A solidariedade contra a intimidação

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Na madrugada de domingo foram libertados os militantes que ainda restavam presos por terem participado da manifestação do Grito dos Excluídos que parou Brasília em plena véspera da festa oficial de sete de setembro.

Na manhã de sexta-feira diversos movimentos sociais organizados na construção do Grito dos Excluídos pararam o Distrito Federal, interrompendo o trânsito de cinco vias de grande circulação da região. A intenção era reivindicar direitos básicos, como moradia e transporte público, gratuito e de qualidade, bem como criticar as prioridades do Governo Agnelo, como a construção do Estádio bilionário. O método evidenciou a segregação espacial que sofre Brasília, em que, nas áreas centrais, onde vive uma minoria privilegiada da população, se concentram a maioria dos postos de trabalho e renda do DF.

Durante as manifestações seis militantes foram detidos e presos em flagrante por dano ao patrimônio (ao asfalto) – a marca dos pneus queimados no chão. Apesar da prisão ter sido em flagrante, o delegado demorou horas para encontrar argumentos para expedir o auto de prisão. Além disso, foi definido o valor de 2 mil reais para a fiança, valor evidentemente inviável para a maioria dos militantes presos. Mesmo depois que conseguimos recursos para pagar a fiança, ainda foi preciso esperar horas para a soltura dos nossos companheiros. Foram mais de 40 horas de agonia para os militantes que foram presos, que sentiram na pele a injustiça e a seletividade do nosso sistema. Foram horas de dedicação integral de dezenas de outros militantes, que enfrentaram policiais, delegados, juízes, o cansaço e a raiva na defesa dos nossos companheiros.

No dia seguinte centenas de pessoas foram às ruas e enfrentaram tanques, viaturas da polícia, cavalaria, cães, sentiram o gosto do gás lacrimogêneo e do spray de pimenta. Mais dezenas de militantes foram detidos sem nenhum motivo e liberados somente após o fim das manifestações. O Governo do Distrito Federal se utiliza das forças policiais e de suas relações políticas com o Judiciário para perseguir os movimentos sociais organizados, numa tentativa de amedrontar e tirar o povo das ruas.

Estamos nas ruas e delas não vamos sair! Para enfrentar a tentativa de intimidação do Governo, responderemos com a radicalidade da nossa solidariedade com os nossos companheiros militantes. Responderemos com a garantia de que nenhum militante ficará sozinho. Responderemos com a garantia de que nenhuma violência policial ficará sem resposta. Trabalharemos incansavelmente para que, ao contrário do que quer o governo, as ruas sejam tomadas por cidadãos reivindicando seus direitos e avanços para a sociedade.

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