa. O resultado no jogo da capitalização política é zero a zero.

O governismo, que hora (sobretudo no começo da Copa) imaginou envolver o país numa onda de ufanismo oficial da “pátria de chuteiras” na “Copa das copas”, mantendo a velha tradição brasileira de instrumentalizar politicamente o Futebol – que se tornou paradigmática na Ditadura – teve de recuar com a derrota do Brasil e os esgotos de cartolagem da FIFA e da CBF que, não haveria de ser diferente, vieram à tona no transcorrer do evento. A oposição de direita, por outro lado, não viu confirmado seu alarmismo catastrófico no que se refere à organização do evento que – excetuados os graves absurdos que comentarei abaixo – foi, sim, bem-sucedida, de modo geral, aos olhos da população. A oposição de esquerda, por sua vez, na justa denúncia dos abusos e absurdos relacionados à realização do evento, ficou refém da conjuntura adversa: entre feriados, churrascos programados, festas, bebidas, bons jogos na TV e a luta vã por obter algum ingresso que fosse, as pessoas não estavam muito dispostas a dar atenção para reclames que já conheciam e que já estavam, em sua maioria, relativamente conscientes. A sensação era a do “ok, já tá feita a m…, agora vamos ao menos curtir um pouco isso aqui”. A gente ama futebol, afinal. Nesse cenário, os que apostaram no movimento “Não vai ter Copa” tiveram ainda mais dificuldades. Acabaram isolados, previsível e injustamente massacrados pela repressão, que sofisticou-se e muito como “legado” da Copa.

2- Se a capitalização política foi zero, o estrago social permanece e deve cobrar sua conta.

Os altíssimos gastos em elefantes brancos (por vezes super-faturados) como os estádios em Cuiabá, Manaus e Natal (e mesmo, em menor medida, os de Recife ou Brasília) não devem ser esquecidos. Um mal-estar, uma “ressaca” da Copa pode estar chegando. Obras de infra-estrutura abandonadas ou não concluídas (certamente as mais importantes para a vida da população) podem adicionar outros elementos a esse sentimento. Restam ainda os despejos e remoções de milhares de famílias de suas casas, e a intensificação crescentemente sofisticada da brutalidade policial e do Estado de Sítio, que se instalou em alguns lugares, para evitar manifestações. A dimensão dessa ressaca e o que ela pode produzir? Difícil saber.

3- Um novo ciclo? Para os movimentos sociais, aprendizado e o início da formação de uma nova geração.

Algumas vitórias surgiram no meio do caminho. É o caso do MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, que teve atendidas algumas de suas reivindicações depois de luta independente, organizada, com direção clara, propostas objetivas, estratégia bem desenhada e aplicada a partir de um local de classe bem definido. Igualmente notável foi a articulação nacional e internacional dos Comitês Populares da Copa, que cumpriram importante papel no início das Jornadas de Junho e na Copa das Confederações mas que, ao fim, em alguns lugares, acabaram cedendo ao ONGuismo ou ao espontaneísmo. Para os profetas do ativismo espontaneísta da ação direta, essa realidade pode ainda ser didática. As apostas no movimento “Não vai ter Copa”, se fizeram algum sentido em junho passado, acabaram completamente isoladas diante da conjuntura adversa e, dessa forma, terminaram como presas fáceis nas garras da brutal repressão, que só se sofistica mais e mais desde junho passado, como um dos nosso principais “legados” do evento. Mas mesmo os “indignados” brasileiros tiveram um papel importantíssimo nessa história toda: ajudaram a quebrar a letargia na luta política, mostraram a importância de lutar e resistir, questionaram o pacifismo despolitizado e impulsionam a formação (na alegria e na tristeza) de uma nova geração de militantes. Conforme escrevi há vários meses, discordo da tática. Mas sei exatamente de que lado combato. E jamais aceitarei jogar água no moinho da repressão. Há quem aposte, por fim, após a falência política do ciclo petista nos movimentos sociais, que podemos estar entrando em uma nova fase no que se refere ao ativismo e à construção dos movimentos sociais brasileiros. Talvez seja verdade, mas a estrada ainda é longa e confusa e, também por isso, teremos de percorrê-la buscando ao máximo a unidade.

