Imaginação

Por Gustavo Capela

Imagine. Um mundo azul, um mundo colorido. Simples de viver, fácil de apreender. Mundo de paz, mundo de amigos. Mundo dos mais, mundo de abrigo. Um mundo onde línguas se fundem a favor da comunicação, um mundo onde o tato é a principal ligação.

Imagine? Mundo sujo, mundo pronto. Pronto a rechaçar, a fingir. Não entende mensagem, não emite mensagens. Repete, coleta, repica, reutiliza, cospe. O mundo brutal que se pretende real. O mundo que consome o sonhado. O mundo que sonha o consumo.

Imagine. Um sonho. Imagine um sonho. Um sonho aberto. Um mundo desconhecido, aberto à construção intuitiva. Um mundo. Um mundo novo. Onde a arte de brilhar não é privilégio do sol, que aquece a cabeça. Um mundo onde a pilha de imagens não reflete um padrão.

Imagine. Uma canção. Esquecida em sua lembrança. Cantada para esquecer o artista. Para justificar cenários. Para fingir ouvir o grito de desesperados. Uma canção. Uma versão. De uma verdade. De solidão.

Imagine. Imagine o mundo. Imagine o mundo sem arte. Sem a arte que lembra. Sem a arte de quem não quer lembrar. Sem a arte que expõe e nos força a encarar. Uma verdade. Uma situação. Imagine o mundo. O mundo sem a arte. Que nos faz imaginar.

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