O GDF não nos calará! Não à criminalização do Grupo Brasil e Desenvolvimento, pela liberdade política

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O grupo Brasil e Desenvolvimento é formado por militantes sociais, grande parte estudantes e ex-estudantes da Universidade de Brasília. Desde 2009, atua com movimentos sociais pela mudança da injusta realidade que vivemos na capital federal. Atuamos no movimento LGBT, movimento feminista, movimento estudantil, movimento pela democratização da comunicação, direito à cidade e à moradia. Somos parte da geração que ocupou a Reitoria da Universidade de Brasília em 2008 pela saída do Reitor Timothy Mulholland e a Câmara Legislativa do Distrito Federal em 2009 e 2010 pela saída governador José Roberto Arruda (e seu sucessor tampão Rogério Rosso), ambos protagonistas de escândalos de corrupção. Nos orgulhamos dessa breve história de mobilização e luta.

Atualmente, além de estudantes (graduação, mestrado e doutorado), o grupo é composto por servidores/as e funcionários/as públicos/as e profissionais liberais, todos cidadãos, como todos os brasileiros, com direitos políticos garantidos pela constituição. Somos militantes sociais e partidários de esquerda, filiados/as ao PSOL – Partido Socialismo e Liberdade.

Nesse ano, junto com muitos outros cidadãos, organizações e movimentos sociais, denunciamos o recrudescimentos das injustiças históricas impostas pela realização da Copa das Confederações e da Copa Mundo em nossa cidade, para que os recursos públicos sejam destinados a quem mais precisa e ao atendimento das necessidades mais básicas do povo brasileiro.

Na sexta-feira (14/06), junto com o Comitê Popular da Copa, composto por várias organizações de todo o país – entre elas o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, participamos de uma manifestação pacífica para denunciar esse conjunto de injustiças. Não houve confronto com a polícia. Após o fechamento da via para chamar a atenção da população, caminhamos pacificamente rumo ao Palácio do Buriti, sede do governo local, acompanhados pela PM. Nenhum abuso de nenhuma das parte foi cometido. No Palácio do Buriti,  um conjunto de representantes do protesto sentamos à mesa com o secretário de Governo do DF, Gustavo Ponce de Leon e mais dois assessores para discutir a pauta do ato. Finalizada a discussão, na qual o governo negou comprometimento com as pautas apresentadas, deixamos o local.

Ao fim do dia, fomos surpreendidos/as por um conjunto de buscas e apreensões de militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, detidos em suas casas. Na imprensa, informações de que um dos nossos militantes, que sentou à mesa com Governo, era procurado.

Mais tarde, na Folha Online, uma matéria que inferia a participação do B&D no planejamento de supostos atos ilícitos. O texto, assim como outros, apresenta o grupo de modo depreciativo, como se a remuneração e a atividade profissional de seus/as militantes (nesse caso de servidores públicos) os ligasse automaticamente ao cometimento de supostos crimes, que negamos veementemente. Entre os citados estão:

Gabriel Santos Elias, estudante, é formado em Ciência Política na Universidade de Brasília e mestrando também em Ciência Política na mesma universidade. Até maio passado, trabalhava como assessor da subchefia de assuntos parlamentares da Presidência da República. Deixou o posto para se dedicar integralmente à carreira acadêmica.

Mayra Cotta é advogada, formada em Direito pela Universidade de Brasília (UnB) e mestra em Direito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Trabalha como assessora na Casa Civil.

Danniel Gobbi, servidor de carreira do Ministério do Planejamento lotado na Secretaria Geral da Presidência da República, é formado em Relações Internacionais pela UnB.

Gustavo Capela, formado em Direito pela UnB, mestrando em Direito na mesma universidade, trabalhou na Casa Civil em 2011 e atualmente é assessor constitucional da Procuradoria-Geral da República.

João Victor Loureiro, formado em Direito pela UFMG, mestrando em Direitos Humanos na UnB, integrou os quadros do B&D mas, ao contrário do que afirma a matéria, já não faz mais parte do grupo.