4- Eleições. Poucos poderão explorar a Copa, mas Dilma terá dificuldades e as oposições se fortalecem.

Tudo somado, com a economia dando sinais sérios de problemas, as eleições prometem ser duras para o Governo. Parte das oposições de direita, que até ontem voluntariosamente estavam ao lado do PT, podem, como num passe de mágica, mudar de lado ao sabor do vento. Algumas já fazem isso agora mesmo. A oposição de direita tradicional, representada na chapa do PSDB, se fortalece e ganha e espaço com os desgastes do governo em várias áreas. Representa um risco, portanto, crescente. Os projetos de PT e PSDB para o Brasil são diferentes, sim, em várias áreas, mas não são propriamente antagônicos. Na maioria dos Estados sequer são diferenciáveis. Mas é patente que são formas relativamente distintas de gerir o capitalismo brasileiro (com suas vantagens e desvantagens de parte à parte; e há quem tema mais, como eu, as desvantagens no que se refere ao projeto do bloco da direita tradicional). Decidir entre retrocesso (que tentará se pintar de novidade) e continuísmo não será fácil para os brasileiros. A (não) terceira-via de Eduardo Campos, como “nem uma coisa nem outra, muito pelo contrário” não decolou até aqui e pouca coisa mostra que será diferente quando o debate eleitoral esquentar. Não ser “nem governo nem oposição” tem dessas coisas.

Por fim, a oposição de esquerda, ainda pequena, precisa ser mais vista e ouvida para conseguir crescer e canalizar o mal-estar que paira. Talvez ganhe espaço na “negação do que está ai”. Ainda assim, será uma luta dura: seremos os únicos a combater o fundamentalismo religioso crescente no país (com o qual todos os candidatos mantém a cretina relação de “respeito”) – e que se expressa em uma candidatura própria.

Precisaremos apresentar propostas claras, criativas e novas para o Brasil, fazer a crítica coerente e envolver lutadores e lutadoras sociais num projeto que seja capaz de agendar o debate eleitoral com alguma firmeza em questões importantes. A candidatura Luciana Genro tem um papel importantíssimo no presente, mas tão ou mais importante no que produzirá como resultado para um futuro próximo, na dura batalha pela refundação da esquerda “que não tem medo de dizer seu nome” no Brasil. É, naturalmente, minha candidata. A ver a cena dos próximos capítulos.

*Edemilson Paraná, jornalista, mestrando em sociologia na UnB e vice-presidente do PSOL-DF

Vai ter copa. Só não para você

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Por Edemilson Paraná*

Ingressos caros, gasto público com lucro privado, violações aos direitos humanos e ataques à democracia. Esse é o grande legado da realização da Copa do Mundo no Brasil. Revertê-lo em ganhos de mobilização política e transformação social é possível. 

Evento privado, gasto público, lucro privado

A “copa das copas” vai acontecer, já aconteceu, já está acontecendo. Pelo menos para a Fifa. Uma projeção feita pela BDO (empresa de auditoria e consultoria especializada em análises econômicas, financeiras e mercadológicas), aponta que a Copa do Mundo de 2014 no Brasil vai render para a entidade, que supostamente não tem fins lucrativos, a maior arrecadação de sua história: nada menos do que US$ 5 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões). O valor é 36% superior em comparação ao montante obtido com o Mundial da África do Sul (US$ 3.655 bilhões), em 2010, e 110% maior do que o arrecadado na Copa de 2006, na Alemanha, que rendeu US$ 2.345 bilhões. Os números foram confirmados pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, em entrevista coletiva realizada em junho de 2013.

Os governos tem feito sua parte para ajudar…os cartolas. Com isenção de cerca R$ 1 bilhão em impostos, o Mundial no Brasil já um ótimo negócio para a entidade. Ao todo, cerca de R$ 28 bilhões de reais serão gastos em obras de infraestrutura e construção e reforma de estádios para receber o torneio. Desse montante, quase R$ 8 bilhões estão sendo gastos em estádios, valor cuja metade é financiada por bancos federais. Apenas R$ 820 milhões gastos nos estádios foram financiados com recursos privados (segundo valores da CGU). O restante dos recursos foi aportado por governos locais, como é o caso de Brasília, onde o valor do Mané Garrincha passou de R$ 1,2 bilhão.

