Feriado é dia de…manifestar!

Por Edemilson Paraná, do Blog do Paraná

De bobeira ou não, nesse feriado o Brasil precisa de você.  Uma agenda com uma série de atos, eventos e manifestaçãoes está prevista para o dia 7 de Setembro. O objetivo? Reivindicar a independência real do povo brasileiro.

Se você está indignado com a corrupção, não aceita a desigualdade social e se revolta com a injustiça econômica e social que impõe exclusão a um enorme número de brasileiros, chegou a hora. Deligue a TV, tire o traseiro do sofá e participe conosco.

Tem para todos os gostos e lugares. Filmes, manifestações e discussões durante o dia – em Planaltina, Ceilândia, Brazlândia e Plano Piloto.

Abaixo, a programação do “Grito dos excluídos 2011″.

Grito dos(as) Excluidos(as) 2011

“Pela Vida Grita a Terra!
Por Direitos Todos Nós!”

PLANALTINA – 07 de setembro, das 8hs as 12hs

1. Concentração as 7:30hs em frente ao campus do IFB (Dois ônibus sairão buscando
companheiros(as) nos acampamentos Pequeno William – MST, Renascer – MATR e Palmares – MTD).

2. Deslocamento até a rodoviária central de Planaltina – 9 hs ( Marcha pela avenida independência, troca de sementes,
Intervenções da brigada semeadores Teatro do Oprimido, confecções de cartazes e faixas (campanha contra os agrotóxicos,
o campo e a cidade em debate (pela vida grita a terra, por direitos todos nós);

3. 11 hs – Retorno ao ECOA (Espaço de Convivência Agroecológica): Apresentação do Filme “O Veneno está na Mesa”, Almoço coletivo.

CEILÂNDIA – 07 de setembro, das 15hs as 18hs

1. Concentração as 15hs em frente ao hotel San Remy, na entrada 2 do condomnio Sol Nascente (QNP 07/11)

Neste horário haverá atividades culturais e confecções de cartazes.

2. 16:30hs – Caminhada até o balão da Fundação Bradesco, onde ocorrerá o ato do Grito dos(as) Excluídos(as) na Ceilândia.

BRAZLÂNDIA – 07 de setembro, das 8HS AS 12 HS

1. Saída de dois ônibus do acampamento Canaã (MST) as 7:30hs

2. 9 horas – Concentração na Praça do Laço e marcha pela cidade (Confecção de faixas e cartazes, campanha contra
os agrotóxicos e outras pautas referentes as lutas sociais na região…

3. 11 horas – Filme “O veneno está na mesa” Cine clube espaço aberto – mesa de exposição e debate com a comunidad

Organização: Assembléia Popular; MST/DF, MTD, MTST, MATR, CONSULTA POPULAR, LEDOC/UNB, NESCUBA/UNB, COLETIVO LUTA VERMELHA – PSOL/DF, RECID, FORUM BRASILEIRO DE ECONOMIA SOLIDÁRIA, COLETIVO RODAMOINHO, CENTRO ACADÊMICO DE AGROECOLOGIA – IFB, RÁDIO UTOPIA, INTERVOZES, AMIGOS DAS VEREDAS, ASPCEL, CINECLUBE ESPAÇO ABERTO, ARSENAL DO GUETO, PONTO DE CULTURA-CULTURA AVESSA, CULTURA DE CLASSE

Outras atividades:
ESPLANADA- 07 de setembro, das 10hs as 12hs

1. Marcha contra Corrupção.

Concentração as 10hs no Museu Nacional. Vá de preto e proteste.

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Jessé Souza, o MST e as mistificações do jornal O Globo

Por João Telésforo

A resposta do MST a O Globo sobre “por que o povo não sai às ruas contra a corrupção” (e que o jornal não publicou… ver abaixo) lembrou-me do que dizia o sociólogo Jessé Souza em trecho da entrevista ao Diplô Brasil que postei aqui faz alguns meses.  Vale a pena (re)ler os textos de ambos.

"A invisibilidade da desigualdade brasileira" - Jessé Souza.

Por que as lutas contra a desigualdade, nossa maior forma de corrupção, são tão invisíveis?

