A corrupção de prioridades do governo Dilma Rousseff

Por João Telésforo Medeiros Filho

A querida Presidenta Dilma (querida da grande imprensa, ao menos, neste início de mandato…) está procedendo a corte de 15% no orçamento da CAPES, além de 10% no do Ministério da Educação.

Cortar investimentos em educação, ciência e tecnologia para quê?

A) Gastos crescentes com juros da dívida pública (decorrentes do aumento da taxa SELIC), de modo a aumentar ainda mais a concentração de renda no país
B) Gastos bilionários com a Copa do Mundo, incluindo a construção de estádios que se tornarão “elefantes brancos
C) Construir o trem-bala ligando São Paulo ao Rio de Janeiro (certamente muito mais estratégico para o país do que escolas e universidades)
D) Aumentar os salários dos parlamentares
E) Todas as respostas anteriores estão corretas…

Só nos restam a indignação e a luta.

PS: Não deixe de subscrever o abaixo-assinado pelo reajuste do valor das bolsas de mestrado e doutorado, parte essencial de uma política de valorização da pesquisa e humanização das bolsas: http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=anpg

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18 respostas em “A corrupção de prioridades do governo Dilma Rousseff

  1. Até que estou gostando desses primeiros meses de Governo Dilma confesso.

    Só umas correções:

    Ninguém aumenta taxa SELIC, porque ela é fixada pelo mercado, não administrativamente (graças a Deus).

    A dívida pública deve EXPLODIR, mas não é por causa da SELIC. Tem muito mais a ver com o aumento do salário mínimo.

    Trem-bala SP-RJ pode até não ser o melhor gasto do mundo (preciso de dados pra isso, já que estamos ligando duas de nossas maiores economias), mas até onde eu sabia, o problema da Educação no Brasil não tem a ver com quantidade, mas com qualidade. Principalmente na educação básica e média. Universidades públicas tem muitas outras alternativas de captação de recursos. Aumento de salários de professores do ensino básico e médio JÁ!

    Aumentar o salário dos parlamentares não pode ser debitado da conta da Dilma, né?

    • Oi Henrique;

      Vi seu comentáro há pouco e decidi opinar. Bem, eu discordo que a explosão da dívida pública tenha mais a ver com o aumento do salário mínimo. De fato, embora o impacto seja grande, o relatório de conjuntura econômica do DIEESE, publicado no início de março deste ano, ressalta muito mais o papel dos investimentos do Estado no aumento da dívida pública do que do salário mínimo. Ainda de acordo com o relatório, os investimentos do Estado aumentarão em 2011 para segurar a meta de crescimento da economia. Como vimos nessa semana, mesmo essa medida parece ineficiente, já que o governo calcula uma redução no crescimento para 2011 que pode chegar a 50% em relação ao ano passado.

      Abraços

      • Fala, Ana!

        Se me permite, e aqui JURO que minha intenção não é “to patronize” ninguém, mas, realmente, esclarecer alguns detalhes referentes à dívida pública.

        Estou usando os dados de 2010 porque, óbvio, 2011 não fechou. Segundo esse link (http://www.portaldatransparencia.gov.br/receitas/consulta.asp?idHierarquiaOrganizacao=1&idHierarquiaDetalhe=2052&idDirecao=1&idHierarquiaOrganizacao0=1&idHierarquiaDetalhe0=0&Exercicio=2010)

        cerca de 33% da receita do Estado foi oriunda de operações de capital, ou seja, tomar empréstimo por aí. Uma das principais formas de tomar empréstimo é JUSTAMENTE o tesouro direto, que é remunerado por uma paulada de formas diferentes, DENTRE ELAS a SELIC apurada no final do ano (e não, OBVIAMENTE, a meta SELIC estabelecida a priori pelo COPOM – você pegaria um empréstimo com alguém que pudesse, “do nada”, dizer quanto que vai te pagar depois?).

