O mundo não está preparado para enfrentar catástrofes

Por Ana Rodrigues

O terremoto ocorrido há uma semana no Haiti suscita a afirmação: o mundo não está se prevenindo nem se preparando para as catástrofes naturais.

Não há dúvidas de que as próximas décadas serão marcadas pela sucessão de eventos desastrosos da natureza e que isso refletirá substancialmente na qualidade de vida de todos os seres humanos. As razões podem ser diversas, os ambientalistas argumentam que as mudanças globais são conseqüências das ações antrópicas, já os conservadores, cujas afirmações acalentam o setor produtivo, defendem que o processo faz parte de um ciclo pelo qual o planeta já passou em outros momentos. Independentemente do que se escolhe acreditar, parece-me muito ingênuo pressupor que problemas tão complexos como o aquecimento global e as mudanças climáticas tenham apenas uma fonte ou um agente causador.

O fato é que o meio em que vivemos está mudando. E, contrariando o lema das eternas previsões apocalípticas, agora observamos os acontecimentos como expectadores, uma vez que o tempo de interferirmos positivamente no ambiente parece estar se esgotando.

Os acontecimentos no Haiti revelam, além da fragilidade e do despreparo dos sistemas urbanos e da mecânica de materiais, a falha política e social das articulações globais na mobilização constante de recursos para atender às vítimas de tais tragédias. Uma vez que os estudos apontam aumentos significativos de tais eventos, a existência de um Fundo Global para amparar as pessoas é urgente.

Esse Fundo certamente não deve ter a absurda pretensão de tornar os países usufruintes reféns do sistema bancário como o Fundo Monetário Internacional, mas devem ter como único objetivo a proteção dos seres humanos expostos a situações de perdas generalizadas e ao sofrimento.

O passivo do Fundo Global foi discutido arduamente sob protestos na Conferência do Clima, no ano passado, e acabou persistindo embora as pessoas continuem perdendo suas vidas e seus recursos de sobrevivência ano a ano, pela simples razão de ter se tornado difícil demais chegar a um consenso entre os países. É desumano deixar essas pessoas esperando por doações, que, diversas vezes, não são tão filantrópicas como se apresentam.

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Sobre Ana Rodrigues

Ana é uma criatura insurgente contra as idéias consagradas que permeiam a sociedade. Graduanda em Agronomia, tem colaborado em trabalhos que contemplam o caráter social e distributivo da agropecuária. Atuou em pesquisa científica junto à Fundação Banco do Brasil orientada por professores do Centro de Desenvolvimento Sustentável, estagiou no Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário e colaborou com o Projeto Precoce (extensão) durante um semestre. Atualmente realiza pesquisas acadêmicas em Agricultura Orgânica e colabora em trabalhos de Paisagismo. Inicia uma nova etapa pessoal na militância política com a consciência de que muito ainda precisa ser feito para de fato construirmos o desenvolvimento capaz de promover justiça social no Brasil.

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