Democracia Vivenciada

Por Gustavo Capela

A honestidade intelectual tem um papel fundamental na argüição dos formadores de opinião. Os livros que tem me acompanhado nessas últimas semanas chamam  atenção para isso. Em todos eles há um grande convite à ação. Todos dizem: “não é suficiente ler, não é suficiente ME ler”. Democracia é algo a se vivenciar, não algo para se ler sobre. Se tem algo que essas eleições nos mostram é como falta vivência democrática a nosso país. Parece que não sabemos cobrar, como povo, pautas que nos envolvam, que nos mobilizem suficientemente para a mudança estrutural que o país necessita.

Estrutural porque ainda utilizamos quase 50% do nosso PIB para pagar uma dívida a meia dúzia de banqueiros; estrutural porque ainda gastamos milhões, bilhões, com construções de prédios públicos lindo-maravilhosos e alegamos falta de verba para educação e saúde; estrutural porque pagamos um funcionário de nível fundamental no Senado mais que 7 mil reais enquanto professores da rede básica ainda ganham 900 reais.

O único candidato que tratou desses temas de forma contundente foi tratado como piadista. Simplesmente pelo bom humor que lhe é peculiar. Certamente é piada, daquelas bem engraçadas, ouvir um debate público sobre nosso sistema político sem tratar diretamente de questões fundamentais para ativar e energizar o espaço público. Somos obrigados, então, à aturar ataques moralistas de uma imprensa que está cada vez mais se mostrando inapta a entender o conceito de democracia.

Apesar de todos os pesares, e respaldado por todas as criticas que podem ser feitas ao projeto do Partido dos Trabalhadores (afinal, ainda é deles?), a candidatura de Dilma, em nosso espectro institucional e dentro das possibilidades que nos são apresentadas, apresenta maiores avanços do que o de Serra. Aliás, tenho grandes dificuldades em enxergar na política “mais-neoliberal” de Serra qualquer tipo de adianto na caminhada democrática.

Como disse no início, democracia é algo que se vivencia, é feita nas disputas, nas lutas do dia-a-dia e na constante criação de condições de possibilidades dentro do espaço público de decisões. Prefiro e faço campanha por quem fala uma língua mais parecida com a minha e, ao final do dia, pode reconhecer que os movimentos sociais e a sociedade civil (organizada e desorganizada) ainda são os verdadeiros soberanos da nação.

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2 respostas em “Democracia Vivenciada

  1. Parabens Gustavo você sempre brilahnte em suas colocações.
    Alem da Dilma falar um discurso mais igual, vamos ter a honra de ter uma mulher na direção desta nação. Mais leve, mais responsavel e até mais paciente.Avante Dilma o Brasil lhe aguarda. um abraço vermelho May

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