(Feliz dia das mães) Maternidade como escolha

Por Laila Maia Galvão

Participei, recentemente, de uma cerimônia de colação de grau em que uma estudante fez o discurso de homenagem aos pais. O tom do discurso era de agradecimento. A forma pela qual a aluna dizia obrigada parecia focar o grande peso que é assumir a responsabilidade de ser mãe: falou-se em “sacrifício” e em “abrir mão” da juventude, da liberdade e dos sonhos para assumir a tarefa de ser mãe e viver única e exclusivamente em função de outro ser humano.

De outro lado, há por aí um discurso comum que enxerga a maternidade como algo divino, em que a mãe se torna uma espécie de Virgem Maria, um ser sagrado, intocável, que não comete erros.  Não é por outro motivo que a questão da depressão pós-parto ainda é um tabu em nossa sociedade, sendo a mulher que passa por isso considerada uma aberração por ser incapaz de assumir com serenidade a sagrada missão de ser mãe.

O discurso da “mãe santa” é o outro lado da moeda do discurso do “sacrifício”. As ideias que vinculam a maternidade a um trabalho hercúleo e penoso ou então a uma experiência divina e redentora tratam a maternidade como essa enorme carga que a mulher deve carregar por conta própria. Continuar lendo

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