Cerca de um terço do valor total das obras (R$ 8,7 bilhões) está sendo financiado por bancos federais – Caixa Econômica Federal, BNDES e bancos estaduais. Boa parte desses empréstimos é tomada pelos próprios governos estaduais, sozinhos ou em parcerias com o setor privado, embora alguns empréstimos também sejam contraídos por entes privados (como os mais de R$ 400 liberados pelo BNDES para o Corinthians construir o Itaquerão). E antes que surja o papo de que o dinheiro desses bancos é privado, lembremos que o BNDES, por exemplo, é uma empresa pública. Recebe dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador para emprestar em condições privilegiadas a empresários. O fundo é formado por parte da receita de um tributo, a contribuição ao PIS/Pasep, cujo custo é incorporado pelas empresas aos preços dos bens pagos pelos consumidores.

As obras consumirão R$ 6,5 bilhões do orçamento federal e R$ 7,3 bilhões de governos locais (estaduais e municipais). Dos R$ 28,1 bilhões totais, apenas R$ 5,6 bilhões serão recursos privados (que se concentram principalmente nos aeroportos). Balela dizer que não há dinheiro público na jogada. O preço dos ingressos todos já conhecemos, as obras de infraestrutura urbana, propagandeados como o grande legado do evento, poucos viram até agora.

Em resumo, a lógica é bastante simples. A Fifa faz uma festa privada e se você quiser sediá-la precisa aceitar as condições da entidade. A verdade é que não há nenhum comprometimento com o desenvolvimento econômico, esportivo ou humano dos países que sediam grandes eventos esportivos.

Não por acaso, a Suécia – que notoriamente tem problemas sociais menos agudos do que os brasileiros – acaba de negar a oportunidade de uma candidatura para sediar as Olimpíadas de 2022. A justificativa é assustadoramente simples: o país tem outras prioridades como  habitação, desenvolvimento e providência social.

Gastos incalculáveis: o retrocesso nos direitos humanos

Não bastasse a matemática contábil básica ignorada pelos defensores dos grandes eventos, um conjunto de abusos e violações aos direitos humanos completa o pacote de “gastos” sociais incalculáveis.

Um mapeamento divulgado na Suíça pela Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop) em parceria com a ONG Conectas, no final de maio passado, calcula que mais de 200 mil pessoas estão sendo despejadas arbitrariamente de suas casas por causa de obras para os preparativos da Copa em todo o Brasil. Durante os preparativos de mega-eventos esportivos estima-se que 15% dos moradores de Seul foram expulsos de suas casas e, na África do Sul, 20 mil pessoas foram despejadas.

Além das milhares de famílias desalojadas, algumas outras pagaram com a vida o preço de obras superfaturadas, feitas às pressas, com baixa remuneração, cargas de trabalho extenuantes e pouca fiscalização. De junho de 2012 a dezembro de 2013, o Brasil registrou sete mortes relacionadas à preparação do país para a Copa do Mundo. Número mais de três vezes maior do que o registrado na África do Sul.

Contra a revolta social produzida por tais abusos, muita repressão. Além de outros milhões de reais gastos com aparato de repressão adicional (bombas de gás, spray de pimenta, armas e balas de borracha, equipamentos de dispersão, entre outros), uma tropa de choque especial com 10 mil homens, especialmente recrutados para isso, será responsável por agir em caso de manifestações nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014.  Além das tropas, robôs irão monitorar por imagens a movimentação de pessoas nos entornos dos estádios, e a vigilância a aplicativos de celulares e mídias sociais já está em andamento. O Exército está a postos e também se prepara para a necessidade de ser convocado a conter as manifestações. O (não) preparo dessas “tropas” para lidar com seus próprios cidadãos exercendo seu livre direito de manifestação, como se fossem inimigos da pátria, já é amplamente conhecido.

