Sobre João Telésforo

João Telésforo Nóbrega de Medeiros Filho tem 25 anos de sonho, de sangue e de América do Sul. Natural de Natal-RN, tornou-se candango aos 17 anos de idade, quando migrou para o Planalto Central para estudar Direito na Universidade de Brasília. Durante os anos de graduação, participou intensamente de projetos de extensão e de pesquisa, bem como do movimento estudantil. Atualmente, dedica-se à militância no Grupo Brasil e Desenvolvimento (B&D) e ao Mestrado em Direito na UnB.

Por que votarei nulo para o GDF no 2º turno

Rollemberg Pitiman

Pitiman, candidato do PSDB ao governo, agora está com Rollemberg. As credenciais do novo aliado: foi Presidente da Novacap no governo Arruda e Secretário de Obras do governo Agnelo, sempre por indicação de Filippelli (PMDB).

Mesmo com suas alianças clientelistas, inclusive com partidos e figurões egressos do rorizismo e arrudismo; mesmo com o PSB tendo participado das gestões Arruda e Agnelo; mesmo com o comprometimento do partido e de seu candidato com os interesses da “alta burguesia da cidade”, que não nos permite ter ilusão de que seu governo será instrumento para implementar outra lógica urbana e de serviços públicos; mesmo com o seu apoio à candidatura presidencial de Aécio Neves; mesmo com o não compromisso com as lutas em defesa dos direitos humanos, do combate às opressões, e a reprodução das velhas alianças com os setores conservadores nestes temas… Mesmo com todas essas características da candidatura Rollemberg, muita gente ainda está em dúvida sobre anular o voto ou votar nele, para evitar o “mal maior” que seria Frejat.

Eu não sou contra, em abstrato, voto útil, voto crítico, voto para evitar retrocessos, para escolher o adversário menos ruim contra quem lutaremos, etc. Porém, chega um ponto em que as duas alternativas são tão ruins, tão profundamente comprometidas com os adversários do nosso projeto de cidade e de sociedade – em defesa da igualdade social, da liberdade política e da diversidade humana e biológica -, que perde o sentido ficar escolhendo uma entre as duas, por mais que uma delas eventualmente consiga mesmo ser pior ainda que a outra. É o caso do RJ, na disputa entre Pezão, o vice sucessor de Cabral, e o Bispo Crivella, da Igreja Universal. Não vejo sentido escolher uma entre as duas candidaturas, ambas conservadoras no essencial.E é o caso aqui no DF também. Ao ver o comecinho do programa eleitoral de Rollemberg na TV, hoje, convenci-me de vez do voto nulo.

A propaganda do candidato do PSB começou com uma pessoa “explicando” que não há recursos para custear a redução da tarifa para R$ 1,00 (uma “promessa” recém lançada por Frejat, o candidato de Arruda). Porque mesmo se usada toda a verba do IPVA, ainda faltariam R$ 88 milhões; porque seria necessário retirar recursos da saúde, educação, etc; porque, enfim, o governo terminaria aumentando impostos como IPTU e outros, o que seria um horror…

Há quatro grandes problemas aí. O primeiro é que apresenta uma visão tecnocrática engessada de orçamento. Junho mostrou que é possível encontrar dinheiro para reduzir tarifa quando se dá prioridade política a isso. A questão contábil de discutir se a arrecadação do IPVA é ou não suficiente para isso não é o ponto aqui, porque a crítica da propaganda não se concentrou nisso (poderia ter feito, para defender que o recurso poderia e deveria sair de outro lugar, por exemplo), mas simplesmente apresentou como “impossível” a redução proposta pelo outro candidato para o ano que vem. Mistificação tecnocrática. Discurso parecido com a resposta inicial dos governantes em junho. Até que o “impossível” tenha se tornado necessário, pois o poder instituído não pôde resistir à pressão das ruas.

O segundo problema é que a propaganda passou a ideia mentirosa – também transmitida por gente como Alckmin após a redução das tarifas no ano passado – de que, caso se pretenda reduzir a tarifa do transporte público, seria necessário tirar dinheiro da saúde, educação, etc. É uma mentira que esconde inúmeros gastos contemplados nos orçamentos públicos. Quanto o GDF gasta com publicidade? (Levantei isso em 2010 e era assustador, aposto que ainda é e continuará sendo no próximo governo, seja de quem for). Quanto gasta com as diversas formas de favorecimento aos lucros dos grandes empresários? E mais: quanto gasta com o próprio subsídio aos lucros dos empresários dos transportes? É possível reduzir a tarifa pressionando as empresas a reduzirem seus lucros, e não simplesmente pelo aumento do gasto público. Aliás, é possível e necessário pôr fim à exploração de serviços públicos visando ao lucro. Todo o investimento da população (via impostos ou pagando a passagem) deve ser revertido em melhoria dos serviços de transporte, e não para enriquecer meia dúzia de empresários do setor.

