A resposta da Islândia à crise “econômica”: a invenção democrática

Por João Telésforo Medeiros Filho

O povo islandês tinha dois caminhos a seguir, diante da forte recessão econômica que atingiu o país: abrir mão de direitos sociais e manter intocada a estrutura econômica da nação (como se tem imposto a países como Grécia, Portugal, Espanha, enfim, ao mundo inteiro); ou proclamar a soberania democrática sobre a economia, a apropriação comum das riquezas produzidas em comum pelo povo, para garantir a todos uma existência digna. Escolheu o segundo, mostrando ao mundo que existe uma alternativa – democrática, inclusiva e transformadora – ao receituário de precarização que costuma se apresentar como o único caminho.

A Islândia nos mostra que a crise econômica é, antes de tudo, uma crise política. Vivemos, no Brasil, em estado permanente de crise, pois somos uma das nações mais desiguais do planeta, enorme parte da nossa população não se apropria de quase nada da riqueza que produz e praticamente não é ouvida na definição dos rumos da nossa economia. A mudança desse cenário de exclusão estrutural, tal como aponta a Islândia, não virá de receituários pré-moldados que reforçam o sistema econômico como mundo separado das necessidades e aspirações sociais, mas da transformação política da economia, da democratização do sistema produtivo e de apropriação de riquezas.

Merece destaque ainda a grande e promissora inovação da forma como a intensa participação popular ocorreu no processo constituinte islandês, conforme apontam Deena Stryker e Daily Kos, no texto “A revolução popular na Islândia”:

“Para escrever a nova constituição, o povo da Islândia elegeu vinte e cinco cidadãos entre 522 adultos que não pertenciam a nenhum partido político, mas recomendados por pelo menos trinta cidadãos. Esse documento não foi obra de um punhado de políticos, mas foi escrito na Internet.

As reuniões dos constituintes foram transmitidas online, e os cidadãos podiam enviar seus comentários e sugestões vendo o documento, que ia tomando forma. A Constituição que eventualmente surgirá desse processo democrático participativo será apresentada ao Parlamento para sua aprovação depois das próximas eleições.”

Para uma visão mais aprofundada da Islândia e dos impactos da crise econômica nela, vale a pena ler um dos melhores trabalhos jornalísticos que já li na vida, de autoria de João Moreira Salles, na revista piauí: http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-28/carta-da-islandia/a-grande-ilusao

A REVOLUÇÃO POPULAR NA ISLÂNDIA.

Deena Stryker

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II Seminário Internacional Latino-Americano: Alternativas de Enfrentamento à Crise

A Auditoria Cidadã da Dívida e o Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM) têm o prazer de convidar para os eventos do III Seminário Internacional Latino-americano “Alternativas de Enfrentamento à Crise”.  Veja aqui o folder do evento.

No dia 5 de outubro de 2011, às 9h, no Auditório da Ordem dos Advogados do Brasil, realizaremos o grande seminário, conforme convite anexo, podendo a inscrição ser enviada para o endereço seminarioauditoriacidada@yahoo.com.br, sem ônus.

Dia 6 de outubro, às 9h, será realizada Audiência Pública conjunta de várias comissões da Câmara dos Deputados (Anexo II, Corredor das Comissões, Plenário 4), para a qual não é necessário inscrição prévia.

Dia 7 será realizado o mini curso “Dívida pública: processos, crise e participação popular” em parceria com a Unb (que requer inscrição específica no endereço https://www.sistemas.unb.br/siex/publico/oferta_extensao_listagem.xhtml ).

Comunicamos que teremos a presença de ilustres personalidades internacionais:

Sofia Sakorafa, Deputada do Parlamento Grego, que virá de Atenas para participar do referido evento. Sofia foi a única parlamentar que teve a coragem de votar contra o acordo da Grécia com o FMI no início do aprofundamento da crise financeira. É uma personalidade de renome internacional; já foi campeã olímpica, recorde mundial em lançamento de dardo, e atualmente é uma das representantes políticas de destaque por sua coerência e lucidez em relação à realização da auditoria da dívida grega e à necessidade de desmascarar a especulação com a dívida soberana dos países europeus.

Eric Toussaint, da Bélgica, Presidente do Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, cientista político, e autor de diversos livros publicados em vários idiomas.

Pedro Paez, do Equador, Presidente da Comissão Técnica Presidencial Equatoriana para o desenho da Nova Arquitetura Financeira Regional e Banco do Sul. Pedro Paez é Ph.D e M.Sc. em Economia pela Universidade do Texas, Mestre em Desenvolvimento e Políticas Públicas pela Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais (FLACSO) e Economista pela Pontifícia Universidade Católica do Equador (PUCE).

Kjetil Abildsnes, da Noruega, assessor econômico da Church Aid, uma organização ecumênica e humanitária em Oslo, Noruega. Kjetil foi um dos principais assessores do Governo da Noruega em sua iniciativa de anular a dívida ilegítima que cinco países tinham com a própria Noruega.

Romulo Torres, do Peru, Coordenador Geral da Rede Latindadd – Rede Latinoamericana sobre Dívida, Desenvolvimento e Direitos, que congrega 17 organizações de 9 países.

Ramiro Chimurris (Uruguai), Daniel Munevar e William Gaviria (Colombia), Angel Furlan, Jorge Marchini e Guillermo Berganza (Argentina), Julie Duchatel e Cecile Lamarque (Bélgica), Waldo Gomez (Bolivia), Konstantinos Bitsanis (Grécia), Jose I. Acunha (Venezuela) e Miriam Ayala (Equador).

Abrilhantarão a mesa dos debates os professores Marcelo Carcanholo e Marcos Arruda, ambos conhecidos da sociedade brasileira por seus relevantes trabalhos.

Bolha imobiliária à espanhola — crise econômica em desenho animado

Por João Telésforo Medeiros Filho

Vale a pena ver o criativo vídeo que explica em desenho animado a bolha imobiliária que está no centro da crise na Espanha. Mais uma excelente dica do blog “Direito, Economia e Sociedade“.

Percebem semelhanças entre o processo que o vídeo mostra e o programa “Minha Casa, Minha Vida”?