No apagar das luzes de 2013, o Ministério da Defesa baixou uma portaria normativa que “Dispõe sobre a Garantia da Lei e da Ordem” pelas Forças Armadas. Entre outras coisas o documento aponta a necessidade de conter “sabotagem nos locais de grandes eventos” e aponta como “força oponente” os “movimentos ou organizações” que causem dificuldades no objetivo de “manter ou restabelecer a ordem pública”. No Congresso, tramitam mais de 13 propostas que “normatizam” manifestações. As propostas, muitas flagrantemente inconstitucionais, tratam de criminalização, aumento de penas, tipificação de terrorismo, entre outros ataques ao direito de organização social. Além da Lei Geral da Copa, um abuso em si, que já revoga vários direitos democráticos, tramita um Projeto de Lei no Senado, que, entre outras coisas, proíbe greves durante o período dos jogos e inclui o “terrorismo” no rol de crimes com punições duras e penas altas para quem “provocar terror ou pânico generalizado”.

Ganhos inesperados: articulação e mobilização social

Ingressos caros e avanço do processo de elitização do futebol no Brasil, gasto público com lucro privado, violações aos direitos humanos e ataques à democracia. Como pano de fundo desse cenário, um país desigual, com saúde e educação precarizadas e péssimos serviços de mobilidade urbana. O resultado não poderia ser outro que não revolta social.

O combate dos governos e seus aliados às manifestações é de ruborizar pela falta de consistência política. O argumento de que “os protestos causarão prejuízos ao Brasil” até faria algum sentido se os vultosos lucros com a realização do evento não fossem parar no bolso de meia dúzia de gestores, empresários e cartolas em detrimento dos altos preços cobrados de torcedores e contribuintes.

A ideia de que o “movimento é partidário e, portanto, orquestrado para prejudicar a reeleição da presidenta Dilma” desmonta diante de uma primeira visita a qualquer um dos protestos: há tudo e todos, diferentes movimentos e colorações ideológicas, trata-se de um espaço amplo, aberto, caótico e fragmentado. Estrutura-se, pois, em anseios legítimos da população brasileira, que se expressam da maneira possível diante do atual quadro de esvaziamento representativo. Se prejudicam a imagem de governos, o problema está, obviamente, nas medidas que estes resolveram adotar à revelia do que precisa e pede o país neste momento, à revelia de nossas reais prioridades.

Chega a ser irônico ver um governo dirigido por um partido que até ontem se apresentava como de esquerda e nacionalista se mobilizar de modo tão uníssono – e porque não dizer, desesperado – em defesa da submissão do Estado e da sociedade na garantia dos lucros de uma instituição privada internacional que concorre na Suíça ao prêmio Public Eye Awards como a pior companhia do mundo, honraria já concedida à “benévolas” Vale do Rio Doce, Shell e o Banco Goldman Sachs, um dos responsáveis pela estouro da crise financeira mundial em 2008.

Por fim, o argumento de que os protestos são “autoritários” é risível diante do fato de que em nenhuma etapa do processo – a eleição do Brasil como sede, a aprovação da abusiva Lei Geral da Copa ou a remoção de centenas de milhares de famílias – a população foi consultada. Tudo foi decidido, para variar, entre as cúpulas do poder dominante.

As preocupações dos governos e seus partidos dirigentes, no entanto, tem razão de ser. A revolta crescente aos poucos se organiza politicamente e procura, sim, os responsáveis pelos abusos. Já em 2013 a Ancop – Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa – cumpriu um papel importante nas manifestações de junho lançando o importante questionamento “Copa para quem?”. A articulação, um dos catalizadores das manifestações à época com atos em todo o Brasil, reúne comitês nas 12 cidades-sede da Copa, que por sua vez agregam movimentos sociais, universidades e entidades de sociedade civil que lutam contra as violação de direitos humanos. Poucos ganhos podem ser maiores para uma sociedade do que os de conscientização e organização política em defesa de seus direitos. Esse pode ser o nosso maior legado.

