André Gorz – Parte I

Por Laila Maia Galvão

Apresentação. André Gorz é um filósofo, sociólogo e jornalista, que publicou diversos livros sobre teoria social e política ao longo de seus 84 anos de vida. Atualmente, seus escritos servem de referência para a reflexão sobre o mundo contemporâneo.

História de vida. Gorz é filho de pai judeu e mãe católica. Seu nome verdadeiro é Gerhard Horst. Nasceu em Viena, na Áustria, em fevereiro do ano de 1923. No momento em que a Áustria foi ocupada pelos nazistas, sua mãe o levou para a Suíça, para evitar sua prisão por decorrência de sua ascendência judaica. Lá permaneceu até o fim da guerra e estudou nesse período engenharia química e passou a ter contato com a obra de Jean-Paul Sartre. Após a guerra, mudou-se para a França e passou a adotar o pseudônimo André Gorz. Trabalhou em diversas publicações, como as revistas Les Temps Modernes e Le Nouvel Observateur. Era amigo próximo de Sartre. Seus livros publicados a partir de 1958 influenciaram o chamado marxismo-existencialista francês do pós-guerra. Foi um dos inspiradores do Maio de 1968. Seu livro Estratégia Operária e neocapitalismo, de 1964, figurou como um referencial para os militantes da Nova Esquerda.

Precursor do estudo da ecologia. Na década de 70, Gorz publicou livros e artigos sobre o tema, que se tornaram referência para os movimentos ecológicos em todo o mundo. Foi um dos principais mentores da chamada Ecologia Política. Suas principais obras sobre o tema são Écologie et politique e Capitalisme, socialisme, écologie (os quais não foram traduzidos para o português).

Adeus ao proletariado. Esse é o título do livro de Gorz de 1980, em que ele coloca em questão algumas das premissas do marxismo, o que gerou à época grande polêmica. Movimentos franceses marxistas criticaram duramente o trabalho de Gorz. Hoje, muitos intelectuais reconhecem que Gorz estava à frente de seu tempo, publicando, já em 1980, prognósticos do desenvolvimento da economia globalizada. Foi também nessa oportunidade que Gorz explorou o conceito de neo-proletariado e a emergência de uma não-classe de não-trabalhadores, questionando, dessa forma, o lugar privilegiado da classe trabalhadora industrial como agente da história na teoria marxista.

Maiores influências. As principais referências de Gorz foram Sartre e Marx.

Livros publicados no Brasil: Estratégia operária e neocapitalismo (1968), O socialismo difícil (1968), Adeus ao proletariado (1982), Crítica da divisão do trabalho (2001), Metamorfoses do trabalho – busca do sentido, crítica da razão econômica (2003), Misérias do presente, riqueza do possível (2004), O imaterial – conhecimento, valor e capital (2005) e Carta a D. – história de um amor (2008).

Peculiaridades. Gorz é, acima de tudo, um crítico do capitalismo. Foi um dos importantes intelectuais que se debruçaram sobre o estudo e crítica do mundo do trabalho no século XX. Muitos reconhecem nele a capacidade de fazer um interessante diagnóstico de nossa época, além de propor alternativas para a crise social atual. Gorz sempre mesclou a reflexão com a militância política ao longo de sua vida. Ao contrário dos teóricos e economistas que enxergam no trabalho assalariado a salvação, Gorz propôs a redução do tempo de trabalho, a renda de cidadania e o estímulo a atividades de grande valor social, mas sem valor de mercado, como forma de estabelecer um contraponto ao capitalismo contemporâneo que busca impor a lógica das relações de mercado para todas as esferas da vida. Foi um crítico do estruturalismo e da redução do sujeito e da sociedade face à razão econômica.

Suicídio e amor. Viveu com Dorine, sua mulher, por quase sessenta anos. Ambos se suicidaram em 22 de setembro de 2007, em Vosnon, na França. História de um amor, Carta a D., foi seu último livro, escrito para homenagear a mulher e companheira. Nesse livro, em forma de carta, Gorz já sinalizava a impossibilidade de viver sem sua amada, que havia sido acometida por uma grave doença: “Não quero assistir à sua cremação; nem quero receber a urna com as suas cinzas (…) Eu vigio a sua respiração, minha mão toca você. Nós desejaríamos não sobreviver um à morte do outro. Dissemo-nos sempre, por impossível que seja, que, se tivéssemos uma segunda vida, iríamos querer passá-la juntos”.

* Outras reflexões sobre a obra de Gorz serão publicadas posteriormente.

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