Extensionando

Por Leandro Lobo*

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Não tenho grandes pretensões com esse texto, somente produzir algumas reflexões, quase como um brainstorm, sobre determinadas estruturas das universidades brasileiras, principalmente no que se refere a extensão universitária. Minha pretensão possui ainda, limitações teóricas e práticas, como corpo externo aos movimentos extensionistas, e limitações devido a amplitude dimensional do debate.

Pois bem, a extensão, inserida na noção tri-conceitual ensino-pesquisa-extensão que, teoricamente, embasa a dimensão político-pedagógica das universidades brasileiras, é preterida dentro do conjunto de práticas das mesmas, especialmente pelos agentes socialmente tidos como acadêmicos. Diversos podem ser os argumentos que tentam sustentar essa marginalização, chegando a bizarrices como “gasto de tempo em detrimento do ensino e da pesquisa”.

No entanto, a importância da extensão, como articulação permanente entre a sociedade e a universidade a ela subordinada é inegável. E concebida em um contexto de afastamento dos conhecimentos específicos produzidos na segunda, conferindo um status conceitual-concreto distinto e de oposição com a primeira.

Dentro desse quadro e da eminência de uma discussão estatutária na Universidade de Brasília(UnB), creio necessário alguns questionamentos. Devido as implicações práticas na gestão universitária inscritas na lógica do “tripé universitário”, é desejável a manutenção dessa fundamentação estrutural? Ou esse modelo, ressiginificado, ainda tem a capacidade de orientar as práticas e produzir uma estrutura dialógica sólida entre os elementos que compõe o “tripé” ? Tendo a crer que esse modelo, da maneira que está dada, reforça e reproduz a categoria “extensão” como campo residual. Tudo que não é ensino e pesquisa, se enquadra como extensão, o que implica uma competição por determinados recursos, rarefazendo os destinados a prática extensiva e subfinanciando-a. 

Talvez a diversificação das categorias conceituais, que refletem práticas universitárias no embasamento político-pedagógico das universidades, possam produzir mais eficiência para a resolução da noção residual da extensão, diluindo o atual modelo. As universidades estariam prontas, ou melhor, dispostas a discutir isso? Ou, reiterando, esse modelo ainda é necessário para orientar e lembrar da importância da marginalizada extensão? 

Para tanto, o próprio esforço de conceituar extensão, é necessário para a permanente construção e lembrança da importância da prática na articulação dos sistemas sociais? Quem deve produzir esse conjunto de relações extensivas, comunidades universitárias ou não? Enfim, um assunto extenso com milhares de dimensões para debate e de extrema importância.

 

*reflexionando com Gustavo Belisário e Rodrigo Dias

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