A alegria do 11 de setembro

11 de setembro de 1973. O general Augusto Pinochet liderou o golpe que derrubou o governo democrático e socialista do Presidente Salvador Allende, no Chile. As Forças Armadas declararam guerra à própria nação que deveriam defender, bombardearam o Palácio Presidencial e instituíram, com apoio da elite econômica e de setores conservadores daquele país e de governos como o dos EUA, da Inglaterra e do Brasil (também ditatorial), um dos regimes mais sangrentos da América Latina no século XX.

Esse dia sempre foi especial para mim: é o momento do ano em que me bate mais forte o sentimento latino-americano. Mas, depois de dois meses e meio de intercâmbio na Universidad de Chile neste ano, ainda mais nas circunstâncias em que vive o país (fortíssima ascensão da luta social, há mais de um ano, a maior em quatro décadas, protagonizada pelo movimento estudantil), deixou de ser um dia predominantemente de amargura, de pessimismo, de nostalgia, de lamentar pelo que poderia ter sido – o socialismo democrático, no Chile – e que não foi, devido à interrupção violenta que sofreu. Passou a ser um dia de entusiasmo pelas lutas, da convicção de que Allende estava certo, em suas últimas e proféticas palavras:

Superarán otros hombres este momento gris y amargo en el que la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor.

¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!

Estas son mis últimas palabras y tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano, tengo la certeza de que, por lo menos, será una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición.

As grandes alamedas efetivamente foram reabertas, e por elas têm passado os estudantes, com sua alegria e rebeldia, a nos ensinar que não basta repudiar as brutalidades cometidas por Pinochet, com apoio de Reagan, Thatcher, da ditadura brasileira… É preciso lutar também contra a sua herança que persiste na aversão à luta dos movimentos sociais e na mentalidade que mercantiliza direitos humanos, como a educação e a saúde.

Hoje, percebo mais ainda o quanto conviver com o potente movimento estudantil chileno me transformou. A alegria rebelde foi capaz de vencer a melancolia que o poder tenta nos impor: o 11 de setembro tornou-se, para mim, um dia de celebração da luta pela libertação dos povos da América Latina.

Compañero Presidente Allende, Presente!

Leia também: “11 de setembro – À memória de Victor Jara“.

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