        Por outro lado, vendo os números das despesas (gastos diretos), verificamos que dos R$ 1.047 Trilhões, R$ 136 bilhões foram gastos pelo INSS com aposentadorias e reformas, R$ 29 bilhões com o FAT (fundo de amparo ao trabalhador), R$ 17 bi com outros benefícios previdenciários, R$ 51 bi com pensões, R$ 32 Bi com aposentadorias e reformas, R$ 39 Bi co mvencimentos civis e R$ 11 Bi com militares. Tirando esses dois últimos que não são afetados diretamente pelo S.M., temos que 25% dos gastos públicos foram afetados DIRETAMENTE pelo aumento do S.M. É por isso que qualquer 2 reais é motivo de briga no Senado, sacou?

        Agora, concordo contigo num ponto. De fato, culpar apenas o S.M. é simplificar demais. Não incluí aí os gastos com programas assistenciais nem com o PAC (com o qual não concordo). Também acho que remunerar título da dívida pública com base na SELIC apurada é uma ignorância, é inflacionário, feio, bobo e chato, mas muito pior é declarar a moratória “só de zoeira”, entendeu?

        Por fim, só pra esclarecer um ponto, temos que lembrar que 2008 e 2009, o mundo inteiro entrou em estagnação ou recessão. O crescimento de 2010 é bizarro. Ponto fora da curva, deve ser desconsiderado para qualq

      • Fala, Ana!

        Se me permite, e aqui JURO que minha intenção não é “to patronize” ninguém, mas, realmente, esclarecer alguns detalhes referentes à dívida pública.

        Estou usando os dados de 2010 porque, óbvio, 2011 não fechou. Segundo esse link (http://www.portaldatransparencia.gov.br/receitas/consulta.asp?idHierarquiaOrganizacao=1&idHierarquiaDetalhe=2052&idDirecao=1&idHierarquiaOrganizacao0=1&idHierarquiaDetalhe0=0&Exercicio=2010)

        cerca de 33% da receita do Estado foi oriunda de operações de capital, ou seja, tomar empréstimo por aí. Uma das principais formas de tomar empréstimo é JUSTAMENTE o tesouro direto, que é remunerado por uma paulada de formas diferentes, DENTRE ELAS a SELIC apurada no final do ano (e não, OBVIAMENTE, a meta SELIC estabelecida a priori pelo COPOM – você pegaria um empréstimo com alguém que pudesse, “do nada”, dizer quanto que vai te pagar depois?).

        Por outro lado, vendo os números das despesas (gastos diretos), verificamos que dos R$ 1.047 Trilhões, R$ 136 bilhões foram gastos pelo INSS com aposentadorias e reformas, R$ 29 bilhões com o FAT (fundo de amparo ao trabalhador), R$ 17 bi com outros benefícios previdenciários, R$ 51 bi com pensões, R$ 32 Bi com aposentadorias e reformas, R$ 39 Bi co mvencimentos civis e R$ 11 Bi com militares. Tirando esses dois últimos que não são afetados diretamente pelo S.M., temos que 25% dos gastos públicos foram afetados DIRETAMENTE pelo aumento do S.M. É por isso que qualquer 2 reais é motivo de briga no Senado, sacou?

        Agora, concordo contigo num ponto. De fato, culpar apenas o S.M. é simplificar demais. Não incluí aí os gastos com programas assistenciais nem com o PAC (com o qual não concordo). Também acho que remunerar título da dívida pública com base na SELIC apurada é uma ignorância, é inflacionário, feio, bobo e chato, mas muito pior é declarar a moratória “só de zoeira”, entendeu?

        Por fim, só pra esclarecer um ponto, temos que lembrar que 2008 e 2009, o mundo inteiro entrou em estagnação ou recessão. O crescimento de 2010 é bizarro. Ponto fora da curva, deve ser desconsiderado para qualquer situação. Se nós crescermos apenas metade do que foi em 2010, tá bom demais! Temos que lembrar que o crescimento divulgado de 2010 é calculado com base no de 2009 que foi uma porcaria. O de 2011 vai ser calculado com base no de 2010 que foi excelente!

  2. João,

    concordo plenamente com essa avaliação negativa dos primeiros 100 dias do governo Dilma. Só pode “estar gostando” quem se posiciona em favor do “Mercado”, isto é, das grandes empresas e das 20 mil famílias mais ricas do Brasil, que têm titulos da dívida pública remuneradas a partir das METAS definidas pela taxa SELIC, do COPOM-BC (e o colega acima equivoca-se em achar que é a “Mão invisível” quem define esse índice).

