Um tributo ao movimento estudantil

Por Gustavo Capela

Hoje, o grupo Brasil e Desenvolvimento foi entrevistado pela MTV sobre o tema: “Jovens que se envolvem com política”.

Uma das perguntas da entrevistadora disse respeito à idéia, comumente aceita, de que participar do movimento estudantil significa não estudar, significa, em síntese, ser vagabundo.

Nossa resposta foi curta e grossa: essa idéia é um preconceito. Preconceito de uma sociedade na qual o indivíduo está mais acostumado a preocupar-se com seus próprios anseios do que com o outro; na qual trilhar caminhos diversos e mais coletivos é tido como burrice.

Nos quase-seis anos que estudei na Universidade de Brasília, as pessoas que mais me influenciaram, mais me marcaram e as que eu mais respeito são aquelas que doaram seu tempo em prol de uma construção coletiva. Posso dizer, com toda certeza, que muita de minha “formação” veio da participação em espaços coletivos, onde convenci e fui convencido, onde, com mais freqüência, enxergava o outro diante de um “eu” ainda muito imaturo.

Como disse hoje na entrevista, é fácil para quem estuda na UnB, ou para quem tem acesso aos meios de comunicação e a uma educação de alto nível, preocupar-se com ganhos pessoais, com vitórias unicamente individuais. Nós fomos todos treinados para isso. O difícil é sair do molde pré-fixado e fazer algo sem o mero pretexto de “ter consciência social”. Afinal, o que é essa tal de consciência social se não a construção coletiva por meio de barganhas e convencimento no espaço público de idéias? Há espaço mais propício para um embate constante de visões diferentes do mundo que o movimento estudantil? Acredito que não. Até porque, possuir idéias no corredor, e “debater” com amigos, tendenciosamente sempre concordando com você, não conta.

Por isso, é importante enaltecer o movimento estudantil e, em especial o da UnB, cuja luta contra o “pensamento comum”, o “mesmismo” e a falta de ação social vem de berço. É necessário que mais e mais pessoas sigam essa tendência e disputem o espaço público com suas idéias, tornando o lócus mais plural e, consequentemente, mais significante, em todo o seu sentido.

Assim, talvez, com muito esforço, nosso mundo se torne mais humano.

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2 respostas em “Um tributo ao movimento estudantil

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