A volta às bases

Por Gabriel Santos Elias

Uma questão tem me incomodado bastante recentemente: Como o “basismo” tem sido levantado por parte da esquerda para legitimar posições políticas conservadoras. Vi esse argumento principalmente quando Fillipelli (PMDB) foi escolhido para ser vice de Agnelo Queiroz (PT) aqui em Brasília.

Filippelli representa o típico oligarca local brasiliense, perderia por pouco para algum Sarney ou ACM. Amigo tanto de Arruda como de Roriz em algum momento da vida, hoje se torna amigo dos petistas. A contragosto de boa parte do PT, a aliança foi aprovada.

Brasília tem uma política bem atípica para uma cidade dita modernista. Ao longo de sua história de desigualdade entre o Plano Piloto e as cidades satélites um grupo de políticos de fortaleceu ao trabalhar o apoio da maioria pobre da capital. O caso clássico é de Joaquim Roriz que, como Governador Interventor da Ditadura Militar, fez propaganda em rede nacional chamando pessoas de todo o Brasil para morar em Brasília, cedendo lotes de graça. Essa tática política gerou um apoio majoritário histórico a esse tipo de política em Brasília.

A esquerda, que deveria combater esse tipo de prática, resolve então se aliar a ela. Com o pragmatismo eleitoral – por alguns minutos a mais de propaganda eleitoral e para fortalecer uma também questionável aliança nacional – esquece o momento histórico de mudança da capital e se aproveita do apoio histórico das “bases” a esses políticos.

O problema é exatamente esse, o pragmatismo do discurso basista. Não se valoriza o trabalho de base, apenas busca sua legitimação para uma política, qualquer uma. Assim não se constrói um poder popular.

E esse é um problema sério quando o PT se populariza entre as classes mais baixas na onda da popularidade do Governo Lula. Compartilho da opinião de Maria da Conceição Tavares, de que o PT deve “colar” nesse “lulismo”. Deve aproveitar essa abertura que existe agora para se aproximar e fazer o trabalho de base autêntico.

No trabalho de base a relação entre ativista político e a população é horizontal. Da mesma forma que não se chega acreditando-se superior, com mais conhecimento, mais preparado, não se deve pegar o discurso daquele povo oprimido e tomá-lo como a verdade, em contraposição ao nosso conhecimento. As experiências de vida, experiências políticas e conhecimentos adquiridos ao longo da vida devem ser considerados no mesmo patamar para haver diálogo, conflito, e trocas de experiências de forma que se construa um autêntico poder popular.

Pretendo escrever mais sobre a importância da valorização do poder popular. A importância do trabalho de base, da emancipação do povo, o desenvolvimento de uma consciência crítica a respeito das nossas realidades. E sobre o nosso papel político de interferir nesse processo, garantindo a autonomia do povo e principalmente o respeito a sua cultura e tradições, mas aproveitando o potencial político que se constrói ao valorizar o poder popular. Aumentar o valor do povo como sujeito político.

http://twitter.com/GSantelli

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s