Às Brigadas Populares: Balada para los Poetas Andaluces de Hoy

Tivemos a oportunidade de participar como observadores, nesse fim de semana,  do 1º Congresso Nacional das Brigadas Populares, em Belo Horizonte. Consolida-se o surgimento de uma nova organização política na esquerda brasileira, que entusiasma pela consistência do trabalho de mobilização popular em lutas concretas (a exemplo da Ocupação Dandara, em BH), e também pela qualidade e criatividade do seu esforço permanente de formação e formulação política.

Tudo isso ainda seria pouco, no entanto, se não fosse o fermento que tem feito as Brigadas crescerem e se construírem nacionalmente: o espírito de grandeza. Desse modo fez-se possível a fusão, no final do ano passado, de organizações políticas regionais que, ao mirarem alto e assumirem o desafio da construção de uma nova maioria política e social para o Brasil, descobriram outros grupos e pessoas que também buscam superar a fragmentação e o isolamento da esquerda no nosso país (conforme diagnosticávamos no ano passado). Agora, no Congresso das Brigadas, prevaleceu novamente essa atitude de grandeza na construção da organização necessária, capaz de processar sua diversidade numa unidade ainda mais rica e combativa, e não esfacelada em disputas fratricidas internas.

Por isso, é em homenagem às Brigadas Populares que publico hoje, aqui no blog do nosso querido B&D, o belíssimo poema “Balada para los Poetas Andaluces de Hoy“, de Rafael Alberti, junto à gravação feita com ele pelo grupo Aguaviva, na década de 1970. Em meio ao isolamento, à fragmentação e ao abatimento da esquerda espanhola durante o franquismo, o poeta clama: camaradas, ânimo! A saída é a grandeza.

BALADA PARA LOS POETAS ANDALUCES DE HOY

¿Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
¿Qué miran los poetas andaluces de ahora?
¿Qué sienten los poetas andaluces de ahora?

Cantan con voz de hombre, ¿pero dónde los hombres?
Con ojos de hombre miran, ¿pero dónde los hombres?
Con pecho de hombre sienten, ¿pero dónde los hombres?

Cantan, y cuando cantan parece que están solos.
Miran, y cuando miran parece que están solos.
Sienten, y cuando sienten parece que están solos.

¿Es que ya Andalucía se ha quedado sin nadie?
¿Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
¿Que en los mares y campos andaluces no hay nadie?

¿No habrá ya quien responda a la voz del poeta?
¿Quien mire al corazón sin muros del poeta?
¿Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?

Cantad alto. Oiréis que oyen otros oídos.
Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.
Latid alto. Sabréis que palpita otra sangre.

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo
encerrado. Su canto asciende a más profundo
cuando, abierto en el aire, ya es de todos los hombres.

Rafael Alberti

2 respostas em “Às Brigadas Populares: Balada para los Poetas Andaluces de Hoy

  1. Camaradas, a presença de vocês em nosso I Congresso nos estimou muito. Estamos sempre de portas abertas para o diálogo com os camaradas. E concordo plenamente com a postagem. A saída é pensar grande. Pensar pequeno nos faz agir pequeno, e isso não contribui com nossa tarefa hercúlea de construir um Brasil mais justo para todos e todas. Abraços.
    Roberto – Rio de Janeiro

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