Tome Partido e… dance com gente!

Amanhã, quarta-feira (3), é dia de tomar partido e… curtir com a gente!
Dia de celebrar a coragem daqueles que ousam acreditar e lutar pelo amanhã que vem! Faremos, à partir das 20h, um ato-festa (ou “Festa da Diferença“) no Balaio Café (201N) para celebrar a entrada do B&D no PSOL.

Leia também: B&D: Tomando Partido (nota com razões da filiação)

E aproveitando a presença de tanta gente bonita e engajada, esbanjando charme e alegria, aproveitaremos para fazer política do jeito que a gente mais gosta: baladeando!
É que quarta-feira é dia de Toranja no Balaio! Então além do bom papo e das falas inspiradoras, a boa música tá garantida!

Além de vossas lindezas lutadores e lutadoras cotidianos desse DF, amigos e amigas desse povo, entre os convidados (confirmadíssimos!) estão os deputados federais pelo PSOL Jean Willys (RJ), Chico Alencar (RJ) e Ivan Valente (SP) e, é claro, a ex-deputada federal Maninha e o candidato ao governo do DF em 2010 Toninho.

As confirmações de presença podem ser feitas aqui (chame os amigos!).

Abaixo, nossa campanha Tome Partido em foto e vídeo. Ainda não viu? Então veja, tome partido com a gente e passe adiante.

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B&D: tomando partido

Tome Partido

Veja nossa campanha aqui
Assista o vídeo da campanha aqui

Festeje conosco essa luta aqui

O B&D, como qualquer grupo político que vive, que pulsa, define-se a partir de disputas. E disputas que se verificam na realidade. Na realidade das instituições e, principalmente, na realidade das lutas fora dela.

O B&D, por isso, é um grupo que, desde sua gênese, não tem medo de ser taxado pelo que faz. O B&D é um grupo mais preocupado com aquilo que deixa de fazer. Num momento histórico onde a apatia é regra e onde a politica é mais tida como politicagem do que como uma disputa por rumos e projetos de sociedade, portanto, não fazer algo é se dar por derrotado, é deixar as coisas como estão, é, acima de tudo, conservar. O B&D, nesse contexto, não tem o luxo de não se posicionar.

Ao longo dos anos, evoluímos muito enquanto organização política, mas mais ainda enquanto coletivo de pessoas. Começamos como um grupo de estudantes que queria “pensar” os problemas do Brasil, colhemos reconhecimento por meio de nossas intervenções criativas e hoje nos entendemos parte de um processo de mudança que já pulsa internacionalmente. Demorou, mas hoje, o B&D é um grupo, acima de tudo, militante.

Afinal, somos um grupo que acredita em revolução. Revolução enquanto processo diário e constante. Revolução que precisa de construções alternativas e contra-hegemônicas. Revolução que não foi escrita nem descrita em qualquer livro, mas que exige de nós, enquanto militantes, conhecimento da história e das ferramentas teóricas que nos são apresentadas. Certo ou errado, nossas escolhas se pautam pela conexão com a teoria que se aprende na prática e pela prática capaz de inovar e renovar a teoria.

Tendo tudo isso em vista, para nós, a disputa partidária acontece dentro de um contexto mais geral de disputa social. Ela simboliza avanços ou retrocessos, já que, por vezes, dá primazia a alguns setores em detrimento de outros. Entendemos e reconhecemos, pois, que algumas alianças táticas são necessárias (quiçá indispensáveis) para alguns avanços, mas também condenamos e rechaçamos alianças que comprometam a estratégia geral de um novo projeto de sociedade.

