Eles querem democracia no DF?

Por Gabriel Santos Elias

Há quase cinco meses mostrávamos aqui a brutalidade da repressão policial à uma manifestação pacífica contra o Governo Arruda nas ruas em frente ao Palácio do Buriti.

Há exatamente quatorze anos, em 17 de abril de 1996, 19 manifestantes do Movimento dos Sem Terra foram sumariamente assassinados pela Polícia Militar em Eldorado dos Carajás, quando já haviam sido rendidos. Foram realmente executados com requintes de crueldade.

Hoje, a Câmara Legislativa faria a eleição indireta do Governador do Distrito Federal. Desde a ocupação da Câmara Legislativa o direito de livre acesso dos cidadãos à Câmara está impedido. Estudantes se organizaram para protestar tanto contra essas eleições, consideradas ilegítimas por eles e pelo Procurador Geral da República, quanto contra a proibição do acesso dos cidadãos ao acompanhamento do exercício de nossos representantes parlamentares. A Casa do Povo está sem o povo e eles avaliaram que essa situação é inaceitável.

Os policiais estavam preparados para a manifestação. Levaram um exército de mais de 300 militares para enfrentar os temíveis estudantes.

Via @guimoraesrego

Ao longo do dia mais e mais pessoas chegaram para se manifestar contra aquela situação ridícula que acontecia. Ao tentar simbolicamente forçar a entrada no prédio que deveria estar aberto a população a polícia violentamente agrediu a massa de manifestantes.

O que esses três eventos tem a ver entre si? Primeiro: a violência do Estado sobre a sociedade civil que se organiza para reivindicar direitos. Segundo e mais grave: a impunidade dos responsáveis por essas ações.

Em quatorze anos nenhum policial foi responsabilizado pelo assassinato dos camponeses. A luta no campo no estado do Pará hoje é onde a disputa por terra mais mortes gera no Brasil.

O Coronel Silva Filho, homem por trás da ação policial do dia 9 de dezembro do ano passado na praça do Buriti, não foi punido pela forma como reprimiu aquela manifestação pacífica. Mesmo tendo sido gravado em uma cena ridícula, não fosse trágica, rolando no chão ao atacar fisicamente um manifestante.

Hoje era o mesmo Coronel Silva Filho que coordenou a ação policial de repressão manifestação dos estudantes. Com experiência acumulada no trato com manifestantes os policiais desta vez tomaram o cuidado de tampar das lentes dos fotógrafos suas ações truculentas. Com isso conseguiram evitar as famosas imagens da violência policial e levaram três manifestantes para serem internados no hospital. Um deles preso, algemado e ensangüentado. Três manifestantes foram presos sem qualquer base legal. Várias outras pessoas foram feridas em diferentes graus, entre eles nosso amigo e advogado do movimento, Marcio Freitas.

Não podemos condenar a impunidade só dos políticos que elegemos. A impunidade de policiais que praticam atos como esses também deve ser alvo de manifestação da população que deseja que o poder político do Distrito Federal seja verdadeiramente democrático e popular. É impossível pensar um poder do povo se o povo não tem o direito de se manifestar, se o povo tem medo dos agentes desse poder.

Hoje foi um amigo meu, ferido e preso injustamente. Amanhã pode ser o seu!

Se queremos mudar o DF, temos que mudar rapidinho as pessoas responsáveis por essas ações. Temos que exigir a imediata saída do Coronel Silva Filho de qualquer atividade de comando de ações policiais. #ForaSilvaFilho É uma campanha pelo direito de organização popular e de manifestação, essenciais a qualquer democracia.

P.S.: Sobre a eleição de Rogério Rosso para Governador, nada a comentar. Eleições ilegítimas não poderiam gerar um resultado legítimo. #ForaRosso é só uma conseqüência lógica, #IntervençãoJá é uma necessidade urgente!

P.S.2: Essa é a semana de Brasília, você vai comemorar ou protestar???

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3 respostas em “Eles querem democracia no DF?

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