B&D convida: Grupo de Estudos Anticapitalistas

Afinal, somos um grupo que acredita em revolução. Revolução enquanto processo diário e constante. Revolução que precisa de construções alternativas e contra-hegemônicas. Revolução que não foi escrita nem descrita em qualquer livro, mas que exige de nós, enquanto militantes, conhecimento da história e das ferramentas teóricas que nos são apresentadas. Certo ou errado, nossas escolhas se pautam pela conexão com a teoria que se aprende na prática e pela prática capaz de inovar e renovar a teoria.

(“B&D: Tomando Partido“, março de 2013)

Nós, militantes, precisamos estudar teoria? Pra quê?

Não é pra que saibamos usar autores chiques como adorno às nossas falas, apenas pra que fiquem mais “bonitas” ou… incompreensíveis.

Também não é pra descobrir receitas prontas ou fórmulas universais sobre como mudar o mundo. Quem quiser algum livro sagrado com dogmas deve procurar, talvez, uma Igreja, e não uma teoria, muito menos um pensamento revolucionário.

Então… Pra quê?

Me diz aí, você que sonha com “um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres” (Rosa Luxemburgo), como a gente… Como é que constrói isso aí, que a gente chama de socialismo?

Só por meio da militância diária nas lutas anticapitalistas e de combate às opressões, do engajamento coletivo no processo social de criatividade de novas práticas e estruturas, é que vamos ser capazes de fazer isso.

Ok, sabemos disso, concordamos. Mas, então, me diz aí, já que você falou de “lutas anticapitalistas”. Que danado é esse tal de capitalismo, hein? Porque, afinal, se queremos combatê-lo e superá-lo, é legal pensar se estamos fazendo isso mesmo ou não, né? Então, parece interessante saber que negócio é esse.

Cada um(a) de nós tem várias intuições sobre isso, claro, a partir de experiências, leituras, conversas. São válidas e úteis. Mas, não dá vontade de pensar e discutir isso mais a fundo? Quais são as principais características do capitalismo? Como ele se formou historicamente e se transformou? De que maneira está relacionado às estruturas sociais racistas, machistas e heteronormativas, ao genocídio contra os povos indígenas e africanos, à dominação das mulheres, ao fundamentalismo religioso, à corrupção, à destruição ambiental e às guerras? Como as classes sociais estão estruturadas na América Latina e no Brasil hoje?

Essas e outras perguntas têm enorme valor prático, e as respostas não são simples. Exigem reflexão, pesquisa. Claro que a investigação e compreensão da realidade também se faz no dia a dia da militância, em diversos níveis. Porém, o estudo teórico propriamente dito (se é que faz algum sentido essa separação prática-teoria, taí outra questão) pode e deve ser também, justamente por isso, uma dimensão da prática militante: uma das formas de investigar a realidade, interpretá-la, compreendê-la para transformá-la, é estudar o que uma galera já andou escrevendo sobre isso aí.

Uma galera tipo o Karl. Karlinhos, o Marx. Um cara que teve umas sacadas interessantes, extremamente atuais (algumas delas com o Fred, brother dele). Até George Soros, mega investidor, bilionário, diz que Marx é fundamental pra entender o mundo de hoje. E você taí com a cabeça fechada pro nosso camarada Karl? Não tô dizendo pra você concordar com tudo o que o rapaz falou. Sabe qual era o lema de vida dele? “Duvidar de tudo”. Sabe uma das definições que ele deu ao comunismo? “A crítica radical de tudo o que existe”. Então, nesse espírito, certamente Marx se reviraria no túmulo se você adotasse postura reverencial, acrítica diante dele. Não, o Karl deve ser lido como se lê a um(a) amigo(a), um(a) colega, e, em especial, um(a) companheiro(a) de militância. Com postura de reflexão, crítica, e pensando o que ele e vários/as outros/as podem oferecer como ponto de partida pra que elaboremos nosso próprio pensamento, a partir das circunstâncias e desafios atuais da mudança concreta do mundo. E, olha, o cara ainda contribui muito, viu. #ficaadica

Formaremos um “grupo de estudos anticapitalistas”, então, com o objetivo de compreender o capitalismo mais a fundo. Porém, mais do que isso: também pra pesquisar e pensar experiências e concepções de sua superação. Outras pessoas antes de nós enfrentaram o desafio de construir estratégias e lutas anticapitalistas, outras estão enfrentando isso agorinha mesmo, e muita gente escreveu ou tá escrevendo sobre isso, a partir dos problemas que enfrentavam ou enfrentam e das saídas que julgavam ou julgam adequadas. A gente pode tentar bolar a nossa estratégia e desenvolver as nossas iniciativas sem considerar todo esse acúmulo histórico – seja o de dois séculos ou de um ano atrás. Mas, não faz mais sentido levar isso em conta? Não pode ser uma boa fonte de compreensão, reflexão, inspiração?

Nosso grupo terá dois grandes objetivos, então: (i) estudar teorias sobre o capitalismo e possibilidades de sua superação, valorizando em especial as teorias elaboradas como parte da militância revolucionária, tal como na tradição do marxismo; (ii) estimular a nossa produção e discutir textos de nossa própria autoria sobre essas questões.

Quer participar? Chega aí! Algumas informações úteis: (i) as reuniões serão quinzenais, normalmente aos sábados à tarde (15h); (ii) haverá indicação de textos para cada reunião, de tamanho não muito longo (cerca de 30 páginas, no máximo 40 ou 50), para que possamos ter o compromisso de lê-los e aprofundar o debate sobre os pontos trazidos neles; (iii) o grupo é impulsionado pelo B&D, mas aberto a outras pessoas, que poderão participar igualmente da definição da agenda de leituras, discussões, etc.

A primeira reunião será no dia 25 de maio, e o texto-base será a parte do Capital, de Marx, sobre “a chamada acumulação original” do capital. Umas vinte páginas de pura emoção sobre a formação histórica do capitalismo, que você pode acessar a partir daqui: http://www.marxists.org/portugues/marx/1867/capital/cap24/index.htm
.
Alguns dos principais estudiosos contemporâneos do capitalismo, como David Harvey, enfatizam a importância da compreensão da “acumulação original” (ou “primitiva”) para pensar também o mundo de hoje.
.

Para participar do grupo de estudos, envie um e-mail para brasiledesenvolvimento@gmail.com inscrevendo-se e confirmando que comparecerá no dia 25, ou justificando a ausência.

Uma resposta em “B&D convida: Grupo de Estudos Anticapitalistas

  1. “Que danado é esse tal de capitalismo, hein? Porque, afinal, se queremos combatê-lo e superá-lo, é legal pensar se estamos fazendo isso mesmo ou não, né? Então, parece interessante saber que negócio é esse.”

    Não ajudaria ler textos escritos por capitalistas? Ou textos clássicos do capitalismo (que fundamentam aquilo que Marx criticou)?
    (ou não pode? tem de ler só o que corrobora a visão de mundo?)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s