A banalidade do mal no “time do bem”

No ano passado, um oficial da PMDF foi filmado em uma manifestação jogando spray de pimenta indiscriminadamente em manifestantes pacíficos. Ao ser perguntado de forma educada pelos manifestantes por que teria feito aquilo, respondeu prontamente “porque quis”, estampando um sorriso despreocupado no rosto. As imagens ganharam repercussão nacional e indignaram a população em mais esse caso de abuso e violência policial.

O fato revelou a completa falta de controle sobre a atividade policial, que parece ter poder para realmente fazer o que quer contra manifestantes, mas também contra todos os setores que enfrentam a hegemonia branca e racista, heterossexual, cis e homofóbica, burguesa e conservadora. Não é atoa que, além de manifestantes, são também os pobres e negros, os homossexuais, travestis e prostitutas, os que mais sofrem com a desmedida violência policial todos os dias nas nossas cidades.

Capital viva-3Hoje, esse oficial que “faz o que quer” em sua função pública se apresenta como candidato a deputado distrital e o slogan, estampado em seus panfletos e adesivos de carro é nada menos que seu mal-afamado bordão,‪#‎porquequis‬. Se ele faz o que quer como servidor público, como policial, o que fará como Deputado?

A cada 100 candidatos a deputado distrital nas eleições atuais, pelo menos oito são ligados à segurança pública. Até aí, nenhum mal. Policiais devem ter direitos políticos como qualquer cidadão. Defendo inclusive a ampliação de seus direitos, com a desmilitarização da polícia, para que lhes seja garantido o direito de greve, o que hoje, no modelo militarizado, é proibido. Minha preocupação não é com o fato de cidadãos ligados à segurança pública apresentarem suas candidaturas. O problema mesmo é o que defendem e como defendem.

São eles os responsáveis pelo discurso militarizado que contrapõe a polícia à sociedade. Sob a desculpa de combater bandidos, o que fazem é fortalecer o caráter militar do Estado contra a população. Esses setores atrasados das corporações policiais não apresentam soluções efetivas para o verdadeiro problema da violência. Sob argumento de combater o crime, aumentam os casos de violência policial e o encarceramento em massa da juventude, que já tem hoje o maior índice proporcional de internos no sistema socioeducativo.

Não podemos naturalizar e banalizar esse discurso da violência do Estado contra a população. Devemos rejeitar o “fiz porque quis”, pois ele representa o oposto do que queremos de qualquer servidor público, mas especialmente das autoridades policiais, que devem fazer apenas o que é permitido pela regulamentação, seguindo os princípios de Direitos Humanos na relação de cooperação com a população. É especialmente lamentável que pessoas que defendem os direitos humanos e os movimentos sociais estejam aliadas a esses setores reacionários e possam, com suas candidaturas, ajudar a elegê-los.

Tenho orgulho de fazer parte de uma campanha do Fábio Felix, que tem compromisso irrestrito com os direitos humanos, repudia a violência e o abuso de autoridade policial e se compromete a fiscalizar a atividade policial no DF. Votando nessa candidatura, você pode ter certeza de que não elegerá nenhum desses militares irresponsáveis, pois o Psol é um partido que tem a defesa dos direitos humanos como um princípio fundamental e não vende direitos em troca de votos.

Vamos enfrentar essa mentalidade punitivista e irresponsável de segurança pública e defender um modelo de segurança que seja realmente pública e defenda os direitos humanos! Basta de desrespeito das nossas leis: segurança pública é direito nosso, e dever do Estado e seus agentes.

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