Mangabeira na UnB

cartaz mangas

Por Laila Maia Galvão

É com muita satisfação e entusiasmo que anunciamos a presença de Mangabeira Unger na UnB! O evento Pensando o Futuro do País, promovido pelo Brasil e Desenvolvimento, contará com a participação do DCE-UnB e do CADir (Centro Acadêmico de Direito da UnB).

Roberto Mangabeira Unger, professor de Harvard e ex-Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), estará na UnB na próxima sexta-feira, dia 16 de outubro, às 10h00, no Auditório Joaquim Nabuco, na FA – UnB, para discutir o projeto de futuro do país.

Lembrando que no próximo domingo teremos mais um encontro do 1º curso de formação política B&D, às 15h, também na FA. O texto dessa semana é do professor Mangabeira Unger (trechos do livro  -o que a esquerda deve propor-).

Esperamos vocês!

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Mangabeira Unger – estratégias para o desenvolvimento regional

Por Gustavo  Capela

Reproduzo abaixo algo que foi veiculado por nossos colegas do Grupo Juramento em seu blog há alguns meses. Posto aqui para afirmar nossa concordância com as teses desenvolvidas e com o espírito que reina a teoria de Mangabeira. O grupo Juramento e o Grupo Brasil e Desenvolvimento tem muito que se aproximar, assim como os países, Brasil e Argentina. Nossos problemas são parecidos, nossas soluções mais capazes de serem adequadas ao outro. Como disse Armando Barrientos ao B&D, o grupo está no “knowledge business” e, como tal, deve estar atento tanto aos movimentos nesse mesmo sentido dentro do país quanto aos de fora. Nesse fim de semana em que Brasil e Argentina se encontram dentro de campo, a aproximação institucional parece cada vez mais necessária ao desenvolvimento. Só através de vínculos nossa atuação será potencializada.

Seis tesis sobre el presente y futuro regional
Roberto Mangabeira Unger Para LA NACION

1. En América del Sur falta definir y explorar el camino. El Mercosur y la Unión Sudamericana continúan siendo cuerpos sin espíritu. Discutimos sobre comercio y dinero. No hablamos de lo más importante: nuestro proyecto común, nuestra estrategia de desarrollo, nuestro modelo institucional. No hablamos del modelo porque no lo tenemos. No tenemos modelo porque no hablamos del él.

En nuestro continente, prevalecen dos orientaciones. Hay Estados que se quieren revelar pero no saben cómo. Se hunden en un pantano de conflictos y confusión. Y hay naciones bien organizadas que aceptaron las fórmulas institucionales recomendadas por las autoridades políticas, económicas y académicas de los países ricos. Padecen el síndrome del niño que se comporta bien. La Argentina y Brasil intentan escapar de la opción entre confusión y claudicación.
2. No es verdad que el rumbo para avanzar sea combinar el formulario institucional importado y la pseudo-ortodoxia económica con programas sociales -“redes de protección social”- destinados a humanizar lo inevitable. Eso puede tener éxito relativo en países chicos, a costo de aumentar la desigualdad interna y de limitar la independencia nacional. No es una solución para repúblicas grandes y vibrantes como la Argentina y Brasil. No lograríamos ser pedazos de la Europa desilusionada, perdidos en el Atlántico sur, aunque quisiéramos serlo.
3. La esencia de la alternativa necesaria es promover las innovaciones institucionales que necesitamos para democratizar el mercado, capacitar el pueblo y profundizar la democracia. Construir un modelo de desarrollo basado en la ampliación de oportunidades para aprender, trabajar y producir. Y afirmar la primacía de los intereses del trabajo y de la producción sobre los intereses del dinero ocioso. No alcanza con regular el mercado o contrabalancear, con programas sociales, sus desigualdades. Es necesario reorganizar la economía de mercado para dar más acceso a más mercados a más gente de más maneras. Instaurar una forma de educación pública que subordine la asimilación de informaciones al dominio de capacitaciones analíticas. Y formar las instituciones de una democracia por el cambio, de alta energía, que eleve, de manera organizada, la participación popular en la vida republicana, rompa los impasses entre los poderes políticos, aproveche el potencial experimentalista del régimen federal y, con todo eso, garantice que el cambio no necesite de la crisis como partera.
4. Partamos al medio la falsa ortodoxia económica. Reafirmemos la parte indispensable -el realismo fiscal- aunque sea a costa de renunciar al keynesianismo bastardo, que entre nosotros se transformó en populismo irresponsable. Rechacemos la parte dañina: la ilusión de que podemos enriquecernos a costa de vivir de fiado del capital extranjero. Aseguremos el aumento obligado del ahorro nacional público y privado como indispensable escudo de nuestra insubordinación.
5. Este programa tiene base social. Hay en nuestras sociedades una nueva clase media mestiza: millones de personas que vienen de abajo, luchan por abrir pequeños emprendimientos e inauguran la cultura de autoayuda e iniciativa. Ya están en el comando del imaginario popular. La revolución que nos conviene es que el Estado use sus poderes y recursos para permitir a la mayoría seguir el ejemplo de esta vanguardia de batalladores y de emergentes. Es para eso que tenemos que reconstruir nuestras instituciones.
6. Un día, la Argentina y Brasil serán un único país. Cuentan con energía humana ilimitada y recursos naturales casi ilimitados. Lo que aún no consiguieron es unir audacia e imaginación.