Entendemos, assim: 1) que o financiamento anda junto com o projeto de sociedade defendido. Alianças para financiamento de campanha com empreiteiras, por exemplo, reforçam o setor privilegiado, dando a ele, nos momentos de tensionamento, a caneta decisória; 2) que alianças que beneficiam o agronegócio em esfera municipal, estadual e federal, em detrimento das lutas do campo, são contraditórias com um projeto alternativo de sociedade; 3) que o avanço econômico atual se dá dentro de um modelo desenvolvimentista e já delineado pelas democracias europeias e estadunidense no passado e, portanto, não modelam diferentemente, apenas seguem a trajetória imposta pelo capital, pela rota do dinheiro; 4) que os projetos sociais atuais não disputam politicamente a classe emergente, construindo verdadeiros mercados de consumo novos, na linha do que é desejável a um mundo em crise, mas sem a preocupação em formar questionadores do status quo e do modelo de sociedade. Nossas escolas públicas continuam jogadas ao lixo enquanto estádios de futebol são erguidos à base da precarização do trabalho. Isso não é, para nós, avanço social, pois o avanço que defendemos não se dá por aumento da renda, única e exclusivamente; 5) que o conservadorismo vem ganhando o debate público, pautando suas questões e impedindo avanços nas questões historicamente postas pelos movimentos sociais. Não discutimos, enquanto sociedade, questões básicas como aborto e fomos “resgatados” por uma agenda liberal no que diz respeito ao casamento homossexual; 6) que nossas instituições são incapazes de realmente inovar, dando espaço cada vez mais amplo à burocratização e à tecnocracia, em vez de dar voz à criatividade daqueles que não foram doutrinados pela maneira “única” de se portar: os outsiders.

Por fim, entendemos que um símbolo de criatividade e inovação, de questionamento e de indignação, tem, mesmo que em baixo grau e em pouca intensidade, se fortalecido. Clamando por novos adeptos, reforçando a necessidade de articulação regional e internacional para uma verdadeira reviravolta.

Não seria justo, pois, deixarmos essa construção acontecer sem nos engajarmos nela. Não seria correto enxergarmos de longe mais essa luta,  mais essa disputa, sem nos posicionarmos. Não seria revolucionário olharmos de longe e bradar apoios sem nos inserirmos de cara. Não tomar partido não seria, afinal, B&D. Porque para nós, uma organização política morre quando ela deixa de desejar, em seu núcleo de atuação, uma transformação real da sociedade.

Por todo o exposto, comunicamos o que, principalmente para quem luta conosco todos os dias, já parecia claro: O B&D decide, a partir de hoje, ser um grupo que constrói e organicamente disputa o PSOL. Não só o PSOL-DF, mas todo o projeto de sociedade que esse Partido representa. Brasil afora.

É na convicção de que todo passo é uma escolha política necessária, que assim decidimos. E é na honestidade de quem quer concretizar sonhos, ou de morrer tentando, que nos engajamos.

Conquista e luta. Os primeiros dias das famílias do MTST pós-desocupação

Para quem pensou que a situação das mais de 400 famílias sem-teto que ocuparam por dois meses um prédio abandonado no centro de Taguatinga estaria resolvida com o acordo firmado entre o movimento e o GDF (Governo do Distrito Federal), há 10 dias, dois acontecimentos vieram para demonstrar, mais uma vez, a dura realidade desses trabalhadores: não há conquista sem luta.

Lembremos, antes de entrar aos relatos, que, nos termos do acordo, nenhuma moradia foi garantida às famílias além de auxílio-aluguel e a promessa de inclusão no programa habitacional Morar Bem, do GDF.

Pois bem, tendo seguido todas as instruções e procedimentos do governo para o recebimento dos auxílios acordados há 10 dias, as famílias do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) deram hoje com a cara na porta no BRB (Banco de Brasília), que se negou a fazer o pagamento alegando não ter recebido a lista de nomes dos beneficiários por parte do GDF. A maior parte das famílias já fechou contrato de aluguel contando com o dinheiro e corria risco de voltar para rua caso não recebesse o pagamento do auxílio.

Com a justa revolta de quem se acostumou a apanhar e esperar por acordos corriqueiramente rompidos, as famílias protestaram em frente a Sedest (Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda) para que a situação fosse resolvida com a urgência necessária. Com pneus e outros materiais, bloquearam a via em frente ao prédio (Eixinho Norte). Leia mais sobre o protesto aqui.

Após quase uma hora de interrupção do trânsito – que gerou lentidão e confusão nas proximidades, uma solução para o problema (que o BRB dizia ser de responsabilidade do GDF e o GDF dizia ser de responsabilidade do BRB) foi finalmente encontrada; parte das famílias receberam o auxílio hoje e outra parte receberá amanhã.

Truculência da Polícia na desocupação

No último sábado (02), dia da desocupação do prédio em Taguatinga, um triste precedente reacenderia as desconfianças das famílias perante o poder público, culminando nas manifestações do dia de hoje.