Não podemos interpretar senão como política essa vil perseguição. Não aceitaremos a criminalização de nossa atividade política por parte do Governo do Distrito Federal e de seus agentes de segurança que, às custas de métodos autoritários, pretendem varrer qualquer oposição política a seu péssimo e impopular governo.

Toda nossa atuação sempre foi pública, aberta e com amplo convite a adesão do povo do Distrito Federal. Nos expusemos, falamos à imprensa e demonstramos publicamente quem somos e o que defendemos. Não concebemos política senão feita desse modo, às claras. Isso, pelo visto, tem incomodado profundamente aqueles que são alvos de nossas críticas.

Estudantes, servidores/as, profissionais liberais, sem-teto ou desempregados/as temos direitos políticos como qualquer outro/a cidadão/ã. Direitos que garantem a liberdade de expressão, mobilização e organização político-partidária. A realização de grandes eventos não muda essa realidade. Seguiremos exercendo esse direito legítimo, conquistado historicamente a duras penas e graças a atos, protestos e manifestações como as que temos ajudado a construir nos últimos anos.

Lamentamos profundamente que o governo encabeçado por um Partido que um dia simbolizou e articulou os movimentos sociais pela democratização do país tente nos calar com criminalização e ameaças. Só reforçam a nossa convicçcão de que é necessário seguir na luta diária pela construção do poder popular, contra as injustiças sociais que este governo teima em perpetuar. Esta será nossa resposta àqueles que tentam nos amedrontar: lutar com ainda maior paixão e determinação. NÃO NOS CALARÃO! NÃO PASSARÃO!

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Aquecimento para o Carnaval

Por Laila Maia Galvão

No governo Geisel, em plena ditadura militar, foi lançado o chamado Pacote de Abril. Uma nova emenda constitucional e seis decretos-leis passaram a permitir o voto indireto para eleições no Senado, aumento do mandato presidencial de cinco para seis anos, alteração do quórum para aprovação de emenda constitucional entre outras medidas. Como forma de protesto, jornalistas brasilienses criaram o bloco de carnaval Pacotão, com marchinhas que criticavam Geisel e o regime.

O Bloco de Olinda Acho é Pouco, que desfila na terça-feira de carnaval na cidade, foi criado em 1977 e também criticava a ditadura. A marca da agremiação, de cor vermelha, é símbolo da posição de esquerda assumida pelo bloco desde aquela época.

Em 1989, no desfile da escola de samba Beija-Flor, Joãozinho Trinta organizou um desfile inusitado. Ao invés de fantasias luxuosas, havia muito lixo. O enredo era “ratos e urubus, larguem minha fantasia”. Havia uma imensa faixa que dizia: “mendigos, desocupados, pivetes, meretrizes, esfomeados, loucos, povo de rua, tirem dos lixos deste imenso país restos de luxo… façam suas fantasias e venham participar deste bal masque”. Nesse mesmo desfile, havia um carro alegórico que trazia uma réplica do Cristo Redentor. A Igreja Católica ingressou com uma ação judicial e a escola foi proibida de desfilar com a alegoria. O Cristo, no carro, foi tapado por um plástico. Por cima do Cristo tapado havia a seguinte faixa: “mesmo proibido, rogai por nós”.

No ano passado, o bloco Pacotão criticou duramente os esquemas de corrupção da capital, o chamado mensalão do DEM. O movimento Fora Arruda participou das comemorações carnavalescas e cantou as marchinhas que falavam em panetones, bolsa da Eurides, Arruda na Papuda etc.

Nesse ano, o já tradicional bloco Pacotão traz dois temas muito atuais e oportunos. A primeira marchinha, Mumiarak fala em Egito e também das nossas “múmias” no Senado Federal. Já a marchinha O Vermelho Amarelou critica esse início de governo Agnelo.

A enorme festa popular que é o carnaval e que envolve brasileiros de norte a sul é espaço de confraternização e de folia. Nem por isso deixa de ser espaço de crítica e de criatividade política.

