Notícias da Ocupação do MTST: militantes estão acorrentados no Ministério das Cidades

Por Laila Maia Galvão

O B&D está acompanhando, desde sexta-feira, dia 15 de julho, a ocupação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) em terreno localizado à margem da BR-070. As famílias ocupantes reivindicavam políticas habitacionais efetivas e lutavam em prol direito à moradia, de acordo com a nota publicada pelo Movimento.

Hoje, pela manhã, por volta das 9h da manhã, auditores da AGEFIS (Agência de Fiscalização do DF), acompanhados por policiais militares, e com vários tratores e caminhões, destruíram toda a ocupação, desmontando inclusive a cozinha. Nada sobrou. As famílias tiveram que retirar seus pertences às pressas. Cabe ressaltar que essa operação ocorreu sem o respaldo de autorização judicial!!

Nesse momento, o MTST ocupa o Ministério das Cidades como forma de pressionar o governo para que a demanda de moradia seja devidamente atendida, conforme negociado e acertado anteriormente. Abaixo, segue a nota publicada coordenação nacional do Movimento:

Nota da Coordenação Nacional do MTST

Por quê nos acorrentamos no Ministério das Cidades?


Na última sexta-feira, 15 de julho, 400 famílias organizadas pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) ocuparam uma área em Ceilândia no Distrito Federal, próximo a BR 070, caminho para Águas Lindas – GO.

A ocupação se deveu ao fato do não cumprimento, por parte do Governo do Distrito Federal e do Ministério das Cidades, após dezenas de reuniões, não terem honrado com os acordos estabelecidos em junho de 2010, na qual ambos os órgãos se comprometeram a atender as famílias que ocupavam um terreno na Brazlândia.

Após um ano sem cumprimento do acordo, não restou outra alternativa às famílias, se não organizar esta ocupação na Ceilândia para chamar a atenção das autoridades de Brasília.

Rechaçamos o autoritarismo do Governo do Distrito Federal ao efetuarem o despejo das famílias na última segunda-feira, 18, sem nenhuma negociação prévia e sem autorização judicial.

Rechaçamos também as ameaças em reirar do cadastro do CODHAB as famílias que acamparam por dois dias no Palácio do Buriti, pois esta atitude além de ser autoritário é ilegal.

Diante do exposto, não nos restou outra saída, se não o acorrentamento em frente ao Ministério das Cidades para exigir abertura das negociações e o cumprimento do acordo realizado em 2010 entre o Ministério das Cidades, pela pessoa do então ministro, Sr. Márcio Fortes, o Governo do Distrito Federal e as famílias organizadas pelo MTST.

Coordenação Nacional do MTST

Fonte: http://www.mtst.org/

 

Anúncios

Especulação imobiliária versus direito à moradia no DF

Estima-se que haja mais de 50 mil imóveis vazios no DF. A especulação imobiliária constitui barreira ao direito à moradia. É contra essa situação que o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto luta.

DF tem a menor proporção de moradores donos de suas residências: apenas 59%

Diego Amorim – Correio Braziliense

Publicação: 26/06/2011 09:43 Atualização:

Na cidade onde uma quitinete chega a valer meio milhão de reais, fugir do aluguel é mais difícil do que em qualquer outro lugar do país. O Distrito Federal possui a menor proporção de moradores com imóvel próprio: 59%, contra uma média nacional de 70%, segundo radiografia feita pelo Correio com base em números do Censo 2010, consolidados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O vizinho Goiás aparece em seguida no ranking, com 64%.

Enquanto no DF 30% dos domicílios são alugados, nas outras unidades da Federação a média não passa de 18%. Especialistas elegem como o principal motivo da discrepância a escassez de terras disponíveis para construção, o que distancia a oferta da demanda e serve de justificativa para o mercado cobrar preços salgados. Em áreas nobres, como em condomínios às margens do Lago Paranoá e no futuro Setor Noroeste, o valor do metro quadrado ultrapassa os R$ 10 mil.

