Não podemos nos esquecer do 10 de setembro

Por Laila Maia Galvão

Em todos os jornais, emissoras de TV, sites etc. há uma profusão de reportagens especiais, entrevistas e documentários sobre a queda das torres gêmeas e sobre os atentados de 11 de setembro de 2001, que agora completam 10 anos. O “aniversário” desses ataques abre espaço para um momento de reflexão sobre esses acontecimentos e suas repercussões no âmbito da política internacional.

Também há 10 anos, na noite do dia 10 de setembro, o prefeito de Campinas foi brutalmente assassinado quando retornava para casa dirigindo seu próprio carro. Na manhã do dia 11, antes de acompanharem todas as filmagens de Nova Iorque pela tv, os campineiros receberam a triste notícia da morte de seu prefeito recém-eleito. Devemos, portanto, também aproveitar esse momento para refletirmos sobre o assassinato do Toninho e seus desdobramentos.

Rememorando os fatos: Toninho do PT havia sido eleito prefeito ainda em 2000, assumindo o cargo no início de 2001. Nos primeiros oito meses de administração, a gestão de Toninho fez avanços importantes. Alterou contratos públicos de lixo e transporte e realizou uma auditoria completa das dívidas da prefeitura, a fim de reorganizar “a casa”. Nesse período, Toninho foi uma das testemunhas da CPI do Narcotráfico, que apontava Campinas como um dos centros do tráfico de drogas e da lavagem de dinheiro no país.

No dia 10 de setembro, dirigindo nos arredores do shopping Iguatemi de Campinas, Toninho foi baleado. A arma no crime, uma pistola 9mm, jamais foi encontrada. A versão da polícia civil para o crime é a seguinte: Toninho teria atrapalhado a fuga de uma quadrilha de um criminoso conhecido como “Andinho”,em um Vectra prata. De acordo com o UOL notícias dos quatro integrantes da quadrilha, apenas Andinho está vivo. Em depoimento à Justiça no curso do processo, ele negou envolvimento no crime. Condenado a mais de 200 anos de prisão por vários crimes, o criminoso está preso na penitenciária de segurança máxima de Presidente Venceslau (611 kmde São Paulo), no oeste do Estado”. O Ministério Público do Estado confirma a versão da polícia. O Juiz não aceitou a denúncia do MP, por falta de indícios. O caso se encontra nas mãos da polícia civil mais uma vez para novas investigações.

Sem entrar nos detalhes sobre as minúcias das investigações, a versão apresentada pela polícia de que o crime seria decorrência da fuga da quadrilha de “Andinho” é um tanto questionável. Porque criminosos fugindo em um Vectra atirariam no motorista de um outro carro, sem roubar absolutamente nada? Sem falar na enorme coincidência de o motorista ser justamente o prefeito que tem como missão atacar a corrupção instalada no município. Andinho, que não confessou o crime até hoje, parece ter sido apenas o bode expiatório utilizado pelas investigações policiais.

Diante dessa completa falência das instituições locais para investigarem o caso, a viúva do ex-prefeito busca duas alternativas: 1. federalizar as investigações, para que a polícia federal prossiga com o inquérito. A solicitação da federalização está no gabinete do Procurador-Geral da República Roberto Gurgel para análise.  2. A família também pretende recorrer à OEA, por meio da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

As movimentações recentes da família de Toninho são de extrema importância: o evidente crime político não pode ficar impune por decorrência da corrupção impregnada às instituições políticas e jurídicas de Campinas. A família, os cidadãos de Campinas e todos os brasileiros precisam de uma resposta: quem matou Toninho e por qual motivo? Não esquecer o crime bárbaro do dia 10 de setembro de 2001 é resgatar a memória de um prefeito que não se rendeu ao esquema de corrupção da prefeitura e que pagou com a vida por isso. É lembrar que a potência da ação política não pode ser silenciada com a morte.  

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s