O desenvolvimento de que o Brasil precisa

Especial Conferência de Desenvolvimento do IPEA.

A palavra desenvolvimento tem sido usada de forma vaga e imprecisa. Longe de ser sinônimo de crescimento econômico, que necessita de uma estratégia macroeconômica para ser alcançado, um projeto de desenvolvimento é uma construção política da sociedade, significando bem mais do que um mero crescimento da economia.

E não é um projeto para ser elaborado por economistas e especialistas, dentro de um ambiente exclusivo e essencialmente acadêmico.

Um projeto de desenvolvimento só será de fato um projeto social, e não apenas um plano econômico, se ele se transformar em movimento político da sociedade brasileira, envolvendo os seus mais amplos e representativos setores.

Não há dúvidas de que o Brasil precisa, urgentemente, de uma estratégia de crescimento e de desenvolvimento. Precisa ingressar em uma rota irreversível de crescimento com desenvolvimento, de modo a superar mazelas que há séculos caracterizam a sociedade brasileira.

Uma estratégia de desenvolvimento não é um plano de governo detalhado, assim como não deve conter respostas para a lista infindável de questões que afligem a sociedade brasileira. Uma estratégia de desenvolvimento deve ser construída no debate com e na sociedade. E esta construção deve se dar a partir de linhas gerais que descrevam o seu objetivo final e também a sua trajetória, isto é, o conjunto de políticas públicas, procedimentos e regras para se formatar e reconfigurar, continuamente, um novo país.

Vale lembrar o que escreveu Celso Furtado, em seu livro Um Projeto para o Brasil: “que nunca é demais repetir e insistir que o desenvolvimento se faz para o homem”. E o ponto de partida para um projeto de desenvolvimento, como ele afirmava, não deve ser a taxa de investimento ou a dimensão do mercado, “mas sim o horizonte de aspirações da coletividade”.

Portanto, o objetivo final de uma estratégia de desenvolvimento deve ser a construção de uma sociedade democrática, tecnologicamente avançada, com emprego e moradia dignos para todos, ambientalmente planejada, com uma justa distribuição de renda e da riqueza, com igualdade plena de oportunidades e com um sistema de seguridade social de máxima qualidade e universal, cujas partes imprescindíveis devam ser sistemas gratuitos de saúde e educação para todos os níveis e necessidades. (*)

*Excerto da apresentação do livro Planejamento e Desenvolvimento – João Sicsú e Cláudio Dias Reis (Org.)

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