Jessé Souza, sobre “A balela do patrimonialismo estatal“:

“(…) Que os grandes bancos americanos tenham maquiado o balanço de incontáveis empresas nos últimos anos e até de países como a Grécia para obter lucros fantásticos é uma fraude de proporções planetárias mostrada no mundo todo, mas aqui continuamos repetindo a cantilena da corrupção apenas estatal. É uma tese infantil, falsa e contra todas as evidências empíricas, mas quando todos a repetem ela se torna verdade imposta. (…)

As falsas questões, no entanto, estão sempre no lugar de questões verdadeiras de modo a evitar que essas últimas sejam sequer percebidas e discutidas. Quase 70% do PIB nacional é ganho de capital (lucro e juros). Os pouco mais de 30% restantes são divididos entre nós, meros mortais que vivemos de salários. Nas sociedades europeias, essa relação é inversa. A balela do mercado virtuoso e do Estado corrupto permite que ‘esse escândalo’ – este sim verdadeiro e de alcance universal – jamais seja percebido ou discutido enquanto tal.

Outro ‘escândalo’ real e não fabricado é o Brasil possuir cerca de 1/3 de sua população sem qualquer chance de participar do mercado competitivo ou de defender seus interesses de longo prazo na política e na esfera pública. Esses são escândalos reais que sequer chegam a ser debatidos em eleições como a que acabamos de testemunhar.

Quem determina a ‘pauta’ das eleições não tem qualquer interesse nesses debates reais e que atingem a vida concreta de dezenas de milhões de brasileiros. É essa, a meu ver, a única função verdadeira da tese do ‘patrimonialismo estatal’: construir falsas oposições, como entre mercado virtuoso e Estado corrupto, para ocultar conflitos e contradições reais.”

Seguem abaixo respostas de Marina dos Santos, da Coordenação Nacional do MST. Neste momento, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) acampa no Ministério das Cidades, pelo direito à moradia. Por que será que O Globo não pergunta as razões de não haver milhares de pessoas presentes lá, apoiando a luta do MTST? Por que, ao invés disso, a Rede Globo mostrou em perspectiva criminalizadora a ocupação promovida faz uma semana pelos sem-teto?

Por que a população não sai às ruas contra a corrupção?

19 de julho de 2011

Da Página do MST

O jornal O Globo publicou uma reportagem no domingo para questionar por que os brasileiros não saem às ruas para protestar contra a corrupção.

Para fazer a matéria, os repórteres Jaqueline Falcão e Marcus Vinicius Gomes entrevistaram os organizadores das manifestações de defesa dos direitos dos homossexuais e da legalização da maconha. E a Coordenação Nacional do MST.

A repórter Jaqueline Falcão enviou as perguntas por correio eletrônico, que foram respondidas pela integrante da coordenação do MST, Marina dos Santos, e enviadas na quinta-feira em torno das 18h, dentro do prazo.

A repórter até então interessada não entrou mais em contato. A reportagem saiu só no domingo. E as respostas não foram aproveitadas.

Por que será?

Abaixo, leia as respostas da integrante da Coordenação Nacional do MST, Marina dos Santos, que não saíram em O Globo.

Por que o Brasil não sai às ruas contra a corrupção?

Arrisco uma tentativa de responder essa pergunta ampliando e diversificando o questionamento: por que o Brasil não sai às ruas para as questões políticas que definem os rumos do nosso país? O povo não saiu às ruas para protestar contra as privatizações – privataria – e a corrupção existente no governo FHC. Os casos foram numerosos – tanto é que substituiu-se o Procurador Geral da Republica pela figura do “Engavetador Geral da República”.

Não saiu às ruas quando o governo Lula liberou o plantio de sementes transgênicas, criou facilidades para o comércio de agrotóxicos e deu continuidade a uma política econômica que assegura lucros milionários ao sistema financeiro.

Os que querem que o povo vá as ruas para protestar contra o atual governo federal – ignorando a corrupção que viceja nos ninhos do tucanato – também querem ver o povo nas ruas, praças e campo fazendo política? Estão dispostos a chamar o povo para ir às ruas para exigir Reforma Agrária e Urbana, democratização dos meios de comunicação e a estatização do sistema financeiro?

O povo não é bobo. Não irá às ruas para atender ao chamado de alguns setores das elites porque sabe que a corrupção está entranhada na burguesia brasileira. Basta pedir a apuração e punição dos corruptores do setor privado junto ao estatal para que as vozes que se dizem combater a corrupção diminua, sensivelmente, em quantidade e intensidade.