Apesar de parecer um contra-senso o fato de Brasília — dona da maior renda per capita do país — ter a menor quantidade de imóveis próprios, os números não surpreendem o mercado. “A disponibilidade de terreno nunca foi suficiente para atender a demanda”, afirma o presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do DF (Ademi-DF), Adalberto Valadão. Se há pouca oferta, a terra fica mais cara e o imóvel, também.

Para o economista e professor das Faculdades Integradas (Upis) Carlos Alberto Reis, é natural que os preços mais altos façam as pessoas optarem pelo aluguel. “A capacidade de investimento para ter a casa própria em Brasília supera a observada nos outros centros urbanos”, reforça ele, que desenvolve um estudo sobre brasilienses que até possuem imóveis em algum lugar do DF, mas preferem pagar aluguel para ficar perto do local de trabalho.

Há sete anos, a técnica em administração Vera Lívia Moreira de Miranda, 53 anos, adquiriu um apartamento na planta, em Águas Claras. Ela e a família, no entanto, vivem como inquilinos na Asa Norte. Alugam o imóvel próprio por R$ 1,2 mil e pagam R$ 2,3 mil onde moram, fora R$ 450 de condomínio. “A vida acaba ficando mais cara, mas hoje em dia é inviável para a classe média comprar um apartamento no Plano Piloto”, comenta.

Funcionalismo
Os servidores públicos que chegam a Brasília também ajudam a explicar as estatísticas. A maioria, apesar dos bons salários, começa morando de aluguel. “Não tem outro jeito: ou aluga ou mora muito longe de tudo”, diz o mineiro Daniel Gontijo, 31, que paga R$ 1 mil por mês para viver em um cômodo de 29 metros quadrados no Sudoeste, a 2,5km do prédio do Ministério Público, onde trabalha. “Com esse valor, alugaria uma casa em qualquer bairro nobre de Uberlândia (MG)”, compara.

Na próxima década, a quantidade de domicílios próprios no DF deve se aproximar da média nacional, na opinião do presidente do Sindicato da Habitação do Distrito Federal (Secovi-DF), Carlos Hiram. Ele acredita que a facilidade de financiamento e a abundância do crédito imobiliário são capazes de compensar a pouca oferta. “Apesar da enorme demanda reprimida, houve uma revolução no mercado nos últimos anos que mexerá nesse cenário”, afirma.

Imóveis vazios
O Secovi-DF não possui estatística oficial sobre quantos imóveis ociosos existem no Distrito Federal. Representantes do mercado, porém, estimam que esse número varie entre 50 mil e 60 mil, o que representaria até 7,7% do total de domicílios mapeados pelo Censo 2010. Havia uma expectativa de que, com a chamada Lei do Inquilinato em vigor — que diminuiu a burocracia no contrato de aluguel, até mesmo sem a obrigatoriedade de fiador em alguns casos —, mais da metade dos imóveis ociosos passaria a ser ocupada. A previsão não se confirmou. Muitos donos de apartamentos no Plano Piloto, por exemplo, ainda preferem contentar-se com a valorização a correrem o risco de amargar prejuízos com inquilinos.

Valorização crescente
O mercado reconhece que, após o boom dos últimos três anos, a margem de crescimento do valor dos imóveis será menor em 2011. No entanto, o presidente da Ademi-DF, Adalberto Valadão, nega estabilização dos preços. “Não existe isso, é conversa fiada. Agora, há uma tendência de crescimento menor, o que em algum momento iria acontecer”, afirma.

A valorização média dos imóveis em 2008 no DF foi de 50%. Apartamentos no Sudoeste protagonizaram casos emblemáticos, com saltos de até 80%. No ano seguinte, a variação atingiu 25% e, em 2010, ficou em torno de 20%. Este ano, a margem mínima já tem alcançado 15%. “Seguramente o percentual deste ano continuará batendo toda e qualquer aplicação financeira”, diz Valadão.

