Radicais Livres

Reproduzo abaixo ótima matéria do jornal Campus Online sobre uma atividade do Radicais Livres, de São Sebastião. O B&D começou faz poucas semanas o diálogo com alguns membros fundadores desse grupo, tendo em vista projetos conjuntos. Como já disse aqui antes, temos muito a aprender com eles…

Domingo, 14 de novembro de 2010 14:07

Música e poesia da comunidade

Escrito por Maryna Lacerda

Toda segunda sexta-feira de cada mês acontece, em São Sebastião, o Sarau Radical. O evento é organizado pelo grupo “Radicais Livres”, que tem o objetivo de democratizar a cultura na cidade. A programação inclui declamação de poesia de artistas locais e apresentação de bandas do DF e de outros estados. Os saraus existem há sete anos e surgiram como resposta à falta de atividades culturais na cidade e de iniciativas do Poder Público.

Segundo Vinícius Borba, assessor de comunicação do Radicais Livres, “ nós começamos o Sarau Radical em função da falta de políticas culturais reais para São Sebastião. Às vezes, nem eram atores da cultura que estavam dirigindo a Diretoria Regional de Cultura. Nossa Diretoria Regional de Cultura era ocupada por pessoas que nem moradores da cidade eram.Eles vinham pra cá e resolviam o problema deles, os problemas da comunidade continuava pendente.”

Um dos pilares do projeto é permitir que a comunidade se expresse. Qualquer pessoa que deseje expor sua arte é convidada ao palco. Com isso, acontece um processo de revalorização do indivíduo e de resgate da auto-estima. O poeta Diogo Ramalho, 24 anos, é estudante de Pedagogia na UnB e destaca a importância que o Sarau teve em sua vida: “Encarar o microfone a primeira vez foi difícil. Mas me levou a conhecer pessoas que eu nem imaginava conhecer. E pessoas que eu via, o Nicholas [Behr, poeta brasiliense] e que depois me reconheceu como poeta.”

Foto: Júlia Libório
DSC_0787
Saulo Dias, presidente do “Radicais Livres” e Diogo Ramalho, poeta e estudante de Pedagogia na UnB

Amadores e profissionais

Vinícius Borba destaca ainda que o Sarau coloca amadores e profissionais no mesmo palco, o que, segundo ele,  “potencializa os amadores”. Isso fez com que surgissem, por exemplo, várias bandas de rock na comunidade. “O sarau seria o momento de colocar para fora todo o sentimento que tava ali guardado”, diz.
Não por acaso, a poesia já conta com a participação até de crianças. Camile, 10 anos, faz poesia desde os nove. Ela conta que começou a escrever porque via a mãe, o pai e o irmão também escrevendo. E,  quando questionada qual sentimento deseja expressar em seus versos, ela responde prontamente: “Carinho”.

Foto: Júlia Libório
DSC_0812
Camile, 10 anos já é poetisa

Nem só tragédia ou só coisa boa

Na última sexta-feira, 12 de novembro, a banda Ataque Beliz, do Paranoá, se apresentou no Sarau Radical. O estilo de música que fazem é, segundo Higo Melo, integrante do grupo, “proposta de rap diferente do estilo de Brasília, uma coisa mais musical”. Eles são ganhadores do RPB Festival 2009, festival de novos talentos do rap, organizado pela Central Única de Favelas ( CUFA). A música deles fala sobre o cotidiano, não somente tragédia: “Nada na favela ou em qualquer classe social é só tragédia ou só coisa boa. A gente queria se aproximar do nosso cotidiano, falar das favelas, mas também do que acontece no geral”.

Foto: Júlia Libório
DSC_0821
Ataque Beliz, banda ganhadora do RPB Festival 2009
Última modificação em Domingo, 14 de novembro de 2010 15:17
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s