Por que não vemos indignação contra a corrupção?

Há indignação sim. Mas essa indignação está, praticamente restrita à esfera individual, pessoal, de cada brasileiro. O poderio dos aparatos ideológicos do sistema e as políticas governamentais de cooptação, perseguição e repressão aos movimentos sociais, intensificadas nos governos neoliberais, fragilizaram os setores organizados da sociedade que tinham a capacidade de aglutinar a canalizar para as mobilizações populares as insatisfações que residem na esfera individual.

Esse cenário mudará. E povo voltará a fazer política nas ruas e, inclusive, para combater todas as práticas de corrupção, seja de que governo for. Quando isso ocorrer, alguns que querem ver o povo nas ruas agora assustados usarão seus azedos blogs para exigir que o povo seja tirado das ruas. Continuar lendo

A corrupção de prioridades do governo Dilma Rousseff

Por João Telésforo Medeiros Filho

A querida Presidenta Dilma (querida da grande imprensa, ao menos, neste início de mandato…) está procedendo a corte de 15% no orçamento da CAPES, além de 10% no do Ministério da Educação.

Cortar investimentos em educação, ciência e tecnologia para quê?

A) Gastos crescentes com juros da dívida pública (decorrentes do aumento da taxa SELIC), de modo a aumentar ainda mais a concentração de renda no país
B) Gastos bilionários com a Copa do Mundo, incluindo a construção de estádios que se tornarão “elefantes brancos
C) Construir o trem-bala ligando São Paulo ao Rio de Janeiro (certamente muito mais estratégico para o país do que escolas e universidades)
D) Aumentar os salários dos parlamentares
E) Todas as respostas anteriores estão corretas…

Só nos restam a indignação e a luta.

PS: Não deixe de subscrever o abaixo-assinado pelo reajuste do valor das bolsas de mestrado e doutorado, parte essencial de uma política de valorização da pesquisa e humanização das bolsas: http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=anpg

A balela do patrimonialismo estatal

Por João Telésforo Medeiros Filho

Colo abaixo trecho de uma recente entrevista do sociólogo Jessé Souza na qual ele, com sua lucidez habitual e o tom provocativo que lhe é próprio, desmonta a tese de que a corrupção estatal é o grande problema do Brasil. Não. Jessé insiste: o nosso grande problema é a desigualdade social, a subcidadania (para entender melhor, leia a entrevista na íntegra, no Diplô Brasil).

Quando ele fala de “balela do patrimonialismo estatal”, não está dizendo, óbvio, que não exista (muita) corrupção no Estado ou que não deva ser combatida. A questão é que não é essa a injustiça maior da nossa sociedade, nem a raiz principal das nossas injustiças. É para isso que Jessé quer chamar atenção, para que enxerguemos as injustiças mais profundas da nação, e possamos compreender a corrupção em suas raízes – e não apenas na superfície do senso comum que só enxerga defeitos no Estado, mas sacraliza o mercado.

“(…)

Eu tenho defendido que o conceito-chave para a compreensão da pobreza e da miséria do debate público brasileiro é o tema do “patrimonialismo”. Toda a tradição dominante das ciências sociais brasileiras nasce de Sérgio Buarque. Foi ele, afinal, que tomou o “mito nacional” do brasileiro emotivo e sentimental de Gilberto Freyre e simplesmente, mantendo todos os seus pressupostos duvidosos, inverteu o sinal “político” e interpretou essa herança, ao contrário de Freyre, como nosso “mal” cultural maior.

O interessante é que ser “homem cordial”, o mesmo brasileiro do “jeitinho”, de um DaMatta de hoje, parece se “consolidar” institucionalmente apenas no Estado corrupto. Esse fato, nunca explicado, já que o homem cordial deveria ser inconfiável em todas as esferas, adquire ainda maior seletividade em todos seus continuadores, como Raymundo Faoro, Fernando Henrique, Simon Schwartsman, Roberto DaMatta e, de resto, a imensa maioria da inteligência brasileira.

Por que olhos tão seletivos? Por que a oposição simplista entre mercado virtuoso contra Estado corrupto vai ser o pão de cada dia da imprensa, do debate científico, do debate público e de partidos políticos como o PSDB, que transformou a tese do patrimonialismo em sua bandeira central?