Mangabeira Unger fala sobre Brasil e Desenvolvimento no site da uol

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultnot/multi/2009/07/16/04023662E4B17346.jhtm?unger-no-brasil-sobram-partidos-mas-faltam-alternativas-04023662E4B17346=

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O direito à diferença: Homossexual em pauta.

O conceito de desenvolvimento sempre é algo a ser discutido, sendo difícil determinar, a priori, qual seria uma definição apta ao bem-estar de um povo. Do desenvolvimento deve se encarregar o estado, que nada mais é que um ente social encarregado de tomar decisões amplas que afetam todos em seu território e, hoje em dia, também o resto do globo. Vivemos em sociedade mundial,  isso não é segredo. Hoje em dia, tudo que é brasileiro afeta o argentino, o americano, o boliviano, a inglesa. Assim, para além da preocupação com o povo brasileiro, as decisões governamentais de nosso país devem se preocupar com o resto do mundo, com os efeitos, os exemplos, os modelos de vida que apresentamos à sociedade global.

É entendimento de alguns teóricos do desenvolvimento, como o Professor Amartya Sen, vencedor do Prêmio Nobel de economia, o professor de Harvard Mangabeira Unger, o intelectual brasileiro Celso Furtado, dentre outros, que o desenvolvimento deve se pautar por aquilo que é humano, por aquilo que se destina ao homem. Desenvolvimento não é mero crescimento econômico. Desenvolvimento é empoderar, emancipar, aumentar as capacidades do indivíduo para que este possa atingir seus anseios e, ao mesmo tempo, auxiliar o corpo social a se fortalecer para que ele(o corpo social) possa erguer com mais facilidade o indivíduo.  Torna-se imperioso, nesse sentido, abranger a estrutura social, o desenho institucional, de tal forma que o homem, no seu sentido humano, seja contemplado. Essa é uma ideologia antiga.  Ela faz coro à filosofia política do pós guerra, em especial nas vozes de Arendt, Sartre e Habermas.

A esfera social em que são pautados os princípios capazes de empoderar o indivíduo é a política. É lá, por excelência, que encontramos o espaço da pluralidade. O mundo político é o locus onde as diferenças se encontram para disputar, discutir e assentar os interesses. Sem respeito, sem abertura ao plural, não existe espaço político.  E sem esse espaço público diversificado, as regras criadas para delimitar a ação do outro, e impedir que ele restrinja minha liberdade, carecem de legitimidade. Em especial frente a um mundo onde o homem não é definido, não é uno e está repleto de diferenças. Numa democracia, é impensável uma análise que não aceite o diferente, o plural, o outro.

Aceitar o outro em seu sentido mais pleno faz parte de uma política de desenvolvimento mais humana, mais capaz de aderir aos anseios que dizem respeito à existência e às conseqüências das escolhas dos seres humanos. No mundo de hoje, o homossexual sofre de um mal que se alardeou pelo mundo em momentos diferentes da história contra a mulher, o negro, o índio: o preconceito. O preconceito contra o homossexual é a negação de tudo que é peculiar a uma sociedade aberta, democrática e politicamente ativa. Ele nega o direito a uma opção sexual que em nenhum momento afeta a liberdade dos outros. Digo mais, esse preconceito tem efeitos penosos e duradouros não só na pessoa que é afetada por ele, mas também numa sociedade que tem como uma de suas maiores características a pluralidade. O Brasil é um país continental que agrupa pessoas das mais diversas culturas, línguas, costumes. Negar assento a uma parcela da sociedade bem representada, não só no país, como no mundo, é negar o plural como capaz de compartilhar a única coisa que nos une na diferença: os direitos.

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