Nota de apoio do B&D à ocupação Novo Pinheirinho, em Brasília.

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Moradia é questão básica de sobrevivência. E para a esquerda anticapitalista, o básico é prioridade. Sem as condições materiais básicas, o ser humano torna-se refém de uma lógica perversa que o explora e oprime, tendo em vista seu estado de necessidade. Se o Estado, enquanto instituição, não serve para prover o básico aos cidadãos, ele trai sua envergadura democrática e passa a servir única e exclusivamente ao acúmulo de capital. Serve aos poucos que já têm e exclui de suas políticas aqueles que mais necessitam de um poder social e popular concentrado.

Numa cidade como Brasília, onde morar é, de fato, um privilégio; onde a especulação imobiliária está intrinsecamente vinculada aos partidos políticos que hoje governam e antes governavam a cidade; onde a população pobre vive à mercê de populismos personalistas; onde os projetos de habitação não contemplam grande parte da população; e onde a prioridade é construir estádios para um evento privado e excludente, a função de um movimento social de massas, como o MTST, é insurgir, questionar e escancarar as contradições das escolhas tomadas pelo poder instituído.

O B&D está junto ao MTST na luta por moradia há mais de dois anos. Apoiamos essa luta por acreditarmos em seu potencial emancipador, mas também por acreditarmos na função dos movimentos sociais na construção de uma sociedade efetivamente justa, solidária e inclusiva. Não podemos viver de discursos. É preciso levantar-se e lutar. E lutar conscientemente. Reconhecendo limitações, utilizando-se de todas as ferramentas possíveis e, acima de tudo, construindo com o movimento social e respeitando sua autonomia, pois é quem protagoniza a luta por moradia no DF.

Em 2010, houve a primeira ocupação do MTST em Brasília, denunciando a política habitacional que esquecia os mais necessitados e beneficiava o setor de construção civil do Distrito Federal, nos moldes do projeto “Minha Casa Minha vida”, que jamais teve como principal foco resolver o déficit habitacional, mas sim fortalecer empresas que cada vez mais doam dinheiro ao projeto desenvolvimentista do Partido dos Trabalhadores. Como é de praxe, promessas foram feitas para a desocupação, mas nenhuma foi cumprida.

Em 2011, o acampamento Gildo Rocha foi estabelecido. Mais reivindicações pelo que não havia mudado. Mais truculência e despejo violento. O MTST ocupou o Ministério das Cidades, então, com mais de 400 famílias e passaram a acorrentar um militante por dia enquanto não houvesse negociação. As secretarias de Desenvolvimento Social e Trabalho, de Habitação e de Governo do DF e o Ministério das Cidades sentaram na negociação com o movimento e foi prometido um auxílio-aluguel para as 404 famílias, além do cadastro destas no projeto habitacional do governo do DF (“Morar Bem”). Após dois meses, o acordo foi mais uma vez descumprido.

Em 2012, ante o acúmulo de forças das ocupações anteriores, o movimento entendeu por bem ocupar nova terra e batizaram-na de Novo Pinheirinho, à luz dos acontecimentos em São Paulo, que escancaram a realidade brasileira no que diz respeito à oposição entre capital financeiro e direitos básicos. No dia 21 de abril, aniversário de Brasília, ocuparam um terreno em Ceilândia. Nesse acampamento, tendo em vista o crescimento do MTST, as demandas sociais cada vez mais urgentes e o descaso do Governo com a população, a repressão foi mais específica e orientada. Edson, um dos coordenadores do movimento, foi ameaçado com armas por diversas vezes no acampamento e outros militantes foram abordados com violência. Houve outro acordo e, novamente, descumprimento por parte do Governo.

A situação demonstra, pois, um descaso deste Governo com a situação daqueles que não possuem moradia e se recusam a esperar indefinidamente programas habitacionais enquanto bairros nobres são ilegalmente erigidos em outras partes da Cidade sem qualquer contestação do poder público. Não há como se calar diante de tantos desrespeitos e tanto desvio do uso público do poder instituído.

O Movimento dos Trabalhadores sem Teto é o movimento social que mais cresceu no Distrito Federal nos últimos anos. E isso diz respeito à forma como o enfrentamento tem se dado em relação ao governo. Toda pauta diz respeito a um anseio real dos trabalhadores. Toda pauta está amparada, pois, num amplo apoio popular. É importante lembrar que a força dos movimentos sociais está e sempre estará na mobilização do povo nas ruas e só com o acúmulo dessa força somos capazes de intervir concretamente nas instâncias de poder para transformar a realidade.

O B&D apoia o MTST, então, porque esse movimento demonstra indignação. Esse movimento clama por justiça social e, mais importantemente, esse movimento movimenta. Movimenta cidadãos em busca da realização, cada vez mais necessária, do poder popular.

