Movimentos de Trabalhadores

Por Laila Maia Galvão

Na semana passada pudemos observar algumas interessantes mobilizações de trabalhadores em algumas cidades importantes do país.

A paralisação da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) afetou as 89 estações de trem da Grande São Paulo na quinta-feira passada. Os funcionários da CPTM pedem 5% de aumento real salarial e quase 8% de correção sobre a inflação apuradaem São Paulopelo IPC-Fipe. Pedem também aumento no valor do vale-refeição, no tempo de licença-maternidade e mudanças no plano de careira. A empresa oferece apenas 3,7% de reajuste.

Os motoristas de ônibus das linhas intermunicipais da Grande São Paulo também realizaram uma paralisação. Exigiam 15% de reajuste. As companhias ofereciam 8%.

No Rio, os protestos dos bombeiros foram respondidos com ação violenta do BOPE. De acordo com o Cabo Benevenuto Daciolo, porta-voz do movimento dos bombeiros, dentre as reivindicações estão piso salarial líquido no valor de R$ 2 mil e vale-transporte. Diz ele: “Nós temos o pior salário da categoria no país, que é de R$ 950. Estamos há dois meses tentando negociar com o governo, mas até agora não obtivemos resposta. Nosso movimento é de paz e estamos em busca da dignidade. Não vamos recuar até que haja uma solução. Queremos um acordo, queremos que o governador se pronuncie”, disse o porta-voz.

A chamada invasão do Quartel Central gerou conflito entre os manifestantes e o BOPE, quando mais de 400 bombeiros foram presos. No domingo, os presos foram transferidos para o quartel do Corpo de Bombeiros em Charitas, Niterói. Um dos cabos detidos afirmou: “Estamos presos sim, mas agora tratados com dignidade. Estamos na nossa casa, onde recebemos atenção do comandante. Sabemos que o quartel não tem estrutura para comportar mais de 400 presos, mas estamos todos conscientes que é preciso colaborar com o que for preciso para não complicar o trabalho no quartel”, disse o cabo Raposo. 

A greve dos trabalhadores da CPTM foi suspensa, após negociação em audiência realizada no TRT (Tribunal Regional do Trabalho). Os trabalhadores aguardam nova proposta da Companhia. Uma nova assembleia dos trabalhadores está marcada para o dia 10 de junho. Caso a Companhia não apresente uma proposta melhor, os trabalhadores prometem cruzar os braços novamente no dia 15 de junho.

 O novo comandante-geral do corpo de bombeiros do Rio disse estar disposto a negociar com os líderes do movimento.

Hoje, professores grevistas em Fortaleza firam impedidos de acompanhar a votação do reajuste de seus salários a ser realizada na Câmara Municipal. Assim, os manifestantes tentaram forçar a entrada, mas foram atingidos por sprays de pimenta da polícia.

Grevista precisa ser tratado com respeito. Não é com BOPE, com a criminalização dos movimentos e com truculência que se resolve o problema.É preciso que a mídia brasileira dê espaço para as reivindicações dos movimentos e dos trabalhadores, ao invés de fazer reportagens longas sobre os “transtornos” gerados pela greve. O movimento dos trabalhadores ocorre, é claro, para chamar a atenção da sociedade para os problemas enfrentados por eles. E a mídia deve ter papel fundamental na abertura desse espaço para que a população inteira discuta essas questões. É a sociedade que deve debater se é adequado que um bombeiro receba um valor inferior a mil reais para sustentar sua família, quando trabalha diariamente arriscando sua vida para salvar outras. É a sociedade brasileira que tem que discutir qual é o valor de um salário digno e que condições de trabalho estão de acordo com o respeito integral aos direitos humanos. 

A criminalização  desses movimentos, com a atribuição de nomes como “vândalos”, “irresponsáveis”, e a inserção da polícia para combater os chamados “excessos” é sempre o pior caminho a ser tomado: violam-se direitos humanos, trabalhadores dignos são humilhados e a sociedade se afasta das discussões que realmente importam.

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