Acaso existirão os brasileiros?

Por João Telésforo Medeiros Filho

O objetivo deste grupo é imaginar e construir uma alternativa de desenvolvimento que transforme o Brasil.

Na dimensão mais reflexiva do nosso projeto, vários textos do blog já trouxeram à tona alguns dos sentidos que podem ser conferidos ao termo desenvolvimento.

Este será o primeiro de vários posts dedicados a problematizar criativamente a outra palavra do nosso nome: Brasil? Por que Brasil? Qual Brasil? Brasil para quê? Quais efeitos positivos e negativos as várias formas de nacionalismo e patriotismo desempenharam na história do nosso país?

Nada pode falar melhor de uma sociedade do que as suas várias formas de manifestação cultural.

Começamos o debate, então, com Carlos Drummond de Andrade, um dos grandes poetas que temos o orgulho de poder chamar de brasileiros. Seguem dois poemas de Drummond, na íntegra: “Também já fui brasileiro” e “Hino nacional”:


    Também já fui brasileiro

Eu também já fui brasileiro
moreno como vocês.
Ponteei viola, guiei forde
e aprendi na mesa dos bares
que o nacionalismo é uma virtude.
Mas há uma hora em que os bares se fecham
e todas as virtudes se negam.

Eu também já fui poeta.
Bastava olhar para mulher,
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