MTST promove ato em Ceilândia

 

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O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) promoveu, na tarde deste domingo, 26 de agosto de 2012,  um ato na área localizada em na QNQ/QNR em Ceilândia, a 25 km de Brasília, próxima ao Centro de Ensino Fundamental (CEF) 27. Tal área compreende um terreno pertencente à Terracap e foi ocupado nos últimos meses de abril e maio, no acampamento batizado de Novo Pinheirinho.

Diante do fim do recebimento do auxílio-aluguel de pouco mais que 400 reais por mês, que não foi concedido a todas as famílias que participaram da ocupação, foi realizada Assembleia dos trabalhadores no CEF 27, que resolveram descer até a área do antigo acampamento. Lá, fizeram um ato e deram continuidade à Assembleia. Continuar lendo

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Universidade sem política. Faz sentido?

Grande parte da comunidade acadêmica não tem preocupação alguma com as eleições para a reitoria. Nenhuma. Mesmo. E, naturalmente, devemos nos perguntar por que isso acontece. É bem curioso que, às vezes, mesmo com uma abertura democrática, com a possibilidade de se escolher quem representa a universidade, as pessoas não se preocupam em se informar, em se engajar e, claro, em disputar o espaço público.

As razões são inúmeras, mas, grande parte parece se sentir repelido pela disputa política em razão da contaminação do espaço público. Contaminado por discursos surdos, costuras infrutíferas e estratégias oportunistas de alguns que vivem existencialmente a política.

Os professores, parece, pensam que a escolha do reitor e da política de ensino, pesquisa e extensão da Universidade afeta pouco sua atuação na Universidade. Os estudantes, felizes e contentes por não pagarem nada pelo seu ensino, por terem passado num vestibular difícil, por carregarem o status de estudarem numa Universidade pública, estão mais preocupados com o papel que recebem ao “fim” do curso do que em produzir soluções criativas para os problemas sociais.

Esse panorama, por si só, já demonstra o problema com o projeto universitário em voga. Dizer que a universidade pública tem função social é bonito, então todo mundo fala. Dizer que o ensino público deve ser gratuito e de qualidade também é “socialmente referenciado”, então todo mundo fala. Mas a estrutura da comunidade acadêmica não privilegia o engajamento, não busca a interação e, pior, não cria sentido de comunidade. Nós temos, hoje, grupos esparsos e personalistas com projetos que refletem sua “história pessoal”. Não há um projeto que abarque a importância da instituição e que supere a dicotomia público-privado para instaurar a lógica do comum, isto é, da comunidade.

Por isso, a mudança de postura é indispensável. Um projeto de universidade que questione sua função e a critique, perguntando até que ponto ela atinge seu objetivo, qual é e qual deve ser seu objetivo faz parte da própria ideologia de uma instituição que se entende como produtora de conhecimento. Afinal, é postulado da ciência (pós) moderna o questionamento de suas premissas constantemente. A irrefutabilidade está mais vinculada à religião do que a um suposto conhecimento objetivo.

De onde, então, podemos esperar que surja que seja construído um projeto claro e refutável? De onde essa mudança partirá? Dos professores que, supostamente, se preocupam com sua carreira acadêmica e com a produção do novo, do funcional, do estruturante? Dos estudantes? Esse grupo criticado pelo “pouco tempo” que passam na Universidade, pela “falta de experiência”, mas exaltado pela ousadia, crença em utopias e espírito destemido? Ou dos servidores que, em tese, se inserem na comunidade enquanto trabalhadores e técnicos que fazem o sistema realmente funcionar e, portanto, tanto entendem como tudo funciona de fato, como reconhecem as mazelas estruturais e estruturantes da instituição?

É claro que virá do trabalho conjunto entre esses atores. A paridade, mais que uma perspectiva de contabilização de votos, invoca a importância participativa de toda a comunidade de maneira igual. Mas é evidente que a formalidade da paridade precisa ser preenchida por participação e engajamento nos projetos defendidos.

E isso se dá porque a elaboração de um projeto consistente requer pressupostos, requer princípios, requer disputa, requer exposição. Em suma, requer política. Não no sentido despolitizante que se dá constantemente à política. Isto é, que entende a política como uma conversa de bar ou disputa entre torcidas. Fala-se, aqui, de política no sentido de embate público de forças e idéias, de desejos e solidariedade comum.

O engajamento da libido que nos envolve requer essa politização de um projeto. Não se engaja, nem se requer que outros se lancem sobre algo que não atrai, que não seduz. Esse projeto de desejos precisa ser social, por ser uma entidade pública, precisa ser discursivo por envolver embate e confronto de visões de mundo e precisa ser político por envolver relações de força e de processos que, em última instância, se vinculam no viver do dia-a-dia.

Despolitizar a Universidade, pois, é desengajar, é retirar a possibilidade de alocar desejos, é jogar no lixo a instituição. Não é na não-política que as pessoas se preocupam com as coisas, é na politização enquanto projeto de alocação de desejos que se cria preocupação, vínculo e disposição para tentar, inovar e buscar atingir finalidades comuns, comunitárias.