Para o mercado imobiliário, o limite de crescimento em Brasília está longe de ser alcançado. Segundo os especialistas, no Plano Piloto, por exemplo, a escassez de terrenos livres e as limitações impostas pelo tombamento justificam a continuidade do crescimento.

Palavra de especialistas

O que é mais vantajoso: alugar ou comprar?

Comprar
“Do ponto de vista de investimento, é claro que comprar imóvel em Brasília é melhor do que pagar aluguel. Quando se compara a valorização e o que o aluguel traz de rendimento, a constatação é que a compra é a melhor opção.”
Adalberto Valadão, presidente da Ademi-DF

Alugar
“Do ponto de vista econômico, faz sentido pagar aluguel em Brasília. O valor absoluto pode aparentar ser caro, mas ele está baixo. No DF, o aluguel varia entre 0,3% e 0,4% do preço do imóvel, enquanto em outras cidades fica entre 0,7% e 0,9%. Muita gente compra contando com a valorização, mas não faz essas contas.”
Adolfo Sachsida, economista e professor da Universidade Católica de Brasília

Depende
“O aluguel que se paga em Brasília ainda é baixo em relação ao preço do imóvel. Há espaço para crescimento e é o que deve ocorrer daqui para frente. No entanto, ainda há a ideia de que aluguel é dinheiro que vai para o lixo. E morar na casa própria continua sendo o sonho do brasileiro. Cada um deve analisar a situação e chegar a sua própria conclusão.”
Carlos Hiram, presidente do Secovi-DF

Nota do MTST sobre ocupação em Ceilândia–DF

Do site do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto:

Na noite da última sexta feira (15/7) o MTST realizou uma ocupação na cidade de Ceilândia, no Distrito Federal. Em seu início a ocupação, que aconteceu às margens da BR-070, contava com mais de 400 famílias, número que aumenta a cada hora, demonstrando o grande déficit habitacional da cidade e de toda a região da capital federal.

Em todo o DF, o déficit habitacional passa de 100 mil casas! E, se de um lado quem trabalha a vida toda não tem nem onde morar, de outro alguns poucos lucram bastante com a pobreza do povo. O DF é o paraíso da especulação imobiliária e da grilagem de terras!

O MTST luta por moradia em todo o Brasil. Não aceitamos que em um país cada vez mais rico os trabalhadores não tenham sequer moradia digna. Vamos continuar nossa luta contra a especulação imobiliária e o desinteresse dos governos. Viva a luta dos trabalhadores!!

Sagrada Terra Especulada – A luta contra o Setor Noroeste

Lançamento do Filme Sagrada Terra Especulada
Por cmi-brasília 30/11/2010 às 00:58

O documentário Sagrada Terra Especulada – A luta contra o Setor Noroeste, produção do CMI-Brasília está com a estréia confirmada para dia 3 de dezembro, próxima sexta feira.

O local da estréia será a central de vendas do Setor Noroeste, localizada no eixinho L, na 208 Norte. O horário é às 20hs.

Essa é mais uma ação dos moradores e moradoras de Brasília que não aceitam a política de ordenamento urbano feita pelos governos do Distrito Federal, historicamente aliados às construtoras e imobiliárias, nacionais e internacionais, e que alimenta o bolso dos Especuladores, criando na maioria das vezes problemas irreparáveis ao bem estar e a saúde dos moradores da Cidade. Não existe déficit habitacional na faixa de consumidores à qual o projeto Noroeste é voltado.

As obras do Noroeste já estão fazendo um estrago enorme na última área de cerrado nativo do plano piloto. E a situação das comunidades indígenas, que era uma condicionante a ser cumprida antes do início das obras, ainda não foi definida.

Essa é a história do rolo compressor dos Barões do concreto, contra as leis, contra a natureza, contra a cultura ancestral, contra a Vida!

Venha participar desse ato de insubimissão de quem não aceita mais o desrespeito por parte dos Governos e Empresários.

Brasília não precisa do Noroeste!!!

Santuário dos Pajés é patrimônio natural, histórico, cultural e espiritual!

Ayaya!!!

Awiry!!!

Ahooo!!!