Debate com Plínio na UnB: transmissão via rádio e twitter

Chegou a hora! E eis que chega a Roda-Viva do B&D com Plínio de Arruda Sampaio, pré-candidato do PSOL à Presidência da República! Amanhã (19 de maio), às 10h da manhã, no Auditório Joaquim Nabuco – FA/UnB.

O debate será transmitido ao vivo pela Ralacoco (Rádio Livre com Princípios Comunitários), por meio do projeto Dissonante, no link: http://ralacoco.dissonante.org/site/index.php

Faremos também a transmissão da discussão por meio do twitter do B&D: http://twitter.com/Bras_e_Des

Você poderá participar à distância, inclusive, mandando perguntas por meio do twitter!

Para aquecer os tambores para o debate, postamos novamente o vídeo de divulgação da atividade:

Aproveitamos para lembrar que nosso propósito não é fazer palanque para um partido ou candidato, mas debater  ideias sobre o projeto de desenvolvimento que ele apresenta e representa para o Brasil. Nesse sentido, anunciaremos em breve a vinda de outros presidenciáveis para debates na UnB! Aguarde!

“A onda” e Arendt

Por Gustavo Capela

Uma nova ditadura. Jamais isso acontecerá. Jamais nosso país será tomado por militares ou força outra qualquer que limite nossos direitos. Jamais aceitaremos a não-existência do que hoje nos é fundamental: liberdade, igualdade e todos os direitos que desses derivam.

Um novo Reich. Jamais isso acontecerá. Jamais o mundo aceitará que um indivíduo, um grupo, ou uma ideologia massacre milhões por razões étnicas, de raça, de gênero ou de crença. Jamais aceitaremos o extermínio de um povo e viraremos a cara, como se nada estivesse acontecendo.

É com base nesse pensamento, comum hoje em dia,  que o professor do filme “A onda” (Die welle) começa o projeto semanal de uma escola na Alemanha sobre autocracia. “O III Reich foi horrível e já sabemos disso”, uma das estudantes proclama na segunda feira. É a mesma que, ao final da semana lotava um auditório em prol de um movimento autocrático, fundado na sala de aula onde ela proferiu as palavras.

Hannah Arendt, no livro Crises da República, alerta a sociedade para o perigo de não respeitar o passado, de brincar com as chances de um acontecimento. Como ela mesmo ordena, um novo movimento nazismo é tão difícil quanto uma célula se dividir algumas vezes e formar um ser vivo, que, ao longo do tempo, evolui ao que hoje chamamos de espécie humana.

Não podemos nos iludir quanto aos perigos da vida social e as várias tentações que nos envolvem durante a história. Em momentos difíceis, nas situações de baixa auto-estima todos nós estamos suscetíveis a atos que passam por cima de valores que nos são caros, que são essenciais para a convivência pacífica entre os plurais.

O Grupo Brasil e Desenvolvimento, como um coletivo que se dispõe a agir a favor da mudança social também precisa ser cauteloso. Não nos furtemos dos valores que aceitam a idéia contrária, que debate publicamente os problemas sociais e que, acima de tudo, escancara os problemas e contradições dentro do nosso próprio projeto. O controle democrático e plural só se efetiva quando a minoria, quando aquele que não detém a hegemonia também é respeitado e ouvido.A construção de um plano para o Brasil, vasto e cultural, social e historicamente diversificado, só se concretiza por meio de uma abertura imensa ao plural, ao outro-diferente-de-nós.

Nesse sentido, recomenda-se o filme como um alarme à ideologia massificada, aos perigos de uma crença cega e à necessidade de abertura dentro do próprio grupo.

Die Wielle – Trailer:


Político na UnB

Por Gustavo Moreira Capela

Hoje o professor Roberto Mangabeira Unger vai  à Universidade de Brasília discutir sua proposta para o futuro do país. Mangabeira é um intelectual de grande porte. É gênio declarado desde muito novo, virou professor de Harvard aos 23 anos, escreveu livros que são comentados pelos maiores pensadores do mundo, foi elogiado por nomes como Richard Rorty e já foi considerado dono “da teoria social mais poderosa da segunda metade do século vinte”. Certamente, não é pouca coisa.

Não há dúvidas que seus anseios políticos o levam à UnB. Unger nunca escondeu sua vontade de se lançar na política, tendo como frustrada a tentativa de adquirir um assento na Casa do povo pelo Rio de Janeiro e de se lançar como candidato à presidência pelo PDT em 2002. Agora, com as eleições se aproximando, Mangabeira  já mudou de partido – agora é filiado ao PMDB, antes era do PRB – e buscará apoio para uma candidatura própria. Seu grande sonho é ser presidente do país.

Entretanto e não obstante todos os argumentos elencados acima, a prática de um evento nos moldes do que ocorrerá amanhã na Universidade de Brasília deveria ser transformada em costume. A universidade é um centro de produção de conhecimento. Deveria ser também o lócus de um debate amplo e  exaustivo entre os anseios políticos de um partido, de um indivíduo ou de um movimento social, e as teorias que os sustentam. Essa é uma forma de aproximar a Universidade e seus teóricos da área de humanas ao mundo concreto que nos envolve. Discutir os rumos do país e as mudanças estruturais que precisam ser pautadas em cada uma das áreas traz ganhos incomensuráveis para qualquer uma das partes. Enquanto o político (indivíduo,partido ou movimento social) ganha respaldo ou repensa sua estratégia, os estudiosos ganham subsídios fáticos para suas pesquisas.

Pensar um país não é algo a ser feito individualmente, setorialmente ou regionalmente. Assim como o país é pluralíssimo, as idéias que acompanham as diferenças também são as mais diversas. A universidade tem a função social de representar essa diversidade através da produção do conhecimento voltada para os anseios coletivos. Um plano nacional deve, pelo menos, passar pelo crivo dessas instituições n que tange às suas idéias.

Vejam, não defendo que a Universidade seja o único sujeito da fiscalização de idéias. A universidade, se imbuída de sua real função, terá contatos freqüentes e constantes com os movimentos sociais, estará atento às demandas dos mais diversos atores da sociedade, será  um ambiente plural e representativo, de acesso a todas as classes, e produzirá conhecimento voltado para o bem da coletividade, não pelo acúmulo da capital.

Claro que, para isso, é necessária uma reforma abrupta em todos os segmentos sociais. Não há reforma nas diretrizes educacionais que perpasse a lógica de um sistema que não presenteia conhecimento alheio ao acúmulo de capital. Até lá, entretanto, faz-se mister elogiar a iniciativa do ex-ministro. Quem possui idéias e quer construir um plano, uma estratégia de alternativa, tem que submetê-la ao crivo da crítica pública. Tem que expor suas razões e ouvir as do outro. Para além de permitir alterações com base no que ouve, é capaz de refletir com atenção ao que aprendeu com a vivência de compartilhar uma idéia própria.

Numa universidade, discutir com intelectuais que possuem planos concretos para a transformação, mudança, ou até manutenção das formas sociais é importante. Debater os planos políticos de um indivíduo que projeta idéias para sua atuação é indispensável.

Esperamos todos lá! Com idéias, planos e críticas à “Alternativa” que nos será apresentada.