O terceiro e gravíssimo problema é a propaganda de que todo aumento de impostos, inclusive para financiar serviços públicos de qualidade e universais seria ruim. Não! Depende: sobre quem recairão esses impostos e para onde irá a verba? Se for para aumentar impostos sobre o “1%” mais rico para financiar direitos sociais (como mobilidade, saúde e outros) e uma cidade melhor para todos/as, então seja bem-vindo o aumento dos impostos sobre o capital e as grandes fortunas!

O quarto problema: ao invés de denunciar os vínculos de Frejat com os “donos da cidade”, e tudo que isso implica, a campanha do PSB opta por se colocar contra uma das únicas propostas do adversário cuja execução implicaria melhora real na vida do povo, e que é uma resposta – mesmo que incoerente e oportunista – às demandas de Junho e das lutas dos últimos anos pelo direito à cidade. Quer desconstruir o discurso de Frejat? Que tal desconstruir o seu discurso violento sobre segurança pública? Bom, não dá pra esperar isso de alguém que apoia Aécio e tem Reguffe (um defensor da redução da maioridade penal) como um de seus principais aliados…  Ideologia do punitivismo penal, a gente vê por aqui também…

No segundo turno, para o GDF, votarei nulo, com toda convicção.

 

Leia também, aqui no blog: Cristovam Buarque, o novo tucano.

Superar a capitulação da esquerda

Precisamos pensar a capitulação de Marina, que dá mais um passo em trajetória rumo à direita iniciada há anos, para muito além do Fla-Flu eleitoral. É necessário pensar mais uma vez também a capitulação do PT, ou de grande parte do partido, assim como do PSB, PCdoB e tantas outras forças. Para evitar que essa tragédia se reproduza como destino da nossa geração de militantes sociais com horizontes anticapitalistas e altermundialistas, é indispensável buscarmos a reflexão mais profunda sobre a cadeia de fatores que tem conduzido a esse beco sem saída diante da ordem estabelecida.

A aposta prioritária ou quase cega na disputa do Estado, em especial na via eleitoral, como principal e quase exclusiva forma de intervenção e transformação da realidade certamente é um desses fatores. E isso caracterizou fortemente a trajetória tanto do PT quanto de Marina nos últimos anos, não interessa o quanto façam discursos de apologia aos movimentos sociais ou às redes de ativismo social.

Não temos direito de reproduzir esse erro. E isso obviamente é um desafio muito maior para quem, como nós do PSOL, interpreta que continua sendo importante participar da disputa eleitoral na atual conjuntura, ainda que de forma não prioritária, e sim subordinada à construção do poder popular. Passar da “boa intenção” à coerência da práxis concreta neste assunto, como em tantos outros, é que são elas…

Outro fator que acho importante é a necessidade de retomarmos, na luta política cotidiana, a inquietação de compreensão profunda e atual da realidade, e, com ela, a apropriação e reconstrução de ferramentas teóricas necessárias para tanto. O espontaneísmo e postura anti-teoria de muitos/as militantes sociais da nossa geração não são novos, tal como diagnostica Paulo Arantes, que enxerga nesse achatamento da reflexão e do horizonte mais uma forma da capitulação à ordem, ainda que em nome de um discurso de emergência (que termina por “enxugar gelo” sem atacar o fundo das questões).

Como diz Bruno Cava Rodrigues (no rastro de muita gente mais), não são “a humanidade” ou “a sociedade” que produzem a hecatombe social, política e ambiental dos nossos tempos. É uma determinada forma de produção da vida social, que tem nome: chama-se capitalismo.

Se tentativas de superação do sistema do capital fracassaram nesse intento, ao longo do último século, isso não é razão para não seguir tentando. Um século é muito pouco na escala da história global. Outro mundo é possível, sim, porque a organização social da nossa vida não é um dado, ela é dotada de grande plasticidade, é um artefato social produzido historicamente e que podemos reconstruir, aliando grandes doses de imaginação e de rebeldia.

E tem mais: segundo enuncia Eduardo Viveiros de Castro, não precisamos apenas imaginar utopias, lugares não-existentes para inspirar essa luta construtiva “rumo ao futuro”. Podemos e devemos nutrir heterotopias, aprender com as experiências alternativas existentes de organização da sociedade, de outros mundos sociais efetivos hoje, como os de povos indígenas, notadamente. Outros mundos são possíveis e já existem no presente, resistindo à força homogeneizadora do capital, destrutiva da diversidade de formas de produção da vida social, cultural, econômica, de organização (e desorganização) do poder.