Desde o ano passado, essa articulação vem se ampliando. O debate a respeito dos abusos da realização da Copa do Mundo no Brasil, aos poucos, se desloca ao centro da agenda política. No bradar de vozes opositoras, que já se autonomizaram em relação à ação inicial dos comitês, uma consigna se destaca mais do que outras, para o pânico do andar de cima: “Não vai ter copa”.

Não vai ter copa?

Tudo somado, os gastos envolvidos, os interesses em jogo e o aparato de repressão mobilizado, é difícil que não haja. Trata-se de ano eleitoral, de uma das Copas mais lucrativas da história e da subjetividade de um país que passou – também graças a insistente propaganda oficial ao longo de anos – a enxergar-se como o país do futebol. Vai, sim, ter copa. Só não para você.

Para quem ela será já sabemos. Sabemos também que o preço será alto para todos os lados: governos, empresários, torcedores e manifestantes. Como o cenário não é favorável para nenhuma mudança de rumos na organização do evento, engana-se quem acha que a tensão social diminuirá até lá. Mas será que a palavra de ordem “Não vai ter copa” é a melhor nesse momento?

Particularmente, creio que não. A consigna “copa para quem?” denuncia de modo mais claro os problemas que apontamos, articulando-o a outras dimensões de nossas desigualdades estruturais, o que abre cenário para a politização sistêmica desse processo, mesmo após a finalização do evento.

“Não vai ter copa”, em contrapartida, anima as manifestações para um objetivo que não parece muito crível no momento, encaminhando as reivindicações para uma derrota. Derrotas, sabemos, tem um impacto consideravelmente negativo em um processo de lutas sociais, já que é de vitórias e conquistas, ainda que pontuais, que se alimenta um ascenso político dessa natureza. Denunciar de modo firme e claro os desmandos da realização do evento, desgastando e constrangendo os responsáveis e privilegiados por tais abusos, já aponta uma importante vitória parcial, que pode ser ampliada posteriormente em articulação com outras denúncias, reconfigurando com isso a conjuntura da política brasileira. Peçamos hospitais e escolas padrão Fifa, moradias para os Sem Teto, transparência nos investimentos para a Copa, denunciemos a corrupção, a suspensão da liberdade de manifestação durante a Copa. Dessa forma, temos mais possibilidades de obter algumas vitórias; a maior delas, sem dúvida, será o fortalecimento de um amplo e enraizado movimento de contestação social.

A maioria do povo brasileiro não é contrária à realização da Copa do Mundo no país. É contrária, sim, aos atropelos e usurpações que cercam a organização do evento. Não fosse isso, tal maioria gostaria de uma Copa no “país do futebol”. De alguma forma, então, a palavra de ordem “Não vai ter Copa” pode confundir as coisas e fazer com que uma parcela da opinião pública que poderia apoiar o movimento acabe se opondo a ele, ampliando, inclusive, a violência da repressão. Quem surfa nessa ambiguidade? O governismo mal intencionado e os defensores da realização dos grandes eventos tal qual estão sendo organizados.

De qualquer forma, com a palavra de ordem que for, nosso lado é claro – e não é o lado dos governos e da Fifa. Se a palavra de ordem “Não vai ter copa” é a quem vem das ruas, não devemos cerrar fileiras com o oportunismo político governista a combatê-la. Podemos e devemos contribuir com a discussão de táticas alternativas, mas o nosso dever é, antes de tudo, a unidade; é estar ao lado daqueles que lutam contra o superfaturamento das obras, a corrupção aberta e o uso de dinheiro público sem um mínimo de respeito às reais prioridades do país, a submissão do governo federal a exigências absurdas da Fifa, as restrições à liberdade de manifestação, às remoções, entre outros inaceitáveis ataques em nome da alegria do futebol. Provemos ao mundo que somos sim, apaixonados por futebol, mas negamos ser humilhados e oprimidos por essa paixão.

*Edemilson Paraná é jornalista, militante ELA, vice-presidente do PSOL-DF e mestrando em Sociologia na UnB.

