Ocupa e resiste…em Wall Street

Por Edemilson Paraná, do Blog do Paraná

A ousadia criativa da juventude indiganada rompeu no horizonte da América. E a onda de protestos que varre o Oriente Médio e a Europa produziu uma maré das boas no coração da crise capitalista, Wall Street.

Há exatos 10 dias, jovens estudantes resolveram protestar em frente à Nasdaq – uma das principais bolsas de valores do país – e não saíram mais de lá. O  movimento “Ocupar Wall Street” (#OccupyWallStreet) resolveu mostrar em alto e bom som que aquela rua é deles – 99% dos estudunidenes, e não do capital especulativo e da classe política vendida. A polícia, claro, partiu para cima com violência e prendeu uma série de manifestantes com a alegação de que é proibido ocupar aquela calçadas. A represssão foi como um fósforo no barril de pólvora.

Entre as reivindicações, críticas ao sistema político estadunidense – baseado nos lobbys milionários de poucas empresas e bancos – e pedidos de criminalização dos especuladores que levaram o país à crise. “Pessoas, não lucros”, “Wall St. tem dois partidos, precisamos do nosso próprio”, “Não posso comprar meu lobista, faço parte dos 99%”, “AIG, Bank of America, Goldman Sachs, Citi, JPMorganChase – Por que vocês não estão na cadeia?” são frases que dão o tom dos protestos.

“Débitos entre os muito ricos ou entre governos sempre pode ser renegociado. Mas quando é um pobre que deve a um rico, pagar se torna uma obrigação sagrada. Renegociar é impensável”, disse David Graeber, ativista do movimento, em  entrevista ao jornal britânico The Guardian.

No Brasil, cerca 40% do orçamento da União é consumido com o pagamento de uma dívida pública jamais auditada. Se a situação  por aqui parece não tão ruim, a simples recusa em romper com esse modelo nos leva a um cenário pouco animador.

O perfil dos manifestantes de lá é o mesmo encontrado em outras primaveras: jovens instruídos, seriamente afetados pela crise,  sem grandes perspectivas, e auto-organizados por meio de mídias sociais.

Os protestos já se espalham pelo país. Há registros de movimentações em São Francisco, Los Angeles, Atlanta, Chicago, Phoenix e Cleveland. Entre as adesões, nomes de peso como Noam Chomsky e Michael Moore.

O movimento se diz, e provou ser, pacífico. Durante o dia, discussões, palestras, atividades culturais e até distribuição gratuita de comida é feita no local.

Aqui, a transmissão ao vivo das atividades.

Aqui, o site oficial do movimento, com pautas de reivindicação, agenda de mobilizações, fotos e demais informações.

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Sobre Edemilson Paraná

Edemilson Paraná é sociólogo e jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Marketing e Comunicação Digital (IESB), mestre e doutorando em Sociologia pela UnB, com período sanduíche na SOAS – University of London. Trabalhou como assessor de imprensa na Câmara dos Deputados, no Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Como repórter, cobriu política no Congresso Nacional para o portal UOL e Blog do Fernando Rodrigues (Folha de S.Paulo). Como freelancer, escreveu para a Mark Comunicação e para a revista Gestão Pública e Desenvolvimento. Atuou como pesquisador-bolsista no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) no projeto Sistema Monetário e Financeiro Internacional (2015-16). Além de trabalhos acadêmicos publicados nas áreas de Sociologia Econômica, Economia Política e Teoria Social, é autor do livro A finança Digitalizada: capitalismo financeiro e revolução informacional (Insular, 2016). Também publica intervenções sobre economia e política em sítios como Blog da Boitempo, Carta Capital, Congresso em Foco, Outras Palavras e Brasil em 5.

Uma resposta em “Ocupa e resiste…em Wall Street

  1. De fato, é desanimador encontrar esse marasmo no Brasil enquanto vários países do mundo testemunham revoltas como o Occupy Wall Street e os Indignados europeus. O curioso é que os principais pontos levantados por esses movimentos são extremamentes factíveis com a situação brasileira: proximidade entre o governo e interesses privados restritos (e restritivos), entre os quais o sistema financeiros e corporativo são apenas os mais ilustres; e a necessidade de estabelecer canais para uma democracia participativa na qual as prioridades do governo são estabelecidas pela participação popular. Apesar de estarmos num momento em que muitos dizem que estamos bem, numa tendência de melhora das condições de vida de grande parte da população brasileira, isso que esses movimentos trazem não perde em nada a sua validade aqui para nós.

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