A mobilização da juventude na construção de alternativas de desenvolvimento do país

Por Laila Maia Galvão

Ontem tive o prazer de mediar uma das oficinas da Conferência de Desenvolvimento organizada pelo Ipea. O tema da oficina promovida pelo DCE-UnB e pelo B&D era o seguinte: A mobilização da juventude na construção de alternativas de desenvolvimento do país. Como debatedores, contamos com a presença de Rafael Anjinhu, do DCE-UnB, que relatou um pouco de sua experiência na ocupação da reitoria da UnB em 2008; Artur Sinimbu, um dos participantes do movimento Fora Arruda e Toda Máfia e da ocupação da câmara legislativa do DF em 2009; Antonio Neto, Coordenador de Juventude do MST; e Marcelo Pomar, militante do Movimento Passe Livre em Florianópolis.

O breve relato aqui não é uma transcrição fiel das falas dos debatedores, mas sim o reflexo das minhas impressões do debate (peço perdão aos debatedores por imprecisões ou equívocos).  Foi bastante interessante a maneira como os debatedores buscaram refletir sobre os conceitos de “juventude” e de “desenvolvimento”, para depois desconstruí-los. O Anjinhu, por exemplo, se disse incomodado com a maneira como se construiu uma imagem de “juventude heroína” no momento da ocupação da reitoria. Assim, ele chama atenção para o fato de que a juventude é importante não porque ela é “o futuro da nação”, mas sim porque a juventude pode dar sua contribuição para o debate não apenas no futuro, mas no presente também.

O Artur, por sua vez, perguntou “afinal, o que é juventude?”. Complicada seria a opção de determinar juventude somente pelo recorte de faixa etária.  Essa juventude, portanto, tem pessoas das mais diversas origens e faixas etárias. Nessa juventude, há estudantes que só estudam, há estudantes que também trabalham, há trabalhadores. Portanto, não é possível delimitar uma única resposta para o que seria essa juventude.

O Artur também chamou atenção para o conceito de desenvolvimento e criticou a visão que limita desenvolvimento ao crescimento do PIB. Disse que é preciso pensar em desenvolvimento humano, que não se restrinja a números e indicadores que apenas reforçam uma determinada visão de mundo (afinal, não é por outro motivo que os índices de distribuição fundiária não são precisos e não são amplamente divulgados e nem levados em consideração para se “medir” desenvolvimento).  Essa crítica a uma visão de desenvolvimento como crescimento econômico é algo que vem sendo debatido pelo B&D constantemente e é uma crítica que todos os debatedores trouxeram para a discussão na oficina de ontem.

Neto, coordenador de juventude do MST, ressaltou a importância da reforma agrária para o desenvolvimento do país. Assim, o desenvolvimento passa, inerentemente, pelo processo de construção de uma nova sociedade, em que o desenvolvimento não seja apropriado de forma privatista. A reforma agrária, portanto, além de democratizar o acesso à terra, visa criar novas oportunidades também no campo: com educação, saúde, cultura e lazer para os agricultores.

Marcelo Pomar nos contou como o Movimento Passe Livre, antes um movimento de estudantes pela luta do passe estudantil, se transformou num fórum de debate e de luta por direito à cidade e mobilidade urbana. Segundo ele, não há mobilidade social sem mobilidade urbana. Assim sendo, uma vez que o transporte é um serviço público essencial, de acordo com a Constituição de 1988, é preciso que o transporte coletivo fuja da lógica mercantilista e se transforme em real instrumento de acesso à cidade.

O conceito de desenvolvimento está também em disputa. A oficina, portanto, foi muito interessante para demonstrar que os grupos precisam se articular para destacar que a alternativa de desenvolvimento que queremos construir não se restringe a prosperidade econômica, mas vai muito além. A ressignificação do conceito de desenvolvimento, que deve abranger em seu conteúdo democratização de todos os espaços, direito à cidade, reforma agrária etc, é parte dessa luta.

Agradecemos pela participação dos debatedores e também de todos que estavam presentes na oficina.

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2 respostas em “A mobilização da juventude na construção de alternativas de desenvolvimento do país

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