Habeas Campus

por uma uniVERcidade livre, leve e SOLTA.

ImageQuando a universidade começa a reproduzir descaradamente as mazelas da sociedade, em vez de propor soluções, é sinal de que algo anda muito errado. É a universidade assumindo que não consegue cumprir seu papel.

Quando a universidade, pretensamente criada para ser livre espaço, para ser essencialmente pública, permeável, assume em matéria, ferro e concreto sua guetificação, é sinal de que a universidade não consegue cumprir seu papel.

Quando a universidade pública, esperança de toda uma federação, depositório de novas ideias, de soluções para problemáticas sociais, instalando grades, câmeras, alarmes em seus prédios, com o intuito de solucionar os problemas de segurança de seu espaço físico, é sinal de que a universidade não consegue cumprir seu papel.

Pensador@s da terra de Tupã, do planalto central do Brasil de São Saruê, universitáries, professores universitári@s, pós-universitári@s, simpatizantes, intelectuais, pós-intelectuais, populares, indies, indi@s, enfim, toda a patota que ronda a célebre efígie de Darcy Ribeiro,  uni-vos! Os problemas chegaram à sua morada, e vós que sois treinados para resolver problemas não deveis fugir à luta!

Se nem a intelligentsia brasileira consegue resolver os problemas sociais que batem à sua porta, só nos resta admirar o “O Cego Guiando os Cegos”, de Pieter Bruegel, e entendê-lo como a metáfora do Homo academicus do início do século XXI.

Universidade pra quê?

Image

Pieter Bruegel, 1568 – Museo Nazionale di Capodimonte, Napoli


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Uma resposta em “Habeas Campus

  1. Concordo com vocês na crítica contra a instalação de grades no ICC. Mas não concordo com a crítica da universidade não cumprir seu papel. A universidade pública cumpre seu papel de afastar os pobres de uma educação superior de qualidade agraciando uma classe média/alta com um bom ensino gratuito. Ela reverbera os desejos e objetivos das pessoas que dela usufruem: estudanes, funcionários e professores. A maioria desses com uma renda bem superior à media nacional. A universidade nos idos anos 60 e 70 refletiam o maior desejo daqueles que a formavam: liberdade, de todos os tipos. Hoje o maior desejo da classe média e alta é a segurança, tanto econômica quanto física. Então não me surpreende em nada a intenção da reitoria em colocar dezenas de câmeras e grades. É um preço que os mais abastados estão dispostos a pagar: menor liberdade em troca de maior segurança. Uma bela ironia. Os pioneiros da UnB reviram em suas tumbas.

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