Um ótimo carnaval para todos!

Para entrarem no clima, seguem abaixo as marchinhas do bloco Pacotão desse ano…
MUMIARAK
Autor e intérprete: André Cerino

Mubarak

Mubarak
O Egito é outro
Teu governo é de araque

Lá no Egito a múmia passa mal
O povo pega, joga pedra, mete o pau
Mas no Brasil, quem diria
Múmia se cria no Congresso Nacional


O VERMELHO AMARELHOU
Autor e intérprete: Joka Pavaroti

Ele já saiu no Pacotão de bermuda e de chinelo
O cara era vermelho, mas tá sorrindo amarelo
A Colombina diz que o povo é sifu*
Elegeu o Agnelo, mas quem manda é um Tadeu
O Pierot também já sentiu na pele
Nesse coreto quem manda é Filipelli
Arlequim vive chorando, pelos cantos infeliz
Deu seu voto pro Agnelo e elegeu um assecla do Roriz

Para os que ainda acreditam que a homofobia não é uma doença recorrente

Por Gustavo Capela

Hoje houve protesto na UnB contra a homofobia. Foi promovido um “beijaço” na Faculdade de Tecnologia devido aos constantes atos homofóbicos ali perpetrados durante os trotes-nada-solidários.

Uma matéria do correio braziliense ( http://www.correioweb.com.br/euestudante/noticias.php?id=11173) sobre o ato demonstra bem o que muitos pensam sobre o preconceito no Brasil. Uns acreditam que ele não existe, outros que as minorias “exageram” em suas manifestações e, outros, que o melhor caminho para a aceitação é segregar os interesses. Comungam com a possibilidade da existência do diferente desde que essa diferença ocorra em espaços que eles não freqüentam.

A matéria mostra que até em um ambiente supostamente mais aberto ao diferente, como deveria ser a Universidade, as pessoas reproduzem as ignorâncias culturais que afastam os que pensam, agem, ou vivem de forma diferente do status social. Status que, diga-se de passagem, não condiz com a realidade plural e excêntrica que envolve o ‘ser-brasileiro’. Se na Universidade não nos damos ao luxo de nos abrirmos ao outro, de enfrentar nossos preconceitos, como, então, enfrentaremos demandas sociais tão diversas e tão plurais quanto as que existem em nossa sociedade? Impondo o certo e o errado? Determinando como as pessoas devem “buscar a felicidade” ?

O intuito democrático elencado em nosso projeto histórico – a constituição – releva a necessidade de representar a pluralidade e complexidade do brasileiro de forma mais ampla. O Brasil é o país das diferenças e é justamente na diferença que nós, como cidadãos, encontramos um elo comum. O preconceito impede a realização, pois, de uma construção mais condizente com nossa realidade, com nosso projeto democrático, dando ensejo à contínua opressão de parcelas significativas da sociedade.

A homofobia é uma das formas de preconceito mais difundidas. E é feita no melhor estilo luso-brasileiro. Ninguém se declara homofóbico, ninguém admite ter preconceito, mas com freqüência demonstram nojo e desprezo ao falar daqueles que possuem orientação sexual diversa. Ora questionam a “incapacidade de liderança nas forças armadas”, ora o aspecto “natural-biológico” da perpetuação da espécie, mas sempre com o discurso de que aceitam, de que não condenam a homossexualidade.

Parece, portanto, que atos como o de hoje na Universidade de Brasília demonstram-se duplamente importantes. Primeiro pelo exercício democrático de manifestar-se contra atitudes sociais e, por conseguinte, de poder que oprimem a diferença.

Mais importante, entretanto, é o segundo aspecto: a necessidade de escancarar a realidade, de forçar um ambiente público, em que a realidade é exposta de forma crua. Nesses momentos, como mostra a matéria do Correio, as verdades sociais não ditas, por convenção, por cordialidade, ou coisas do tipo, parecem sair. A partir delas, percebemos mudanças necessárias para a efetivação de nosso projeto democrático.