Nota de esclarecimento do B&D: o povo protesta porque está indignado

povo congresso

Após a exposição excessiva de alguns militantes do nosso grupo político, Brasil e Desenvolvimento, vimos, por meio dessa carta, assinada abaixo por todos os nossos militantes, reafirmar os fatos.

A manifestação de sexta feira foi organizada pelo Comitê Popular da Copa. Comitê esse do qual o B&D faz parte. Comitê esse que não tem liderança específica e nem o B&D como ator principal. Nosso grupo foi representado no ato por alguns militantes que, como sempre fizemos, auxiliaram na construção do movimento. Porém, a matéria do Jornal Nacional cita pessoas que sequer estavam nos atos, mostrando a clara deturpação que existe quando a vontade é única e exclusivamente estigmatizar e criminalizar a política.

O B&D não tem nenhuma relação com o suposto financiamento de militantes. Jamais pagamos ninguém para ir a uma manifestação. Não fomos pagos para militar. Qualquer afirmação nesse sentido é absolutamente falsa. Nenhum dinheiro, em nenhum momento, para absolutamente nada, passou ou teve origem no B&D em relação a esses atos.

Estamos perplexos com toda a perseguição que estamos sofrendo. É injustificável que nos peguem para Cristo numa situação onde a insatisfação é geral e irrestrita. Mais de 20 mil pessoas estavam nas ruas do DF ontem. Garantimos que nenhuma delas foi paga por nós. As pessoas se indignam e exercem seus direitos políticos por convicção. O que impressiona é como um protesto legítimo e pacífico como o do Comitê Popular da Copa foi noticiado em tom alarmista no Jornal Nacional, enquanto os gastos excessivos da copa continuam embaixo do tapete.

Apoiamos e participamos de todos os atos de maneira pacífica. Somos contra a violência que a mídia está exercendo sobre nós, a criminalização dos movimentos sociais, a negativa de direitos humanos aos nossos concidadãos e, acima de tudo, o impedimento da auto-realização de cada um de nós.

Defendemos, para quem ainda não leu nosso blog, uma sociedade justa, livre, aberta, pacífica. É nesse modelo, portanto, que atuamos em todas as esferas de nossa militância.

 Camila Damasceno

Cândida Souza

Carolina Souto

Danniel Gobbi

Diego de Paula

Edemilson Paraná

Érika Medeiros

Fábio Félix

Gabriel Elias

Gustavo Capela

Hugo Fonseca

Izadora Xavier

Jady Caffaro

João Telésforo

Julia Zamboni

Laila Maia Galvão

Leandro Lobo

Luiz Eduardo Sarmento Araújo

Marcos Vinicius Lustosa Queiroz

Mayra Cotta 

Nohara Coelho

Octávio Torres

Rafael de Acypreste

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Indígenas ocupam esta manhã canteiro de obras de Belo Monte e lançam carta contra hidrelétricas na Amazônia

Belo Monte etc

CIMI – Cerca de 200 indígenas afetados pela construção de hidrelétricas ocuparam nesta quinta-feira, 2, o principal canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte no município de Vitória do Xingu, Pará. Eles reivindicam a regulamentação da consulta prévia e a suspensão imediata de todas as obras e estudos relacionados às barragens nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires. A tropa de choque da Polícia Militar já esperava pelos indígenas, porém não conseguiu os barrar.

Os povos presentes são: Munduruku, Juruna, Kayapó, Xipaya, Kuruaya, Asurini, Parakanã, Arara, além de pescadores e ribeirinhos – leia carta do movimento abaixo. Ao menos seis mil trabalhadores, segundo estimativas do movimento, deixarão de atuar no canteiro. A ocupação, de acordo com os indígenas, se manterá por tempo indeterminado – ou até que o governo federal atenda as reivindicações apresentadas.

Ocupações contra a UHE Belo Monte e mobilizações contra empreendimentos hidrelétricos se tornaram comuns na Amazônia. No último dia 21 de março, cerca de 100 indígenas, ribeirinhos e pequenos agricultores expulsos afetados pela obra ocuparam o canteiro Pimental, um dos pontos de construção mantido pelo Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM).

