Nota de Apoio dos Professores da UnB ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)

A especulação imobiliária, um Plano de ocupação territorial e uma política habitacional para poucos tem sido marca registrada do Distrito Federal nas últimas décadas. A indisponibilidade de moradia para a maioria da população representa um projeto que tem sido repetidamente reforçado. A Universidade não está alheia a essa lógica, assim como não está fora da Cidade, nem do Distrito Federal. A realidade distrital, portanto, também é nossa. Reconhecendo que: 1) todo conhecimento advém de nossas lentes cotidianas; 2) nossa realidade sempre afeta a forma como conhecemos o mundo; e 3) a educação pública, para deixar de ser exclusivista e passar a ser popular, necessita de uma pletora de serviços públicos e sociais hoje impossibilitados por nossos governantes, apoiamos o Movimento dos Trabalhadores sem Teto. Os trabalhadores sem teto denunciam por meio da prática as atitudes que vão de encontro a tudo que defendemos teoricamente, afinal. E a UnB não deve ficar alheia aos processos que ocorrem na sociedade, e em especial no Distrito Federal, já que as sínteses construídas no campo do conhecimento influenciam e interagem cotidianamente com a realidade social.

 

Neste sentido, avaliamos como legítima a ocupação realizada. É por meio dela que questionam as características excludentes das políticas sociais no Distrito Federal. Ocuparam bravamente terra improdutiva e demonstram conhecer mais os direitos de um cidadão que muitos que decidem a vida coletiva. Entendem que não há propriedade sem função social. Como nos ensina a Constituição de 88. O Movimento, portanto, serve como verdadeira arma pedagógica. Nos ensina por escancarar. Nos ensina por mostrar na prática. Nos ensina por acreditar na democracia enquanto processo que protege as minorias e os oprimidos. Um prédio abandonado há mais de 20 anos no centro de Taguatinga não pode ser tratado como propriedade. É necessário, diante dessa situação, que sejam abertas imediatamente as negociações via o Governo do Distrito Federal (GDF) e o Governo Federal que não podem se furtar de ouvir um setor social organizado. Por último, refutamos qualquer ação violenta e criminalizante contra os movimentos sociais, que infelizmente tem sido instrumento recorrente utilizado pelas esferas governamentais no Brasil.

 

Assinam:

Prof. Adriana Araújo (TEL/IL – UnB)

Prof.Dra. Alejandra Pascual (FD – UnB)

Prof. Dr. Michelangelo Trigueiro (SOL- UnB)

Prof.Dr. Alexandre Bernadino Costa (FD-UnB)

Profa. Dra. Ariuska Karla Barbosa Amorim (FT – UnB)

Prof. Dr. Benny Schvarsberg  (FAU – UnB)

Prof. Dr. Carlos Lima (FACE – UnB)

Prof.Dr. Daniel Bin (ADM – UnB)

Prof. Dr. Erlando da Silva Rêses (FE – UnB)

Prof. Dr. Fernando César Lima Leita (FCI – UnB)

Profa. Dra. Graciela Doz (FT – UnB)

Prof. Dr. Jorge Antunes (aposentado, pesquisador sênior MUS/IdA – UnB)

Prof. Marcela Soares Silva (SER/IH – UnB)

Prof.Dr. Márcia Abrahão Moura (IG – UnB)

Profa. Dra. Maria Auxiliadora César (aposentada IH – UnB)

Prof. Dr. Maria Lúcia Leal (SER/IH – UnB)

Prof. Dr. Paulo Cesar Marques da Silva (FT – UnB)

Prof. Dr. Pedro Murrieta (FT – UnB)

Profa. Dra. Rachel Nunes da Cunha (IP – UnB)

Prof. Dr. Rodrigo Dantas (Fil-IH-UnB)

Profa. Dra. Simone Aparecida Lisniowski (FE – UnB)

Prof. Dr. Wellington Lourenço de Almeida (CEAG/PPGDH – Planaltina – UnB)

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