Convite: Fundação da Seção DF do Instituto de Pesquisa Direitos e Movimentos Sociais

Às Pesquisadoras e Pesquisadores comprometidos com a luta popular,
Às Educadoras e Educadores, assessoras e assessores populares,
Às mulheres e homens que integram os Movimentos Sociais e lutam pela transformação da sociedade,

Em nome da construção de uma pesquisa comprometida com os movimentos sociais para a luta e conquista da emancipação social, foi criado, com caráter nacional, na cidade de Goiás, em 26, 27 e 28 de abril de 2012,o IPDMS – Instituto de Pesquisa Direitos e Movimentos Sociais.

O IPDMS apresenta-se como espaço de aglutinação e fortalecimento de pesquisas voltadas à resolução de problemas concretos da sociedade, a partir das demandas e vivências dos Movimentos Sociais. Isto tendo como base a Pesquisa-Ação e Pesquisa Participante aliados a processos de Educação Popular e como princípios o compartilhamento da produção de conhecimento com os sujeitos envolvidos nos processos de pesquisa, o trabalho coletivo e o protagonismo dos movimentos sociais e estudantes pesquisadoras e pesquisadores.

A fim de concretizar uma perspectiva nacional do Instituto de Pesquisa, que caminhe lado a lado com a compreensão da diversidade e pluridade das localidades, foram pensadas inicialmente seis grandes seções do IPDMS: Norte, Nordeste I (MA, PI, CE, RN), Nordeste II (PB, AL, PE, BA e SE), Centro Oeste, Sudeste e Sul. E, a partir dessa ideia, as seções estão sendo formadas e discutidas e subseções estão sendo criadas, com a finalidade de garantir o máximo de capilaridade às pesquisas e ações de formação.

Como parte desse processo, criaremos a subseção Distrito Federal nos dias 16/08 e 17/08 no prédio da FA – Universidade de Brasília (Asa Norte) e convidamos a todas as lutadoras e lutadores do povo para construir esse importante espaço de luta.

Veja a programação:

16 de agosto (quinta-feira)

18:00 – Mística e Fala de Abertura – o IPDMS ficando raízes no Distrito Federal

– Diana Melo Pereira (UNB, IPMDS – Secretaria Executiva)

19:00 – Leitura da realidade a partir da onde se pisa: Movimentos Sociais no Brasil e no Distrito Federal

– Rosângela Piovizani (Via Campesina e Movimento de Mulheres Camponesas)

– Juliana Amoretti (Assembléia Popular)

20:00 – Grupos de Trabalho – Levantamento de demandas no DF e no Brasil com repercussão no DF

17 de agosto (sexta-feira)

18:00 – Mística e apresentação da produção dos Grupos de Trabalho

19:00 – Que Pesquisa em que Direito queremos
– Fernando Dantas (Professor e pesquisador do Programa de Pos-graduacao em Direito da PUC PR e do Centro de Estudos Sociais America Latina – CES AL),
– Diego A. Diehl (Professor UNB, Advogado Popular, AJUP-DF)

20:00 – Grupos de Trabalho – Dando cores candangas ao Plano de Trabalho do IPDMS

21:00 – Fundação da Subseção DF

Doe e ajude o Novo Pinheirinho (DF) a manter a luta pelo direito à moradia

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Por Camila Damasceno
Caras amigas, caros amigos,
Na madrugada de 21 de abril de 2012, cerca de trezentas famílias ocuparam uma área na cidade de Ceilândia, a 25 km de Brasília. A área, batizada de “Novo Pinheirinho”, está localizada na QNQ/QNR, próximo ao Centro de Ensino Fundamental (CEF) 27. Entre outras reivindicações, o objetivo é obter do governo do Distrito Federal a construção de moradias para famílias de baixa renda. A ação contou com o apoio de jornalistas, advogados, sindicatos e coletivos da cidade, entre eles o grupo Brasil & Desenvolvimento.
O B&D apoia esta luta e acredita na importância da ocupação e de sua visibilidade por diferentes setores de nossa sociedade. Acredita que é possível construir uma cidade mais justa, quando as pessoas se unem para construir uma luta fraterna, que diz respeito a todos. Acredita no diálogo entre movimentos sociais e governo, imprescindível ferramenta de elaboração de políticas públicas voltadas à inclusão social. E acredita que a participação popular é indispensável para o fortalecimento desta luta.
Por isso, estamos recolhendo doações junto a nossos parceiros e colaboradores, a fim de ajudar as mais de 300 famílias que hoje ocupam a área e ainda estão longe de verem atendida sua primeira necessidade: um local decente para morar. Alimentos não perecíveis, leite em pó, produtos de higiene pessoal e de limpeza e lonas plásticas são os principais bens que podem ajudar as pessoas que hoje buscam apenas a conquista de um direito essencial, o direito à moradia, e ocupam o local.
Quem puder ajudar com doações desses produtos, por favor, entre em contato com João, pelo telefone: (61) 8608-6801 ou por e-mail: brasiledesenvolvimento@gmail.com.
Alguns links sobre a ocupação: