Battisti Livre

Por Mayra Cotta

Um dia histórico. Depois de 50 meses preso no Brasil, acaba de ser concedida liberdade a Cesare Battisti.

Foi uma luta muito difícil – e não poderia ter sido diferente. Especialmente nos últimos anos, foi possível perceber, no acompanhamento do desenrolar dos acontecimentos, o forte conteúdo político da perseguição a Battisti. O que estava em jogo – apesar de ter sido mantido muito bem escondido pelos malabarismos argumentativos dos Ministros Gilmar Mendes e Cézar Peluso – não era a relação entre Brasil e Itália, não era a punição de um criminoso comum. Não. Conseguir pegar Battisti era uma questão de mostrar, de forma truculenta e usando todos os meios que fossem necessários, que o sistema vigente não tolera aqueles que lutam pela sua transformação, que acreditar e engajar-se na Revolução é crime.

O B&D, desde 2009, milita contra a extradição de Battisti, integrando o Comitê pela Libertação de Cesare. Foram várias as atividades organizadas neste sentido: debate na UnB, junto com o DCE e o grupo Crítica Radical, elaboração de manifestos, visitas à Papuda e reuniões com parlamentares para construir apoio.

Todos os argumentos, políticos, jurídicos e até mesmo morais, foram enfrentados. A militância sempre soube defender o companheiro Battisti, apesar da forte campanha conservadora contra. Em diversos posts deste blog isto pode ser verificado. O caso foi amplamente debatido em várias oportunidades e não é necessário repisar os fundamentos que autorizam a concessão do refúgio: a evidente perseguição política, os julgamentos ilegais realizados na Itália, a soberania do país, a proteção do instituto do refúgio, enfim, motivação havia de sobra para não mandar Battisti de volta à Itália.

Ainda assim, Cesare correu um sério risco de ser entregue àqueles contra os quais lutou. Por pouco, o Brasil não anuiu a uma lamentável e odiosa vingança. Chegou-se muito perto de ver o triunfo daqueles que não desejam a manutenção do sistema vigente por justamente viverem da exploração e da opressão de uma classe por outra. Ao menos uma batalha – pequena frente a tudo que ainda precisa ser transformado, mas enorme para o ser humano que poderá sair do cárcere – foi perdida pelos conservadores.

Nós do B&D estamos convictos de que a esquerda teve hoje uma enorme vitória. Todas e todos que lutam pela mudança, que não se acomodam no capitalismo, que não se conformam com a desigualdade, enfim, que acreditam na Revolução, ganharam mais forças para continuar lutando. E é exatamente isso que faremos.

Comemoramos hoje a liberdade de Battisti e, amanhã, continua a imaginação para revolucionar!

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8 respostas em “Battisti Livre

  1. Cesare Battisti livre. Graças ao movimento, que dobrou um STF pusilânime. Hoje deveria ser feriado nacional.

    Uma abominação jurídica a menos. Agora, é lutar pela libertação dos 439 bombeiros criminalizados no RJ.

    Parabéns Mayra, texto com passione e alegria.

  2. Texto podre, de esquerda, onde são dois pesos e duas medidas. Se fosse um ditador, um militar, é um “assassino”. Agora, se é um VAGABUNDO, assassino de esquerda, maltrapilhom, fedorento e estuprador, daí, é “o resgate da dignidade e da revolução”. Mais uma vez o Brasil passa vergonha. Vá redigir este teu texto aí, para as familias dos mortos por esse bandido, vai !

  3. Ah, como tu é de esquerdinha, eu sei que a minha resposta será moderada. É a velha tática “democratica” de vocês comunistas. Mas, estou pouco me importando, pelo menos o povo tem a sabedoria. de cada 1000 pessoas, somente 01 pensa como tu.

  4. Ridículo. Um vexame. E “pusilâmine”? “Companheiro Battisti”? Depois vêem defender o livro “por uma vida melhor”… Mas isso não vem ao caso. Interessa dizer que está mais do que na hora de se repensar essa esquerda caduca e tosca de vocês. Se o julgamento italiano respeitou ou não o devido processo legal, ampla defesa e demais princípios constitucionais, é de se analisar, obviamente, na Itália, respeitando, exatamente, a soberania. Eis que tenho pouco tempo, então reproduzo duas sentenças, a primeira da obra de Shakespeare, O mercador de Veneza – fala de Shylock -; a segunda, na verdade, são duas frases, de autoria da ministra Eleen Gracie, datada de ontem, 8/06/2011.

    “Que sentença devo temer, não havendo feito mal algum”? Realmente, é de se pensar que alguém que não fizera mal corra, fuja de sua pátria – democrática, diga-se de passagem, não se trata de nenhum regime ditatorial, autocrático, derivando, inclusive, o sistema jurídica brasileiro em grande parte do italiano. É, no mínimo, e sendo pouquíssimo rigoroso, estranha tal situação. Ora – e sob pena de fazer do meu discurso, doravante, excessivamente apelativo e emocional, o que acredito ser justificável porquanto o discurso que ora critico é igualmente emotivo -, se alguém é inocente, que justiça deve esse mesmo alguém temer? Obviamente – e inegavelmente -que há condenados injustamente, mas são as exceções que confirmam a regra.

    Por outra volta, afirmou a ministra supracitada: “Li e reli o parecer oferecido pela AGU ao presidente e ali não encontrei menção a qualquer razão ponderável, qualquer indício que nos levasse à conclusão de que o extraditando fosse ser submetido a condições desumanas (se enviado à Itália)”. Certamente que se poria Battisti em uma prisão, mas deve-se acabar com as prisões restritivas de liberdade? Tampouco sou a favor da pena de prisão perpétua, uma vez que acaba com qualquer perspectiva de ressocialização, dentre outros motivos, do preso. Mas sou igualmente (aliás, demasiado mais) contrário à impunidade. Hodirnamente (e sinto-me livre para usar quaisquer termos, haja vista o “pusilâmine” acima), muito se fala em alteridade, se colocar no lugar do outro. Coloquem-se, pois, no lugar de todos os familiares e amigos daqueles assassinados pelo homicida (condenado! não é um SUPOSTO homicida, é um condenado!) Cesare Battisti, que ora se vêem e ver-se-ão daqui por diante desamparados, ante uma justiça da impunidade. Outrossim afirmou a ministra que “Soberania o Brasil exerce quando cumpre os tratados, não quando os descumpre”. Não poderia estar mais correta.

    Por fim, volto a falar sobre como vocês devem repensar o pensamento de vocês. Na modernidade, a crítica tem que se constituir, sempre, em autocrítica (aliás, será mesmo?) – e é exatamente o motivo de eu questionar meu discurso deveras requintado, culto, e, principalmente, emocional. Do contrário, é rigorosamente indiferente. “[Destarte], de que adianta trocar uma ortodoxia por outra, se ambas não se sujeitam à crítica?” – George Orwell, com adaptações.

  5. Engraçado ler um texto que em pleno século XXI ainda divide o mundo e a sociedade em categorias tão antiquadas como “direita e esquerda”, “conservadores e revolucionários”. Talvez vocês devessem se mudar para países onde tal divisão ainda é aplicada, como a paradisíaca Coreia do Norte, a próspera Venezuela ou a idílica Cuba. Esperem. Nem mesmo Cuba ainda é tão antiquada assim…

    O que mais espanta no texto “Battisti livre” é ver a aplicação do “dois pesos, duas medidas”. A “perseguição” à Cesare Battisti tem, segundo vocês, forte conteúdo político. E os argumentos que vocês usam para defendê-lo, não?
    O forte “conteúdo político” do caso foi criado por vocês mesmos, a dita “militância”, os “revolucionários”, os “companheiros” que carregam o bastião da verdade inquestionável que o resto da sociedade, burra e cega, não vê. Ora caros colegas, quanta hipocrisia e egocentrismo! Vôces são apenas um lado da história; para o outro lado, o das 4 famílias que tiveram seus parentes assassinados, a questão não tem absolutamente nada a ver com política; para eles não importa que o capitalismo tenha ‘vencido’, que o Muro de Berlim tenha caído, que a esquerda esteja decadente e presa ao mesmo discurso há 100 anos por não saber se adaptar às mudanças do mundo. Para eles, não importa, pasmem, nem qual era o teórico favorito do Lenin!

    Para eles o que importa é a justiça, não o livro, de esquerda ou direita, que ela lê nas horas vagas. E vejam bem, nem estou advogando pela culpa do Battisti. Não sei se foi ele mesmo quem matou aquelas pessoas, também não tenho como saber. Aliás, nem vocês (a menos que vocês tenham uma bola de cristal muito potente; mas vocês devem ter, já que são donos da verdade, não é mesmo?). Não compete a nós julgar isso; e sim à Itália, país soberano onde ocorreu os crimes, onde nasceu o acusado, onde nasceram as vítimas. O que o Brasil tem a ver com isso? O que vocês tem a ver com isso? O que eu tenho a ver com isso?

    Pasmem de novo: não temos NADA a ver com isso. Se algum país viesse a interferir em algum assunto interno do Brasil, do nível do caso Battisti, aposto 100 edições d’O Capital que vocês estariam usando os mesmos argumentos vazios do “capitalismo maldito” para defender o que defendo agora: cada país é soberano para cuidar dos seus próprios problemas. Se um brasileiro fosse o principal suspeito de matar o pai ou o irmão de algum de vocês, fosse preso nos EUA e conseguisse ser libertado e não ser extraditado para o Brasil, vocês certamente estariam revoltados, clamando por justiça, dizendo que mais uma vez os porcos capitalistas do mal estão atacando a soberania do nosso país e ferindo tratados internacionais, tudo por causa de interesses políticos escusos. Estou errada? Vão dizer que vocês pensariam, “é, os EUA têm mais direito de julgar o suspeito de assassinar um parente meu do que o meu país”? Aposto que não. Por que então condenar as famílias italianas a passar por isso?

    Battisti não é problema nosso e sim da Itália, país que, até onde eu saiba, não possui gulags para dissidentes políticos. Esperem. Os gulags são uma criação da União Soviética, não é? Que implantou o regime de esquerda que vocês tanto gostam… Interessante.

    Sabem o que é interessante também? Ver que a “esquerda” (por favor, arranjem outro termo!) jovem está parada no tempo, com o mesmo discurso defasado de sempre, que aliás, não levou as esquerdas do passado a lugar nenhum. Não estou criticando o fato de exitir uma oposição ao “Establishment”. Ela deve existir sim, isso é uma parte importantíssima de qualquer sociedade e engrandece o debate político e a democracia. Democracia. Conhecem? Porque a geralmente a esquerda desconhece esse termo, vide Stalin, Fidel, Ho Chi Minh, Kim Jong-il, Mao Tse-Tung… Todos eles, guardadas as devidas nuances, tinham o mesmo discurso que vocês têm agora. De que existe uma conspiração capitalista do mal agindo sobre tudo e sobre todos, que só a ‘Revolução’ pode salvar o mundo do apocalipse econômico-social, que quem não concorda com vocês é parte de uma elite conservadora egoísta…

    A ironia é perceber que todos os que viveram efetivamente essa ‘Revolução’ perceberam o quanto esse discurso unilateral, preto no branco, não leva a lugar nenhum. E digo isso porque já conheci vários deles, já fui à Polônia, a Montenegro, à República Tcheca, à Alemanha, à Hungria, à Russia (sim, nem mesmo o que restou da grande URSS, terra de Lenin e Trotsky, acredita mais nesse discurso. Aliás, existe um McDonald’s a 50 metros do mausoléu de Lenin, sabiam?). Já inclusive morei na Sérvia (ex-Iugoslávia comunista) e, assim como em todos os outros lugares citados, os povos desses países já aprederam, na pele, que é muito fácil acreditar em teorias da conspiração e escolher um inimigo como o capitalismo, do que enfrentar racionalmente, sem paixões ou ‘lados’ políticos, os problemas que desafiam as sociedades do séc. XXI.

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