Liberdade para Cesare Battisti – Carta de Bernard-Henri Lévy

Por João Telésforo Medeiros Filho

Não é porque Cesare Battisti foi comunista que se defende a sua libertação, mas justamente o oposto: ele é perseguido por ser comunista, e isso não se pode admitir! O Brasil deve afirmar o direito fundamental ao devido processo legal e o comprovado temor de perseguição política (por parte do governo de Berlusconi, que conta com participação dos fascistas italianos) como limites à pretensão punitiva da Itália, negar a extradição e libertar Battisti.

Em carta publicada na Folha de São Paulo em novembro do ano passado, Bernard-Henri Lévy – intelectual crítico do marxismo e de toda forma de totalitarismo e terrorismo, de esquerda ou de direita – pede a Lula a liberdade de Battisti:

Henri Lévy: carta aberta ao presidente Lula sobre Battisti

Prezado presidente Lula, Sei bem que o debate sobre o caso Cesare Battisti, antigo militante dos Proletários Armados pelo Comunismo, acusado de atos de terrorismo na Itália dos anos 70, tem despertado paixões no seu país.

Por Bernard-Henri Lévy*, na Folha de S.Paulo

Também sei que o jogo das instituições brasileiras, o esgotamento dos procedimentos previstos na sua democracia e a decisão apertada a favor da extradição, tomada pelo Supremo Tribunal Federal após longo julgamento, fazem com que agora caiba ao senhor, e ao senhor apenas, o poder de decidir se esse antigo militante, que se tornou um escritor de sucesso, deve ou não ser entregue à Itália.

Senhor presidente, inicialmente gostaria de lhe dizer que ninguém mais do que eu tem horror ao terrorismo. E desejo deixar claro que a luta contra esse terrorismo, a luta contra o direito que alguns se atribuem, nas democracias, de fazerem a lei eles próprios e de recorrerem às armas para fazer com que suas vozes sejam ouvidas é uma das constantes, senão a constante, de toda a minha vida de homem e de intelectual.

No entanto, se me dirijo a Vossa Excelência, é exatamente porque não está provado que Cesare seja esse terrorista que uma parte da imprensa italiana descreve e que, se tivesse cometido tais crimes, não mereceria nenhuma indulgência.

Ele foi condenado como tal, eu bem o sei, por um tribunal legalmente instituído, num país cujo caráter democrático não imagino, em nenhum momento, colocar em dúvida. Mas até as melhores democracias (a França sabe disso, pois, durante a guerra da Argélia, tomou liberdades com a liberdade, e os EUA de Bush, após o 11 de Setembro…) podem incorrer em erros e cometer injustiças.

O processo de Cesare Battisti, esse processo que o reconheceu culpado há 21 anos pelas mortes de Santoro e Campagna, levanta, nessa circunstância, ao menos três questões às quais um homem imbuído de justiça e de direito não pode ficar insensível.

A primeira diz respeito ao testemunho e às provas produzidas pela acusação e a partir do que Battisti foi condenado: trata-se, essencialmente, do testemunho de um arrependido, quer dizer, de um verdadeiro criminoso que trocou, à época, sua própria condenação pela denúncia premiada de alguns de seus camaradas.

Battisti havia fugido para o México e, depois, para a França quando o arrependido Pietro Mutti imputou-lhe a totalidades dos crimes da organização em que militavam. Todos os observadores que tiveram conhecimento do caso não acreditam ser possível nem verossímil que um jovem de 20 anos tenha cometido tais crimes.

A segunda questão diz respeito a um principio da Justiça italiana e ao fato de que, diferentemente do que se passa em vosso país ou no meu, os condenados à revelia não têm, mesmo se forem capturados, se se entregarem ou se forem extraditados, direito a um novo processo no qual possam se defender.

Assim, se Vossa Excelência decidir recusar a Battisti o status de refugiado e deixar, então, que ocorra o procedimento de extradição, ele irá, logo que voltar à Itália, direto para a prisão (perpétua, já que tal é a pena a que foi condenado, sem apelação, no processo à sua revelia) e será o único condenado à prisão perpétua que jamais terá tido a possibilidade de se encontrar com seus juízes para confrontá-los e responder, pessoalmente, cara a cara, a respeito dos crimes que lhe são imputados.

E acrescento, finalmente, esse detalhe sobre o qual o mínimo que se pode dizer é que não é apenas um detalhe: Battisti nega os crimes que lhe são imputados. Numerosos são os seus colegas escritores e numerosos são os juristas que, após o exame do processo, acreditam ser plausível sua inocência. De sorte que corremos o risco de ver terminar seus dias na prisão um homem cujo único crime seria, nesse caso, ter acreditado, durante sua juventude, nas teorias da violência revolucionária.

Eu amo o Brasil, sr. presidente. Amo o exemplo que ele dá ao mundo de uma política fiel aos ideais progressistas e, ao mesmo tempo, aos princípios de equilíbrio e sabedoria. Eu ficaria consternado -somos muitos que ficaríamos consternados- de ver “nosso” Lula macular a tradição de acolher os refugiados, que é um dos orgulhos de seu país.