Após deixarem o prédio por volta das 19h, as famílias marcharam em ato político e celebração da luta que havia forçado o acordo por parte do governo, do centro de Taguatinga – onde ficava o acampamento – até a Praça do Relógio, conhecido ponto de encontro da cidade. Durante o trajeto, as mulheres, crianças e homens sem-teto que participavam da marcha foram duramente reprimidos ou “dipersados” (na linguagem policial) com cacetes e spray de pimenta. Acima, algumas imagens da ação policial. Abaixo, o relato da advogada do movimento e integrante do B&D, Érika Medeiros, que acompanhou a ação.

O recado do MTST – de que segue organizado e disposto a lutar por seus direitos constitucionais foi duramente respondido pela PM que, pela truculência e excessos, demonstrou estar disposta a qualquer coisa para manter a ordem injusta e desigual vigente no Distrito Federal. Luta que segue!

Relato de Érika Medeiros, advogada do MTST e integrante do grupo Brasil e Desenvolvimento.

Depois de 57 dias de ocupação pacífica, o Mtst Trabalhadores Sem Teto , cumprindo o compromisso firmado no acordo com o GDF, desocupou hoje o Novo Pinheirinho. Como forma de agradecer à Taguatinga pela acolhida, as famílias saíram em marcha da ocupação para a praça do relógio. 

A marcha seguia em ritmo tranquilo e de paz e quando estava a menos de 10 minutos do destino, a Polícia protagonizou umepisódio de truculência lamentável. Diversas viaturas começaram a acompanhar a marcha, que seguia tranquila. Em seguida, ligaram as sirenes, e a marcha continuava tranquila. Na sequência, PMs e tropa de choque cercaram as famílias, que seguiam já bastante assustadas, porém, pacificamente. 

Eis que alguns policiais partem para cima de diversas pessoas, jogando spray de pimenta nos rostos de crianças, mulheres e homens! Uma dúzia de crianças passou muito tempo com os olhos vermelhos e lacrimejando! Uma senhora grávida também! Uma outra senhora foi tentar ajudar um homem em apuros e levou um tapa no rosto de um policial!!!!

Quando eu fui socorrer um militante, estava prestes a receber spray, e aí levantei a carteira da OAB, que fez o Policial conter a ação iminente. É óbvio que eu não queria ter recebido a violência, mas é com extremo pesar que verifiquei na pele o que é a diferença de abordagem e tratamento. Se fosse uma marcha de advogados e advogadas, teria a Polícia sido tão truculenta? Me pareceu que não. 

Todo repúdio à atuação desnecessariamente violenta do Estado que deveria proteger, e agride! Ao Estado que deveria garantir o direito à moradia, e não garante. Que deveria garantir a dignidade, e não garante. Mas que garantiu que crianças fossem agredidas!!! Elas, que são nosso futuro, que deveriam ter prioridade absoluta nas políticas públicas e marchavam hoje porque não o têm!!!

Todo o apoio, solidariedade e gratidão às famílias do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, que me ensinaram muito, que me formam, que lutam incansavelmente por uma sociedade mais justa e igual!!!

MTST fecha acordo com o GDF a respeito da ocupação Novo Pinheirinho (DF)

O MTST nos informa que acaba nesse momento a reunião de negociação – que durou quase o dia todo – com o GDF. Um acordo foi fechado. Por meio dele o movimento conquistou:

1 – Cadastramento do MTST como entidade apta a operar projetos e cadastro de famílias no Programa habitacional Morar Bem, do GDF – que acaba de ser realizado.

2 – Auxilio-aluguel emergencial de três meses para as famílias que ocupam a área.

3 – Encaminhamento de projeto de lei pra Câmara Legislativa do Distrito Federal estendendo o auxílio-aluguel eventual para o prazo de um ano.

4 – Garantia de que o movimento não precisará deixar o prédio ocupado em Taguatinga até que esse projeto de lei seja devidamente encaminhado à CL-DF.

5 – Garantia de encaminhamento das famílias para albergues caso o projeto de lei não seja aprovado após decorrido os três meses de auxílio-aluguel emergencial.

O GDF se comprometeu ainda a investigar denúncias de abuso policial cometidas contra o movimento.

O acordo não apresenta solução definitiva para o problema da famílias que é a construção de moradias pelas quais lutamos. Sabemos que as medidas são insuficientes e que só foram conquistadas porque ousamos, nesses 47 dias de ocupação, enfrentar o poder do Estado. Seguiremos organizados, lutando por conquistas definitivas e para que mais e mais famílias tenham seu direito à moradia garantido no DF, porque quando morar é um privilégio, ocupar é um direito.