As eleições e a autonomia dos movimentos sociais

Por Gabriel Santos Elias

Tenho escutado uma posição muito preocupante nessas eleições desde o fim primeiro turno. Boa parte vem de pessoas que admiro pela coerência e militância, pelo respeito e pela importância que dão aos movimentos sociais. Justamente por compartilhar de tantos ideais e práticas com essas pessoas que muito me estranha as posições divergentes que tomamos quanto ao voto neste segundo turno.

Meu voto é em Dilma. O voto desses meus companheiros é nulo. O motivo, por incrível que pareça, é o mesmo: a importância dos Movimentos Sociais para a transformação real da sociedade, tão desejada por todos nós.

A crítica que fazem é de que o Governo Lula teria cooptado os movimentos sociais. Na avaliação do meu próprio candidato do primeiro turno, Plínio de Arruda Sampaio, as duas candidaturas seriam inclusive “igualmente hostis” para os movimentos sociais, equiparando a repressão de Serra à desmobilização que o Governo Lula teria causado nos movimentos sociais.

Tomo o desafio de discordar veementemente dessas pessoas que tanto admiro. Acho que a confusão que estão fazendo é sobre o papel do Governo e o papel dos movimentos sociais nessa conjuntura.

Concordo que houve, sim, um arrefecimento nas lutas sociais durante o Governo Lula. Desde 2003, em seu discurso de posse, Lula não demonstrou contar com a pressão dos movimentos sociais para Governar. Preferiu fazer a disputa na negociação com os atores já inseridos no processo institucional. Podemos discordar dessa opção, mas dizer que essa é a causa da desmobilização do movimento social brasileiro é muito arriscado.

Aos que criticam o Governo nesse sentido, o que deveria ser feito por ele? Chegar para a UNE e dizer: “Pô galera, deixa de ser pelega. Bate um pouco mais na gente aê..” Esse seria o cúmulo do paternalismo na relação do governo com os movimentos sociais. É isso que o movimento social brasileiro está querendo?

O que o Governo fez ao tomar posse foi o que todo governo deve fazer, buscar apoio para governar. Cabe ao movimento social, autonomamente, decidir se apóia e/ou participa do Governo de alguma forma, ou não.

Acredito, sim, que os movimentos sociais devem se organizar mais na luta para pressionar por avanços. O Governo por si só não é capaz de atingir os objetivos que pretendemos, são as limitações da dinâmica institucional. Mas garantir nossa autonomia em relação ao Governo, nos mobilizar, protestar e pressionar é um dever nosso! Como falar de autonomia em relação ao Governo se dependemos de uma iniciativa do próprio Governo para isso?

O engraçado é que temos o mesmo objetivo: buscar mais mobilização dos movimentos sociais para pressionar por mudanças concretas na nossa sociedade. O desafio já é grande, pois se percebe a necessidade de uma renovação nas práticas dos movimentos. Eu só não consigo entender como um Governo repressor aos movimentos sociais, que dialoga na base do chumbo pode ser um contexto melhor para atingirmos nosso objetivo.

Se queremos reorganizar os movimentos sociais para que sejam instrumentos de pressão de fato para que avancemos nas pautas que defendemos, temos que garantir um Governo que não reprima os movimentos sociais e seja minimamente aberto a algum diálogo democrático. Garantir a nossa autonomia nesse contexto é tarefa nossa, passá-la para o Governo é registrar a declaração de incompetência. Na minha avaliação, votar na Dilma é garantir um melhor cenário para a reorganização dos movimentos sociais no Brasil. Votar nulo é deixar que a sorte decida. Não me parece ser um bom momento para deixar nas mãos da sorte.

Debate com Plínio na UnB: transmissão via rádio e twitter

Chegou a hora! E eis que chega a Roda-Viva do B&D com Plínio de Arruda Sampaio, pré-candidato do PSOL à Presidência da República! Amanhã (19 de maio), às 10h da manhã, no Auditório Joaquim Nabuco – FA/UnB.

O debate será transmitido ao vivo pela Ralacoco (Rádio Livre com Princípios Comunitários), por meio do projeto Dissonante, no link: http://ralacoco.dissonante.org/site/index.php

Faremos também a transmissão da discussão por meio do twitter do B&D: http://twitter.com/Bras_e_Des

Você poderá participar à distância, inclusive, mandando perguntas por meio do twitter!

Para aquecer os tambores para o debate, postamos novamente o vídeo de divulgação da atividade:

Aproveitamos para lembrar que nosso propósito não é fazer palanque para um partido ou candidato, mas debater  ideias sobre o projeto de desenvolvimento que ele apresenta e representa para o Brasil. Nesse sentido, anunciaremos em breve a vinda de outros presidenciáveis para debates na UnB! Aguarde!

Candidato à presidência pelo Psol participará de debate na UnB

Matéria do Correio Braziliense (link da reportagem, aqui)

O candidato à Presidência da República pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol), Plínio de Arruda Sampaio, participa de um debate roda-viva na Universidade de Brasília (UnB) na próxima quarta-feira (19/5). A convite do grupo “Brasil e Desenvolvimento” (B&D), o evento será às 10h, no auditório Joaquim Nabuco, e é aberto ao público.

Plínio responderá a perguntas de quatro convidados e depois da plateia. De acordo com o integrante do B&D Gabriel Santos Elias, a iniciativa surgiu como uma forma do grupo atuar nas eleições deste ano. “Nós achamos interessante fazer uma atividade na UnB que não fosse um palanque eleitoral, mas que servisse para aprofundar o debate sobre projetos para o Brasil e ajudar as pessoas a decidir sobre quem votar nas eleições de outubro”, explica.

O debate será transmitido pela UnBTV e pelo twitter do grupo (twitter.com/Bras_e_Des). No dia 8 de junho, será a vez da candidata pelo Partido Verde (PV), Marina Silva, ir à Universidade. O grupo negocia ainda a participação dos presidenciáveis Dima Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).

50 anos de vida pública

Com mais de 50 anos na política, Plínio Arruda Sampaio é bacharel em Direito pela USP e mestre em desenvolvimento econômico internacional pela Universidade de Cornell (EUA). Foi deputado federal por três vezes e relatou o projeto de reforma agrária do governo João Goulart. Com o golpe militar, engrossou a primeira lista de cassados e foi para o exílio.

À época, o cargo de promotor público que exercia desde 1954 também foi cassado – só sendo reconhecido novamente em 1984, quando foi anistiado e aposentado. Sampaio foi diretor de programas de desenvolvimento da FAO, órgão da ONU para agricultura e alimentação, trabalhando em todos os países da América Latina e Caribe. É também um dos fundadores do PT, deputado federal constituinte e se candidatou a governador em 1990 e em 2006, já pelo Psol. Atualmente, é presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA).