O Partido. Para além do Partido.

Por Gabriel Santos Elias

“Viver é tomar partido” Gramsci

Partido vai muito além daquela instituição conhecida e propagandeada, daquele símbolo, daquela sigla, daquele número. Para Weber, partido é uma associação que visa um fim deliberado, seja ele objetivo, como a realização de um plano com intuitos materiais ou ideais; seja pessoal, ou seja, obter benefícios, poder e gloria; ou para todos esses objetivos conjuntamente.

Para Gramsci, o partido é o centro de uma rede de organizações políticas e sociais que compõem a sociedade civil. Gramsci vai buscar na figura do Príncipe de Maquiavel o símbolo que o partido moderno comprometido com a transformação social deveria representar. Enquanto Maquiavel creditava a um indivíduo especial, o tal Príncipe, o papel de modernizar a sociedade, Gramsci credita à ação coletiva o papel de revolucionar essa modernidade.

Para ele, o papel do príncipe moderno é ser o agente da vontade coletiva transformadora. O papel do partido seria, portanto, ir além das forças pequenas, locais, restritas e corporativistas para contribuir para a construção de uma vontade coletiva nacional-popular.

Nessa construção o papel dos intelectuais orgânicos é muito importante. Como já vimos AQUI, a noção de intelectual para Gramsci vai além do perfil simplista com o qual estamos acostumados. Para Gramsci, o papel do intelectual orgânico é o papel de “mobilizador” da sociedade para a sua transformação.

Recuperei esses breves conceitos sobre partido político para refletir sobre nossas ações políticas e a organização da esquerda no Brasil de hoje.

Ser de esquerda não é fácil. Com atividades e pensamento naturalmente contra-hegemônicos – senão não seria esquerda –, ainda que aliados a métodos e alianças com elementos da atual hegemonia, enfrentamos muitas adversidades.

Devemos pensar o Partido como meio de chegar ao nosso objetivo comum, um objetivo construído coletivamente. Essa idéia de partido não necessariamente coincide com a instituição partidária, aquela figura bem delimitada, com um presidente, um sigla, número e registro no TSE. O problema é justamente essa confusão.

Devemos entender a importância da disputa institucional (disputar eleições, ganhar vagas no parlamento, presidência, votar projetos no congresso) para atingirmos nossos objetivos e termos melhores condições de luta para os movimentos sociais, mas não podemos permitir que a disputa institucional fragmente nossa luta social. É claro que sempre somos incentivados a dar maior importância para as eleições, pensar que democracia é só aquele ato que participamos de quatro em quatro anos, essa é a hegemonia liberal e devemos ir além dela.

Entendendo que a disputa deve ir muito além dos votos devemos retomar o verdadeiro sentido das nossas lutas, nossos objetivos fundamentais de transformação da sociedade, e retomar o verdadeiro papel de partido, mobilizando a sociedade para a construção coletiva de uma alternativa concreta para a nossa sociedade. Só para ressaltar, isso vai muito além de PT, PSOL, PMDB e etc…

Twitter: @GSantelli

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