PSOL: perdemos uma batalha, mas estamos vencendo a guerra

Congresso do PSOL
Por Edemilson Paraná
publicado originalmente em 1/12/2013 no Facebook 

Chego há pouco do 4º Congresso Nacional do PSOL. Foram dois dias de intensos debates, discussões e disputas programáticas em torno do que queremos para o nosso partido e do que queremos para o Brasil.O resultado das deliberações demonstra o nível de acirramento entre dois modelos de partido e formas de entender o que pede nossa conjuntura. De um lado o Bloco de Esquerda – do qual minha organização faz parte; de outro a Unidade Socialista (US), representada pela candidatura de Randolfe Rodrigues, que apesar de não ser a nossa opção, passa longe do que Dilma, Campos ou Aécio representam para o Brasil.Na executiva do partido? 10 a 9. No diretório nacional? 32 a 29. Na escolha do candidato a presidente? Uma maioria de apenas 51,5% sagrou a US e Randolfe vencedores. No DF? Os ventos de junho nos ajudaram a retirar a direção das mãos deste grupo e nos estabelecemos como uma alternativa jovem e de fôlego para o próximo período. Estou honrado de, como vice-presidente recém-eleito, ombrear a direção do partido em Brasília com as jovens guerreiras Juliana Selbach e Talita Victor.

Junto de Marcelo Freixo, Chico Alencar, Luciana Genro, Renato Roseno, Renato Cinco e tantos outros combatentes, lutamos até o fim pelas prévias, pela democracia, pelo debate qualificado nas bases; perdemos para uma visão centralista, burocratizante e hegemonista, que não soube exercer a responsabilidade e a maturidade que se pede de uma maioria (sobretudo uma frágil como essa), e que não demonstra, portanto, estar habilitada para os desafios que a conjuntura aponta.

Perdemos a batalha, é verdade. Mas estamos vencendo essa guerra. Somos uma partido dividido exatamente ao meio. Isso é um problema? Não, uma virtude. Diferentemente de outros partidos e instituições, não aceitamos o monismo da ordem, o estancamento das direções inquestionadas e o dirigismo de uma cúpula degenerada que submete eternamente sua base. Fazemos o bom combate, temos espaço para ele e saímos vitoriosos em muitos lugares e espaços. A correlação de forças estabelecida nesse congresso, as vitórias regionais como a nossa no DF, o crescimento do partido e seu enraizamento nas lutas, a decantação de uma linha política cada vez mais clara, à esquerda, provam que nosso potencial como instrumento de mobilização, luta e referência de massas apenas começou a se realizar, o que naturalmente não pode ser dito de outras siglas, que capitularam de vez e irreversivelmente à ordem.

Temos problemas? Limites? Muitos, mas junho mostrou que a conjuntura está a nosso favor. Seguiremos crescendo. E seguiremos porque o tempo é de insatisfação, insurgência e indignação, um tempo que pede novas formas de pensar e fazer a política, um tempo que pede um partido como o nosso: jovem, lutador, indisciplinado, respeitador da autonomia das lutas e dos movimentos sociais e, sobretudo, socialista. Dirigiremos esse instrumento, tão importante no tempo presente, nas ruas e a partir das ruas. A força de um partido se mede não por sua burocracia, mas por sua vida militante. E isso nós temos de sobra.

Não se faz política sem contradições. A arte da boa política, que sabe lidar e dialogar com o mundo real, é a arte de escolher as contradições corretas. Estou feliz de estar na pouco confortável posição de ter que escolher as contradições que escolhemos hoje: estar em um partido em que não somos maioria e aceitar a derrota de uma escolha equivocada de um candidato que não julgamos o melhor; mas estou feliz, sobretudo, por seguir em um partido que tem os melhores parlamentares do país, um dos únicos partidos políticos brasileiros que estatutariamente garante a representação de 50% de mulheres na sua direção, que é linha de frente em todas as lutas combativas desse país, que não teme em denunciar esse governo e a crueldade de nossa realidade social, e que segue em disputa, que segue em aberto, que segue dividido e instável como deve ser a verdadeira democracia transformadora: clara em relação à suas divergências, unida em relação às suas convergências.

Pelo socialismo, pela liberdade, a luta apenas começou.