    Espero que essas sejam apenas as clássicas medidas impopulares de início de governo (como ensinava Maquiavel séculos atrás), mas não estou muito certo disso. O fato é que a esquerda “baixou a guarda” e “esperou para ver no que dava”, o que é fatal numa sociedade baseada (ainda, que me perdoem os pós-modernos) na luta de classes: enquanto os banqueiros e rentistas seguem avidamente na luta pela manutenção/expansão de seus privilégios, o povo está esperando o que “mainha” tem a oferecer.

    O negócio agora é fazer a nossa parte: denunciar o desvio de dinheiro da educação para as empreiteiras que estão na negociata da Copa/Olimpíadas, y otras cositas más!

    Abraço

    • Bom, não era minha intenção transformar isso num chat, mesmo porque, se o colega não entendeu, eu concordei com o Telé, mas fiz algumas correções.

      Primeiro, eu AMO o mercado! Acho ele a coisa mais linda de Deus. E só quem ama de verdade, sabe reconhecer os seus defeitos e suas falhas.

      Segundo, são quase 230 mil investidores cadastrados em Tesouro Direto a.k.a. títulos da dívida pública, que financiam, diretamente, os seus investimentos em poupança e, indiretamente, quase todos os programas sociais federais.

      Terceiro, o ÚNICO título que é remunerado pela SELIC são as LFTs, e mesmo elas são remuneradas pela SELIC EFETIVAMENTE apurada ao final do exercício.

      Quarto, em que dimensão paralela o colega acima leu que eu escrevi que quem define as metas do COPOM para a SELIC é a “mão invisível”?

      Quinto, não vou nem discutir a respeito dos “banqueiros e rentistas”, já que isso diz respeito a visões de mundo e eu prefiro viver num mundo em que existam banqueiros, rentistas, seguradoras e afins.

      Sexto, com relação à $ da educação indo pra copa/olimpíadas, não foi isso que o Telé disse, mas se isso estiver acontecendo, boca no trombone é o caminho.

  3. Pois eu também não teria problema algum com o Mercado, nem com banqueiros, rentistas, seguradoras e afins, se eles não vivessem da exploração do trabalho alheio, e nem gerassem como resultado a fome e a miséria de milhões e milhões em todo o mundo.

    Estamos de acordo quanto à necessidade de protestar contra a corrupção. Mas os males desse mundo estão longe de se resumir aos desvios da lei.

  4. Eu não falei nada de desvios da lei, mas vou assumir que tenha alguma coisa a ver com o debate.

    Se você me explicar, sem os esperneios usuais de “lucros exorbitantes e juros abusivos” que usualmente acompanham esse tipo de preconceito contra banqueiros, rentistas, seguradoras e afins, porque você acha que eles são diferentes de qualquer outro empregador, cooperativa ou mesmo o próprio Governo, eu posso até mudar de idéia.

    Ah, sim… pra contrapor a sua visão de que banqueiro gera como resultado a fome e a miséria de milhões e milhões no mundo, sugiro, numa boa, que você estude para quê serve o crédito (principalmente se você for estudante de Direito) e o trabalho de um senhor chamado Yunus. Vou dormir, falous.

  5. Baqueiros, rentistas e seguradoras são sim diferentes de Estado e universidades. Eles funcionam por uma lógica de lucro e não segundo o interesse público; apóiam-se na contribuição que o Estado lhes oferece sob a justificativa de que sustentam o crescimento da nação, um crescimento nem sempre acompanhado de desenvolvimento humano. De fato, crédito e mercado não são maus em si mesmos, tampouco são bons em si mesmos.
    Um mercado em que que competitividade não existe, pois é cada dia mais monopolizador, não é bom para a sociedade. Bancos que abrem mais crédito e cortam mais taxas quanto mais dinheiro o seu cliente tem não têm nada a ver com o trabalho de Yunus, baseado no microcrédito. A menos que se trate do Banco Palmas ou outros bancos comunitários, o que não é o caso.
    Certo é que as prioridades do governo federal, dos estados e municípios, nesses tempos de grandes eventos, estão perigosamente voltadas para soluções que se apresentam como medidas inescapáveis, a serem realizadas a toque de caixa, sem se proporcionar a devida discussão com a sociedade “não empreendedora”, quase sempre marginalizada. E isso é bem preocupante.
    .

