Desigualdade no Distrito Federal

Por Gabriel Santos Elias

Recentemente o IPEA lançou um comunicado sobre a pobreza no Brasil. Os dados trazem tristes conclusões sobre a evolução da pobreza no Distrito Federal.

O estudo analisa os dados do PNAD do IBGE de 1995 a 2008. Nesse período o Brasil reduziu em 33,6% a pobreza absoluta (famílias com renda per capita de meio salário mínimo) e em 48,8% a pobreza extrema (famílias com renda per capita de um quarto de salário mínimo). Mesmo com essa redução, 10,5% da população ainda vive em estado de pobreza extrema e 28,8% em pobreza absoluta.

Durante todo esse período o Distrito Federal foi um dos estados com menor diminuição da pobreza.

Crescimento sem distribuição de renda

Desde 1995 até 2008 o DF foi o segundo estado que mais enriqueceu, aumentado em 6,5% o PIB per capita. No entanto, esse enriquecimento foi para poucos. Os números mostram que o Distrito Federal é hoje o estado onde a diferença entre os ricos e os pobres é a maior no Brasil. Enquanto todos os estados tiveram redução de desigualdade, o DF na contra-mão da história foi o único lugar do Brasil em que a desigualdade cresceu.

Exclusão

Essa história não é nova para uma cidade que desde sua fundação esqueceu os trabalhadores que a construíram. Esses trabalhadores tiveram que se arranjar para sobreviver sem qualquer apoio do Estado – que os consideravam “invasores”. Esses números recentes mostram que não é um problema apenas de origem. Os governantes dos últimos 15 anos contribuíram para piorar esse quadro de exclusão. Fazem isso ignorando a presença distante dos muitos miseráveis. Em Brasília não os vemos no caminho do trabalho para casa.

Lago Sul

Estrutural

Hoje temos dois mundos distintos no DF. Mundos distantes tanto economicamente como espacialmente mesmo.  Somos poucos com ótimas condições de vida, carros importados, acesso a serviços de saúde de qualidade, bons locais para se divertir e muitos sem nenhum acesso a serviços que garantam um mínimo de qualidade de vida. Esse mínimo de qualidade de vida é a falta de coisas básicas mesmo, tipo saneamento, asfaltamento, serviços de saúde, transporte. Perguntar sobre opções de lazer para os jovens pobres do DF parece até brincadeira. Esses números mostram que Brasília é uma cidade que exclui.

O Estado tem um papel essencial nesse aumento da desigualdade. A prioridade dos sucessivos governos não têm sido os mais pobres, os que mais dependem dos bens públicos que o Estado deveria obrigatoriamente oferecer. A prioridade é aumentar vias para mais carros, criar um novo complexo de restaurantes à beira do lago, construir um novo bairro de apartamentos milionários. O resultado dessa política não podia ser outra que não o aumento da diferença entre ricos e pobres no DF.

Lago Sul

Estrutural - Deu até no New York Times

Esse é um ano importante para nos debruçarmos sobre esses números. É um ano em que devemos pressionar por mudanças nas políticas feitas no Distrito Federal. Não podemos aceitar esse nível de retrocesso, uma vergonha nacional. Brasília é uma cidade que exclui, exclui até sua própria realidade. Esse ano temos o compromisso de pautar essa desigualdade nas eleições, eleger pessoas comprometidas verdadeiramente com a redução da desigualdade, fazer o acompanhamento posterior dos eleitos e denunciar quem não se compromete com políticas de redução da desigualdade. É uma situação que deve ser levada a sério por todos nós para que seja levada a sério também pelos governantes, para que realmente ocorra uma mudança concreta nessa grave situação.

Twitter: @GSantelli

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2 respostas em “Desigualdade no Distrito Federal

  1. Gostaria que se possível os autores dessa reportagem a tirasse do ar a carater de que a mesma tem um carater pejorativo a Estrutural, e que a mesma evoluiu e não encontra – se mais nessas condições aqui expostas através de fotos. Desde de já agradeço

    Atenciosamente,
    Maycon Assunção

    • fala serio, essa reportagem nao esta denigrindo a estrutural, esta mostrando apenas o enorme abismo ki é exposta pela sociedade, ou vc acha ki a estrutural é um bom bairropra se viver e criar um filho?

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