É preciso que voltemos a nos munir das armas da crítica radical, forjando a quente, a partir das lutas, a atualização das leituras do capitalismo global e de sua conformação no lugar onde lutamos (América Latina, Brasil, cidade, etc), bem como das estratégias para sua suplantação.

“As ferramentas do mestre nunca desmantelarão a sua casa. Elas no máximo nos permitirão derrotá-lo temporariamente em seu próprio jogo, mas nunca nos tornarão capazes de promover mudança genuína”. (Audre Lorde).

Domingo é dia de eleger Fábio Félix 50321 Deputado Distrital!

FALTA MUITO POUCO!
Reta final: vamos eleger um mandato em defesa dos direitos humanos?

E aí, galera?! Reta final!
Nossa campanha surpreendeu, bombou, cresceu muito mais do que imaginávamos. Falta muito pouco para garantirmos um mandato de direitos humanos na Câmara Legislativa e esse pouquinho faz toda a diferença! Você pode ajudar nele.

Como?

1 – Facebook: trocando a capa do seu perfil, curtindo e compartilhando os conteúdos da nossa página www.fb.com/fabiofelixdf

2 – Email: encaminhando emails (inclusive este boletim) de indicação de candidatura para seus amigos, amigas e familiares mais próximos. A sua opinião é muito importante para eles.

3 – Whatsapp: encaminhando uma indicação para grupos de amigos próximos ou até montando uma “lista de transmissão”, encaminhando nossos conteúdos, imagens e vídeos produzidos específicamente para esse aplicativo. Para solicitá-los, basta enviar uma mensagem para 8189-3214.

4 – Rua! Você pode tomar as ruas do DF conosco, participando de nossas panfletagens e mobilizações cotidianas. É só você ligar ou mandar sms ou um Whatsapp para 8189-3214.

Estamos na reta final! Dia 05 de outubro nosso barulho vai chegar nas urnas do Distrito Federal. É só você pegar seu título de eleitor, conferir sua zona, sua seção, e não pode esquecer a identidade! Vamos fazer muito barulho votando 50321 nas urnas do DF. A gente se encontra na festa da vitória!

Governo ‘dos melhores’ e o ódio à democracia

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Então, Marina diz que vai governar com os melhores. E chama isso de ‘nova política’. Só que essa ideia tem alguns milhares de anos… Todo mundo deve ter aprendido nas aulas de História que “aristocracia” = aristoi (melhores) + cracia (poder, governo) = governo dos melhores…

Aristocracia é sinônimo de oligarquia? Supostamente, não. Naquela classificação aristotélica das formas de governo, oligarquia é a forma degenerada da aristocracia. É quando os supostos ‘melhores’ a rigor não o são, pois governam para seus próprios interesses, e não para o ‘bem comum’.

O grande problema é que, na história, é no mínimo remota a chance de se encontrar um regime supostamente aristocrático que não tenha sido, na realidade, oligárquico – e no mais das vezes, plutocrático. E tenho a impressão de que um possível governo Marina não fugiria dessa linha, a julgar por seu discurso, programa, compromissos, alianças, financiadores…

O tal governo ‘dos melhores’ é o governo dos que ‘têm as disposições que os tornam apropriados a esse papel’, diz Rancière, que complementa: e eles governarão aqueles que não teriam essas disposições, e sim as de serem governados…

É hora, mais uma vez, de afirmar a democracia: não o governo ‘dos melhores’, dos ‘técnicos’ (ah, Dilma…). E sim o poder do povo, da multidão. Ou seja, diz Rancière, a enunciação radicalmente igualitária do poder de qualquer um/a. O poder que não exige nem admite qualquer estatuto – de nascença, poder econômico, capital cultural, gênero, etnia – como condição para seu exercício. O que não significa afirmá-lo como “neutro”, cego ante as desigualdades, as relações sociais de dominação. Esse ‘qualquer um/a’ é, desde a Grécia, profundamente subversivo: significa a invasão democrática da pólis por quem dela fora excluído/a por não se encaixar nos critérios postos: mulheres, pobres, estrangeiros/as, escravos/as…

Democracia não tem nada a ver com governo dos ‘melhores’. Ela está por vir – hoje, e não em algum futuro indefinido -, mas é pelo poder ingovernável da ‘ralé’…

(Reflexão em meio à leitura de “O ódio à democracia”, livrinho-livrão de Jacques Rancière recém lançado no Brasil).