    • Pô, eu acho que não me fiz entender. Se em algum momento eu comparei “banqueiros, rentistas e seguradoras” com Estado e universidade, não foi minha intenção (apesar de que Estado e Universidades são os maiores clientes de banqueiros, rentistas e seguradoras).

      Concordo em gênero, número e grau com a seguinte afirmação: “de fato, crédito e mercado não são maus em si mesmos, tampouco são bons em si mesmos”, principalmente quando reconhece que, no Brasil, não há concorrência nesses setores. Ele estão extremamente concentrados e isso é uma m…

      Não quis comparar o que os bancos brasileiros fazem, com a iniciativa do Yunus, mas é importante FRISAR que a lógica do Grameen é, e sempre foi, o LUCRO. A sacada é tão simples que chega a doer: existem mais pobres do que ricos; pobres não têm crédito nas instituições financeiras tradicionais e agiotas são o cão chupando manga; o risco moral (conceito econômico, não é “palavra gorda” do Menelick) de se tornar inadimplente é praticamente zero; resultado = genialidade! Tanto é voltado para o lucro, que o Grameen é zilionardário! E se tornou zilionardário tirando as pessoas da pobreza. Essa pedra, o Kanitz já tinha cantado a décadas.

      Agora, voltando pra discussão que o Telé propôs (e que foi desvirtuada por alguém no caminho com discursos de liberais, amantes do mercado comedores de criancinhas pobres):

      A) O Governo não está DANDO esse dinheiro, ele está tomando empréstimos para sustentar seus próprios gastos. O problema é que ele optou por remunerar com base na SELIC, e isso de fato está errado. Mas já foi feito. Segurança jurídica, ponto. A solução é PARAR de emitir ESSES títulos e transferir DE VEZ

      B) Gastos bilionários com a Copa do Mundo, incluindo a construção de estádios que se tornarão “elefantes brancos“
      C) Construir o trem-bala ligando São Paulo ao Rio de Janeiro (certamente muito mais estratégico para o país do que escolas e universidades)
      D) Aumentar os salários dos parlamentares
      E) Todas as respostas anteriores estão corretas…

      Só nos restam a indignação e a luta.

    • Pô, eu acho que não me fiz entender. Se em algum momento eu comparei “banqueiros, rentistas e seguradoras” com Estado e universidade, não foi minha intenção (apesar de que Estado e Universidades são os maiores clientes de banqueiros, rentistas e seguradoras).

      Concordo em gênero, número e grau com a seguinte afirmação: “de fato, crédito e mercado não são maus em si mesmos, tampouco são bons em si mesmos”, principalmente quando reconhece que, no Brasil, não há concorrência nesses setores. Ele estão extremamente concentrados e isso é uma m…

      Não quis comparar o que os bancos brasileiros fazem, com a iniciativa do Yunus, mas é importante FRISAR que a lógica do Grameen é, e sempre foi, o LUCRO. A sacada é tão simples que chega a doer: existem mais pobres do que ricos; pobres não têm crédito nas instituições financeiras tradicionais e agiotas são o cão chupando manga; o risco moral (conceito econômico, não é “palavra gorda” do Menelick) de se tornar inadimplente é praticamente zero; resultado = genialidade! Tanto é voltado para o lucro, que o Grameen é zilionardário! E se tornou zilionardário tirando as pessoas da pobreza. Essa pedra, o Kanitz já tinha cantado a décadas.

      Agora, voltando pra discussão que o Telé propôs (e que foi desvirtuada por alguém no caminho com discursos de liberais, amantes do mercado comedores de criancinhas pobres):

      A) O Governo não está DANDO esse dinheiro, ele está tomando empréstimos para sustentar seus próprios gastos. O problema é que ele optou por remunerar com base na SELIC, e isso de fato está errado. Mas já foi feito. Segurança jurídica, ponto. A solução é PARAR de emitir ESSES títulos, diminuir gastos fixos e INCENTIVAR o empreendedorismo. A alternativa é colocar todo mundo pra trabalhar pro Estado, o que, na minha visão, é furada.

      B) Concordo em gênero, número e grau. Nunca consegui aceitar que meus primos gastassem o dinheiro deles com futebol, que dirá o MEU.

