Voto Agnelo, por mais cidadania no DF.

Por Gabriel Santos Elias

Certa vez um amigo me disse que candango é todo aquele que vem ao DF com o objetivo de construir Brasília. Ainda hoje, todos os anos, chegam candangos ao Distrito Federal. Talvez construir Brasília não seja o principal objetivo deles ao chegar, como não era o meu quando vim para estudar na UnB. Mas, ao chegar à Brasília e se deparar com os problemas e com os encantos desta cidade, é impossível não se importar. Somos carregados pelo ímpeto de cuidar de Brasília, construir, reformá-la, transformá-la. Assim, também nos transformamos, todos, em candangos.

O último ano foi especial nesse processo, pelo menos para mim. Nesse ano foi possível ver a face triste e indignante de um Governo que utiliza do clientelismo e do desrespeito à população para favorecer um grupo de algumas dúzias de grandes empresários privilegiados. Mas foi possível também ver a face da esperança de Brasília. A face que não se conforma, luta e se impõe.

Essa é a história de Brasília. Uma história de luta e sofrimento. Sofrimento pela exclusão que está em seu cerne, desde que, no momento de sua inauguração, 100 mil candangos que haviam participado do processo de construção de Brasília, não tinham sequer onde morar. O candango, aquele que inicialmente saiu de suas casas, morou em barracos nesse chão de terra vermelha para construir os palácios e os prédios de Brasília, não foi reconhecido como cidadão e se estabeleceu à margem da nova sociedade brasiliense.

Roriz chegou na nossa historinha num momento em que a Ditadura Militar havia derrotado os ideais de igualdade que foram pensados para Brasília. Ao invés de resolver o problema da exclusão que vivam os trabalhadores das cidades satélites, Roriz resolve personalizar pequenas melhoras na vida desse povo, sem de fato os incluir em um contexto de cidadania e de plenos direitos sociais. Através de diversos processos de cooptação e personificação das ações do Estado, foi criado um coronel típico do sertão nordestino em plena capital do país, que tomou conta da política local. O problema maior desse tipo de política é que, para se sustentar no poder, o político deve manter o povo necessitado e grato por pequenas benesses. É nesse sentido que eu vejo sinceridade quando o Roriz diz que “ama os pobres”.

No primeiro turno votei no Toninho do PSol. Votei nele porque achei importante o confronto que ele fez com o Roriz nos debates e em todo seu discurso. Identifiquei-me também por ele não cair no discurso fácil contra invasões que muitas vezes criminaliza movimentos sociais que lutam por condições de moradia digna no DF. Não acho que as invasões são o problema da política no DF, mas a forma como Roriz se utilizou dessa política para manter um eleitorado fiel sem providenciar condições dignas de acesso aos Direitos mínimos de cidadania.

Agora é o segundo turno e é momento de tomar posição radical contra o clientelismo e a corrupção no sentido mais profundo do termo, quando o Estado se corrompe sem seguir a razão pública em suas ações. Por mais que eu discorde radicalmente da aliança feita com uma parte podre da política brasiliense pela candidatura Agnelo, não faz sentido tentar igualar os dois projetos e anular-se nessa disputa, anulando o voto.

Essa aliança possivelmente limitará as ações de enfrentamento do Governo à problemas importantes como transportes, ordenamento territorial, pois teria que enfrentar seus aliados. Mas acredito que Agnelo, como Governador, será capaz de recuperar a estrutura de serviços públicos, principalmente de saúde e de educação, que estão caindo aos pedaços e fazendo a população sofrer mais que o normal. É possível crer que este governo será capaz de implantar um programa de acesso a moradia digna e urbanização que melhorem efetivamente a vida das pessoas e os inclua um pouco mais ao que se considera cidadania de fato. Não é a mudança necessária, mas nas condições apresentadas, é uma escolha por seguir esse caminho que ainda contará com muita luta.

Romper com a idéia de dependência a um político supostamente benevolente e apresentando ao povo uma idéia de que os Direitos devem ser garantidos pelo Estado, independentemente de quem esteja no poder é importante para acabar de vez com o coronelismo no DF, como já foi feito em muitas regiões do nordeste. Rompendo com esse longo ciclo de atraso e dependência, poderemos lutar pelos nossos ideais em condições melhores e com mais segurança! Por isso, votei Toninho e agora voto Agnelo. Por escolher o caminho da cidadania, esse longo caminho…

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