Nos canteiros da UHE Belo Monte, greves de trabalhadores também vêm tirando o sossego da CCBM. No último dia 5 de abril, cinco mil trabalhadores do canteiro de obras Pimental paralisaram as atividades por conta das condições de trabalho e da demissão de 80 funcionários, no final do ano passado. Até um espião que levava informações para a Agência Brasileira de Informações (ABIN) foi descoberto (veja aqui vídeo do espião).

Ao invés do diálogo, a saída apresentada pelo governo federal para trabalhadores, indígenas, ribeirinhos, pescadores e demais comunidades tradicionais afetadas pelos empreendimentos foi o Decreto da presidente Dilma Rousseff nº 7957/2013 (leia aqui sobre o decreto). De caráter “preventivo ou repressivo”, a medida cria a Companhia de Operações Ambientais da Força Nacional de Segurança Pública, tendo como uma de suas atribuições “prestar auxílio à realização de levantamentos e laudos técnicos sobre impactos ambientais negativos”.

Ainda no Pará, na divisa com o estado do Mato Grosso, o povo Munduruku e comunidades tradicionais estão mobilizadas contra o Complexo Hidrelétrico do Tapajós, que envolve um conjunto de usinas e barragens (leia aqui histórico). Durante o último mês de abril, cerca de 250 soldados da Força Nacional e da Marinha foram deslocados, por solicitação do Ministério de Minas e Energia, com base nos dispositivos do Decreto 7957, para municípios onde incidem áreas afetadas pelos empreendimentos, além de território de ocupação tradicional reivindicado pelo povo Munduruku.

Para outras informações e entrevistas, os telefones disponíveis são: (93) 8811-9226 ou (61) 2106-1670 ou (61) 9979-6912. Leia na íntegra a carta apresentada pelo movimento que nesta quinta-feira, 02, ocupou um dos canteiros de Belo Monte.

Carta da ocupação de Belo Monte

Nós somos a gente que vive nos rios em que vocês querem construir barragens. Nós somos Munduruku, Juruna, Kayapó, Xipaya, Kuruaya, Asurini, Parakanã, Arara, pescadores e ribeirinhos. Nós somos da Amazônia e queremos ela em pé. Nós somos brasileiros. O rio é nosso supermercado. Nossos antepassados são mais antigos que Jesus Cristo.

Vocês estão apontando armas na nossa cabeça. Vocês sitiam nossos territórios com soldados e caminhões de guerra. Vocês fazem o peixe desaparecer. Vocês roubam os ossos dos antigos que estão enterrados na nossa terra.

Vocês fazem isso porque tem medo de nos ouvir. De ouvir que não queremos barragem. De entender porque não queremos barragem.

Vocês inventam que nós somos violentos e que nós queremos guerra. Quem mata nossos parentes? Quantos brancos morreram e quantos indígenas morreram? Quem nos mata são vocês, rápido ou aos poucos. Nós estamos morrendo e cada barragem mata mais. E quando tentamos falar vocês trazem tanques, helicópteros, soldados, metralhadoras e armas de choque.

O que nós queremos é simples: vocês precisam regulamentar a lei que regula a consulta prévia aos povos indígenas. Enquanto isso vocês precisam parar todas as obras e estudos e as operações policiais nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires. E então vocês precisam nos consultar.

Nós queremos dialogar, mas vocês não estão deixando a gente falar. Por isso nós ocupamos o seu canteiro de obras. Vocês precisam parar tudo e simplesmente nos ouvir.

Vitória do Xingu (PA), 02 de abril de 2013

Fonte: Blog Racismo Ambiental

Maio, nosso maio: Dia das(dos) trabalhadoras(es) na Samambaia

O 1º de Maio não é um feriado qualquer. Essa data foi escolhida pela Internacional Socialista, em 1889, como dia de paralisação em homenagem aos movimentos das trabalhadoras/es e para ser, em si mesmo, um dia de luta por novos direitos.

Trata-se, então, de um dia para não apenas proclamar belas palavras sobre a importância das trabalhadoras e trabalhadores, mas de irmos às ruas pela conquista de direitos e contra a exploração e alienação do nosso trabalho. É dia de festa, mas também de luta; que ela seja, pois, integradora, criativa e lúdica, como a do “Maio, nosso maio”, amanhã, na Samambaia. Apareça lá!

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