Apoiar o movimento não é uma questão de contingência política ou momento oportuno. É questão de princípio. Não há como defender um projeto político alternativo e contrário à lógica capitalista de acúmulo desenfreado sem dar voz à margem, aos excluídos, a quem efetivamente luta por uma sociedade diferente.

O B&D, reconhecendo-se nesse campo que cresce e pulsa por inovação na política do DF, entende que esse protagonismo do movimento é só mais um sinal de que é possível pensarmos em algo diferente, em algo inovador, em algo que contemple o ser humano enquanto pessoa, não enquanto número, voto ou potencial consumidor.

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MTST ocupa prédio abandonado em Taguatinga – Novo Pinheirinho resiste!

Vídeo da primeira noite da nova ocupação do Novo Pinheirinho – DF! Produção do Centro de Mídia Independente – CMI.

Leia aqui o manifesto de ocupação, e entenda as razões e objetivos do movimento.

MTST ocupa o Palácio do Buriti

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto acaba de ocupar o Palácio do Buriti com cerca de 500 pessoas. Eles reivindicam a permanância de 900 famílias acampadas em área na Ceilândia (DF), onde estão desde o dia 21 de Abril. O Governo do Distrito Federal já solicitou a reintegração de posse do terreno, que pertence oficialmente à Terracap. O prazo dado às famílias para que deixem a área é essa sexta-feira, dia 4. Elas se negam a deixar o local e se dizem dispostos à resistência. Com a ocupação no Buriti, o movimento reivindica que o GDF retire a reintegração de posse da área.

Novo Pinheirinho (DF) apresenta suas armas

Por Edemilson Paraná

A intransigência do Governo do Distrito Federal pode produzir um desfecho trágico no acampamento Novo Pinheirinho em Ceilândia, a 25 km de Brasília. Certas de que a moradia digna é um direito, as 900 famílias acampadas – entre mulheres, jovens e crianças – preparam a resistência; e nada as convence do contrário. A ação de reintegração de posse já saiu e determina que as famílias deixem o local até essa sexta-feira (dia 4).

No acampamento, presenciei uma disposição para luta que jamais havia visto antes. Impossível não lembrar de Marx: eles tem pouco a perder, senão a próprias correntes. E não há que se falar em invencionisse irresponsável, em agitação pseudo-revolucionária. O destino dessa gente foi tomado à força, por eles mesmos nessa luta; daí o valor imenso da resistência:  a palavra cidadania, jóia de nossa retória política burguesa, se tornou sinônimo de terra, chão, suor e luta.

“Não temos mais nada a perder, já vivemos uma vida de muito sofrimento, meu filho”, disse-me uma senhora. “Se morrermos, virão outros e outros. Pra alguns aqui, morrer seria até um alívio”, disse-me outro morador. Sim, morador! É assim que eles passaram a se designar depois que muduram para QNQ/QNQ em Ceilândia. Se antes o quarto, o cortiço, a moradia alugada era chamada de “o lugar onde eu pago aluguel”, aqueles precários barracos de lona cravados no chão batido são orgulhosamente denominados “casa”. E entre olhares corajosos em sorrisos cansados ouvi que “está tudo bem”, que “até aqui está ótimo” viver no Novo Pinheirinho.

É contra a morte, a dor e a humilhaçao que a vida em Novo Pinheirinho apresenta suas armas: mãos calejadas, braços unidos, peitos abertos.

Novo Pinheirinho prepara resistência ao despejo

Do site do MTST

Diante da decisão do Governador Agnelo Queiroz em apostar no despejo e na repressão, ao invés de negociar solução habitacional para as famílias da Ocupação Novo Pinheirinho, em Ceilândia, os acampados iniciaram a preparação da resistência.

O terreno foi cercado de barricadas e os moradores se preparam para evitar um massacre. A ocupação já conta com mais de 900 famílias, muitas das quais não tem lugar para ir, em caso de despejo.

A postura do Governo Agnelo parece anunciar a versão petista do Massacre do Pinheirinho, feito pelo Governo do PSDB, em São José dos Campos. Se não recuar, o GDF transformará os questionamentos do PT ao despejo do Pinheirinho em retórica vazia. Mostrará ainda que as diferenças entre o PT e os tucanos no trato com as lutas sociais são bem menores do que parecem.

O MTST, diante da posição lamentável de Agnelo, expressa duas definições:

1. Organizaremos a resistência contra a tentativa de tratar o problema da moradia como caso de polícia.

2. Apelamos aos setores do PT que tenham compromisso com as lutas sociais que intercedam junto ao GDF para evitar o conflito que pode terminar em massacre.

3. Nossas ocupações em todo o Brasil estão de prontidão para fazer uma mobilização nacional em caso de ataque ao Novo Pinheirinho de Brasília.

NÃO PASSARÃO!

RESISTIREMOS!

MTST, A LUTA É PRA VALER!