      C) Aqui eu não sei se concordo ou discordo. Tem que ver na prática, na ponta do lápis. Pode ser que isso facilite as trocas. Pode gerar mais empregos, pode acontecer uma paulada de coisas. É uma nova ligação entre os principais centros econômicos do país. Isso não é ruim de per se. Mas também não é bom necessariamente. Tendo a gostar, mas não tenho certeza.

      D) Acho ÓTIMO. Vamos ver se isso ajuda a população a deixar de ser otária.

      Só nos restam a indignação e a luta.

  6. Fala, D.

    Estou adorando “ocupar” esse espaço do Telé.

    Seguinte, você está certo e o tio Thomas disse isso mesmo, mas o contexto era diferente. A própria “propriedade intelectual” ainda não estava tão madura como está hoje e o que ele quis dizer é que a única forma de eu excluir EFETIVAMENTE terceiros do uso de uma idéia é mantê-la em segredo.

    Agora, perceba que eu não cobrei o Telé pelo uso indevido de uma idéia que é de minha propriedade, mas porque ele está retirando utilidade (sentido econômico, mas cabe o filosófico também) de um conhecimento produtivo (e não meramente redistributivo, como seria o caso de insider trading, por exemplo) no qual eu investi recursos para obter. E se a sociedade permite, ou obriga, que essa informação seja compulsoriamente distribuída sem qualquer contraprestação para quem a obteve com ônus, no longo prazo, isso PODE desestimular o investimento de novos recursos nessa atividade e a própria sociedade perde com isso.

    Portanto a questão não é se eu tenho ou não propriedade sobre as idéias que manifestei nos comentários (a saber, eu não tenho), mas se o Telé está ganhando com isso sem ter investido recursos nessa obtenção (o que confessou estar fazendo).

    PORTANTO, há uma espécie de enriquecimento sem causa da parte dele, o que me autoriza a cobrança! 😀

    Iso é mentira, tem uma falha óbvia no meu raciocínio (que não tem nada a ver com ser amante do mercado, all hail to the FMI, power to the people, tree hugger e outras coisas do gênero). Você é estudante de direito, certo? Consegue identificar?

    Em tempo, minha dissertação de mestrado será em PI, mais precisamente, em um modelo regulatório de proteção a invenções (e talvez obras artísticas – direito autoral) que não envolva a concessão de monopólio, ou reduza-o a um detalhe mínimo do restante da política, se tiver interesse de continuar a discussão ou quiser indicações para textos mais interessantes!

    • Minha intenção nem era mudar de assunto, apenas mostrar que, mesmo para quem é a favor do mercado a coisa não é ‘all about money’, e que mesmo o sujeito que estampa a nota de dois dólares já disse isso algumas vezes. Afinal, dizer que a razão que lhe permite cobrar por algo é o benefício acidental que isto provoca é contraditório com a maior virtude do mercado, que é justamente a prosperidade geral provocada por pessoas trocando livremente seus produtos e serviços em busca do próprio bem estar (a não ser, claro que o benefício em questão fosse previamente acordado, como ocorreria em uma sociedade ou na prestação de um serviço).

      Nâo estudo nem nunca estudei direito (sou engenheiro), mas este trecho de Thomas Jefferson me chamou atenção por fazer muito sentido e ser muito geral, podendo ser aplicado em situações que nem o próprio TJ poderia imaginar (TJ fala em idéia, mas parte de um princípio que torna toda a descrição válida para informações, músicas, seqüências de bits,…). O fato da propriedade intelectual não estar bem desenvolvida àquela altura não desqualifica em nada seus argumentos.

      Vc ainda fala na sociedade ‘permitir ou obrigar’ o compartilhamento da idéia (informação, etc), quando na verdade o compartilhamento é fruto da própria natureza das idéias. Chega até a afirmar não possuir (posse e autoria são conceitos distintos) uma idéia que vc mesmo escreveu (talvez tenha psicografado). É a propriedade intelecutal que obriga grande parte das pessoas a se absterem de usufruir dos benefícios advindos de uma idéia. Trata-se de uma restrição à liberdade de muitos em favor do privilégio de poucos.Ninguém pode gravar “Smells like teen spirt” sem o consentimento do proprietários dos direitos, sendo que qualquer um consegue tirar os seus riffs. Claro que isto é uma liberdade um tanto frívola, mas TJ fala em instituir a propriedade exclusiva como incentivo (temos aqui duas hipóteses a avaliar: ou a PI incentiva ou não incentiva) ao desenvolvimento de idéias que possam produzir utilidade, segundo a conveniência da utilidade. Isto é só um comentário de blog.