Que a última crise tenha mostrado a falsidade desta oposição simplista não retira sua validade “afetiva”. Afinal, dizer que o mercado é apenas “virtuoso” e o Estado, politiqueiro e corrupto desconhece que praticamente toda a grande corrupção estatal tem sua base no mercado e que o mercado funciona com base em atividades ilegais e imorais sempre que isso for possível e der maior lucro. Que os grandes bancos americanos tenham maquiado o balanço de incontáveis empresas nos últimos anos e até de países como a Grécia para obter lucros fantásticos é uma fraude de proporções planetárias mostrada no mundo todo, mas aqui continuamos repetindo a cantilena da corrupção apenas estatal. É uma tese infantil, falsa e contra todas as evidências empíricas, mas quando todos a repetem ela se torna verdade imposta.

A visão que defende que a corrupção estatal é o grande problema brasileiro e a causa de todos os nossos males cumpre a função principal de defender os interesses mais particulares da sociedade – o interesse dos grandes financistas e empresários – em interpretar a reprodução social sob a forma amesquinhada da reprodução do mercado, travestindo-os de interesses universais. Afinal o combate à corrupção estatal seria do interesse de todos. Quem fala nesse mote gosta de manter uma “pose” de quem critica algo importante. O “charminho pseudocrítico” dessa tese vem precisamente dessa falsa universalização de um interesse particular.

A balela do “patrimonialismo estatal” cumpre ainda outra função manipuladora importante, especialmente em épocas de eleição como agora.

O elogio do mercado virtuoso “convida” o cidadão comum a se identificar afetivamente com ele, afinal ele é percebido como a virtude enquanto tal, contra o mal personalizado no Estado politiqueiro. Assim, o “mal” está sempre longe de nós, em “Brasília”, e o escândalo e a culpa são sempre alheios. Afinal, “deseja-se” acreditar naquilo que nos absolve de qualquer responsabilidade social.

É essa necessidade infantil e irracional o mote do patrimonialismo. Por conta disso, ele é, em grande medida, infenso à análise racional. Ela cumpre a função de satisfazer uma necessidade social fundamental em sociedades conservadoras como a nossa: a de transformar setores sociais egoístas e indiferentes à dor e ao sofrimento alheio em campeões da moralidade e do bem! Por conta disso, os suportes sociais típicos dessa tese falsa e infantil são precisamente as classes médias que exploram o trabalho barato das classes oprimidas e mantêm ainda a boa consciência de quem acredita estar lutando a favor da moral e dos bons costumes.

As falsas questões, no entanto, estão sempre no lugar de questões verdadeiras de modo a evitar que essas últimas sejam sequer percebidas e discutidas. Quase 70% do PIB nacional é ganho de capital (lucro e juros). Os pouco mais de 30% restantes são divididos entre nós, meros mortais que vivemos de salários. Nas sociedades europeias, essa relação é inversa. A balela do mercado virtuoso e do Estado corrupto permite que “esse escândalo” – este sim verdadeiro e de alcance universal – jamais seja percebido ou discutido enquanto tal.

Outro “escândalo” real e não fabricado é o Brasil possuir cerca de 1/3 de sua população sem qualquer chance de participar do mercado competitivo ou de defender seus interesses de longo prazo na política e na esfera pública. Esses são escândalos reais que sequer chegam a ser debatidos em eleições como a que acabamos de testemunhar.

Quem determina a “pauta” das eleições não tem qualquer interesse nesses debates reais e que atingem a vida concreta de dezenas de milhões de brasileiros. É essa, a meu ver, a única função verdadeira da tese do “patrimonialismo estatal”: construir falsas oposições, como entre mercado virtuoso e Estado corrupto, para ocultar conflitos e contradições reais.

Por conta disso, somos uma sociedade mesquinha que se imagina singularmente generosa. Daí vem o conservadorismo político de nossas classes médias tradicionais. Esperemos dados mais confiáveis do recente pleito para podermos analisar também o comportamento da “nova classe trabalhadora” que se quer ver como “nova classe média”. O futuro não só econômico, mas também político do Brasil contemporâneo depende da inclinação dessa nova classe dinâmica e cada vez mais numerosa.”