Quem anda pra trás é caranguejo: frente ao retrocesso, um voto contra Aécio Neves

As eleições de 2014 demonstraram um gigantesco avanço do conservadorismo e do fundamentalismo nas instituições representativas. Se o horário eleitoral parecia uma disputa sobre quem conseguiria atacar mais os direitos LGBTs através da defesa vazia de um projeto de família os resultados apontam para uma realidade em que a violação aos direitos humanos e o punitivismo – junto ao investimento dos setores do poder econômico – ainda são o que ganha voto.

Esse fortalecimento dos segmentos mais atrasados da política brasileira é um processo amplo e complexo que precisa ser avaliado com cautela e duramente combatido. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) temos eleito agora o Congresso mais conservador desde 1964. Sim, 1964! Cresceu a bancada fundamentalista, que é fiel escudeira da bancada ruralista, ambas impulsionadas pelo que chamam agora de “bancada da bala”, conformada pela lógica da militarização da vida, pelos senhores da punição, da redução da maioridade penal, da criminalização dos movimentos sociais, da manutenção da política de genocídio da juventude negra.

O processo de ascenso das forças conservadoras está umbilicalmente aliado as concessões promovidas pelos últimos anos de governabilidade petista como também pela forma de atuação de sua oposição de direita, berço do patrimonialismo e do coronelismo no Brasil. Através de um programa reacionário, a direita apresentou uma alternativa muito concreta para a população, tendo sido legitimada e apoiada tanto pelo projeto de poder petista quanto por Marina e Aécio. As principais lideranças conservadoras foram eleitas na base aliada da atual gestão e o fato é que Dilma e o PT correm o risco de serem derrotados pelas concessões e pelos setores que ajudaram a fortalecer na política brasileira. Foi neste contexto que o PSOL apresentou a candidatura de Luciana Genro que aproveitou muito bem esta disputa para denunciar os limites do debate presidencial e da própria lógica do sistema político, apresentando uma nova alternativa de esquerda para o Brasil.

Neste cenário dramático no segundo turno, em que disputam a eleição dois projetos políticos limitados a lógica do mercado, do latifúndio, das alianças e do fundamentalismo, sabemos que ocorrerá pouco debate real de ideias. O que veremos é muita retórica e demagogia, o poder da mídia corporativa e o impacto das grandes estratégias de comunicação.

Mas o que fazer? O desafio deste segundo turno é derrotar um projeto social mais conservador, aliado aos fundamentalistas religiosos e àqueles que querem criminalizar a juventude. Com os dados assustadores apontando a eleição de setores de ultradireita no congresso nacional e nas assembleias legislativas temos a missão de derrotar Aécio Neves do PSDB e seu campo político que representa no âmbito do segundo turno a consolidação de um projeto de poder reacionário, cujo foco de atuação é a ameaça à cidadania dos setores sociais historicamente excluídos da agenda política institucional. Isto não significa que o projeto apresentado por Dilma e Michel Temer seja alternativa voltada ao avanço real do país – mas que a candidatura tucana representa um real retrocesso.

Nós fizemos muito barulho através de uma candidatura negra, gay e intersecional, que pautou o enfrentamento à lógica fundamentalista que insiste em se fortalecer e obtivemos mais de 6200 votos em uma dinâmica de campanha inovadora, sem dinheiro de empresa, construída de forma colaborativa e coerente. Nos pautamos pelo debate aberto e pela necessidade de se tomar lado, por isso o resultado da nossa votação nos traz esperança, pois demonstra que há muito espaço para a novidade, para os direitos humanos e para a resistência.

Nesta eleição daremos um voto crítico e sem entusiasmo na candidatura de Dilma, com o objetivo de enfrentar o retrocesso econômico, político e social que pode representar uma vitória tucana. Mas o que a conjuntura nos mostra é que, acima de tudo, precisamos seguir firmes na defesa das nossas pautas, sem medo de fazer barulho, de incomodar a zona de conforto de qualquer que seja o Governo.

Não esperamos nenhuma mudança estrutural vinda das casas de representação política, por isso a nossa aposta é a rua, o espaço público como meio para a disputa real de ideias rumo às transformações que nosso país necessita.

Movimento “O barulho dessa cidade é a nossa voz!”

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