  7. Fala D.,

    Eu tô meio lento hoje, então não consegui entender se você concordou, discordou ou nada-a-ver com meu comentário. Vou comentar apenas o que eu entendi, beleza?

    Com relação à validade dos argumentos de TJ, não confunda. Não desqualifiquei a opinião dele, mas a contextualizei. Isso é muito diferente. E o que ele quis dizer não é que a informação DEVE ser livre, apenas que ela é.

    Já quanto ao “permitir ou obrigar” o compartilhamento de idéias quis dizer o seguinte: se a sociedade não cria meios para que eu me “aposse”, ou seja, tenha exclusividade sobre os direitos de explorar determinadas idéias, ela está, justamente pela natureza do bem (distribuição a custo marginal que é igual a zero) obrigando a sua difusão. É assim, por exemplo, com teorias matemáticas, descobertas científicas básicas entre outros.

    De outro lado, com relação à PI obrigar a sociedade a se abster de usufruir dos benefícios, discordo veementemente. A PI é condicional. Vc só tem a patente se a desenvolver e disponibilizar para a sociedade, por exemplo. Não é permitido o depósito da patente e sentar em cima dela pra que ninguém mais use. Se não explorar, a patente decai.

    QUALQUER UM pode gravar “Smell like teen spirit”, mas, se o fizer, terá de pagar royalties e APENAS se for para uso comercial. Se você quiser tocar com seus amigos numa festinha privada, seja feliz!

    Quanto à maior virtude do mercado, para mim, não é um conceito de “prosperidade geral” genericamente elaborado, mas muito bem definido na literatura: o mercado, dentro de determinados parâmetros, possibilita que bens/serviços sejam alocados para aqueles que mais o valorizam.

    Seu carro vale para você, sei lá, R$ 20k. Para mim, ele vale R$ 30k. Se eu te pagar R$ 25k por ele, você me venderá. Produto social antes da troca: R$ 20k + R$ 25k = R$45k. Lucro social após a troca: você passou de R$ 20k para R$ 25k e eu passei de R$ 25k para R$ 30k = 5+30= R$ 55k. Excedente decorrente da troca igual a R$ 10k -> prosperidade!

    No caso do meu exemplo sacaneador hipotético do Telé. Digamos que, para o JT os benefícios de obter essa informação valha metade do que pagaria no meu mestrado R$ 20k e digamos que eu esteja fazendo o mestrado porque espero que minha renda aumente em R$ 2k a cada vez que eu prestar um parecer sobre esse assunto.
    Produto social antes da troca: 0 + -40k (custos que incorri para obter essa informação). Lucro social ESTÁTICO após a troca: 20K + -40= -20k.

    Opa, maravilha, o produto social aumentou! Prosperidade! Mas, isso não é um jogo estático e os agentes se comportam de modo estratégico. Numa sociedade em que só existissemos eu e JT, eu SABERIA que a regra do jogo é essa e PROVAVELMENTE não investiria os 40k para obter a informação. Assim o resultado correto do jogo é 0: nem eu estudo nem você adquire o conhecimento.

    Na verdade, essa questão de PI (considerando aqui apenas os monopólios, a saber, direito autoral e patente, ok?) incentivar ou não o desenvolvimento de novas invenções e criações intelectuais é uma discussão datada, salvo engano, de 1940 entre os economistas e resolvida em definitivo em 1970. Foi daí que surgiu aquela idéia, que muita gente defende mas não entende o que é, de Pesquisa & Desenvolvimento.

    Eu TAMBÉM achava que o problema de PI era esse, até que comecei a estudar pesado no mestrado o assunto e é impressionante como eu estava atrasado em relação ao mainstream.

    O monopólio (por 10, 15, 70 anos) não influencia em nada a fase de pesquisa (criação). Eu achei isso bizarro, mas faz todo sentido.

    Enfim, fechando a questão, isso também é só um comentário de blog.

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