Extraditar Battisti criaria um perigoso precedente. Não extraditá-lo mostraria ao mundo, que tem os olhos voltados para o Brasil e para Vossa Excelência, que existem princípios que nem a razão de Estado nem a lógica dos monstros sem emoção podem suplantar. Eu peço a Vossa Excelência que aceite, senhor presidente, a expressão de minha simpatia, de minha admiração e de minha esperança. Atenciosamente,

Bernard-Henri Lévy

* Bernard-Henri Lévy, escritor e filósofo francês, é fundador da revista La Règle du Jeu e colunista da revista Le Point

Veja tambem, aqui no blog do B&D, em defesa da liberdade para Cesare Battisti:

Cesare Battisti e os fundamentos da República;

Essa semana conheci Cesare Battisti;

Violência;

Reflexões de Luís Roberto Barroso sobre o caso Cesare Battisti;

B&D vai ao Supremo para discutir Battisti;

Manifesto contra a extradição de Battisti;

Carta aberta ao Presidente Lula;

Lula e o futuro de Battisti;

Battisti e a Revolução;

Um pulo à esquerda;

Mobilização – Caso Cesare Battisti;

Vigília por Battisti.

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6 respostas em “Liberdade para Cesare Battisti – Carta de Bernard-Henri Lévy

  1. Ele é perseguido por ser assassino!
    Um assassino que se esconde atrás da capa de persuguição política. Tem que ser entregue ao governo italinao, sim! Já temos lixos acumulados demais por aqui e não precisamos de um saguinário a mais!

  2. Só uma correção, Bernard-Henri Lévy não é simplesmente crítico do marxismo e dos totalitarismos de esquerda ou direita. Ele é de direita, pró-americano, apoiou Bush e sua Guerra ao Terror, além de ser sionista radical, defendendo incondicionalmente todos os atos de Israel, o Estado criminoso por excelência.
    Por isso, acho a intervenção desse sr. extremamente desqualificada. Quem apóia o terrorismo de Estado de Israel não merece crédito em absolutamente nenhuma assunto político.

    • totalement de acordo com vc.
      Esse cara é o mais stupido do mundo. Pretende ser filosofo mas publica um livro sobre kant e faz referença ao Jean Baptiste Botul, uma personagem fictivo, uma grande piada….
      Tambem contou coisas sobre a guerra na georgia contra russia mas nunca foi neste pais.
      Teles, é a primeira coisa que aprende durante uma viagem na frança…

    • Conheço bem o “monsieur” Lévy. É um sionista descarado defensor de Israel… Não só isso!!! Esse pulha defendeu o pedófilo Roman Polanski contra a extradição dele aos EUA. o que ele disse…. sobre “Pedofilanski”…. “O escândalo é prender um homem mais de trinta anos após o fato, o escândalo é que Roman Polanski já visitou 25 vezes na Suíça nos últimos anos e que nada aconteceu. O escândalo foi a de que ele vai para uma festa para receber um prêmio pelo conjunto da obra, e depois de uma armadilha da polícia inventada pelo advogado de Los Angeles e as autoridades suíças, foi preso ao descer do avião “, ficou indignado Bernard-Henri Levy na segunda-feira na Europa 1, tendo a defesa do franco-polonês Roman Polanski, que foi preso na noite de sábado, em Zurique.

      O diretor foi pego por um processo aberto em 1977 em os EUA para “relações sexuais ilícitas” com uma menina de 13 anos de idade.

      “O escândalo é o fato de que este homem de 76 anos viu a construção do gueto de Cracóvia, sofreu o terror stalinista, que passou pelos piores horrores do século (…) é encontrado a dormir na prisão “, denunciado por BHL :” A Suíça é o lar de criminosos muito mais grave do que Roman Polanski já parou…. e Suíça era um país de asilo, tem sido um país do refúgio .”…….

    • e mais…. esse lixo chamado Levy…. persegue um comediante chamado Dieudonné. Motivo: Dieudonné promove sketches que zombam do sionismo e de Israel…..Levy é um lixo total a exemplo dos amiguinhos sionistas dele como…. Elizabeth Levy, Eric Zemmour, Alain Finkielkraut e Prasquier

  3. Apresentem uma única prova, aceita em qualquer tribunal do mundo, sufici
    ente para condenar Battisti, além de uma dúvida razoável. Há quase um
    ano acompanho e estudo, como diletante e humanista, êste “affair” e não
    me deparei com nehuma. Vários companheiros de Battisti receberam asilo
    em vários países e a Italia teve seus pedidos de extradição negados. O Bra
    sil, em verdade, foi o último deles. Contudo se uma única prova aparecer,
    eu retiro tudo escrevi.
    PERDER ELEIÇÃO É UMA COISA. CONDENAR UM HOMEM SEM PRO –
    VAS, NÃO É MORAL, NEM LEGALMENTE ACEITO. ESPEREM AS PRÓ
    XIMAS. TALVEZ SEU CANDIDATO SEJA ELEITO, INCLUSIVE COM MEU
    VOTO. A ALTERNÂNCIA DE PODER É SAUDAVEL PARA DEMOCRACIA

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