Em Cambridge e Nottingham: a luta dos movimentos sociais por direitos humanos na América Latina

Por João Telésforo Medeiros Filho

Duas prestigiosas universidades inglesas voltam suas atenções, ao fim desta semana, para a luta dos movimentos sociais por direitos humanos na América Latina.

Em Cambridge, a conferência “Legal Subjectivity, Popular/Community Justice and Human Rights in Latin America” debaterá, nos dias 22 e 23, dentre outras questões:

(i) o papel da organização de direitos humanos argentina “Mães da Praça de Maio” na construção social da memória e levantamento de informações sobre crimes cometidos pela ditadura argentina de 1976-1983 (ver resumo do artigo aqui);

(ii) o Programa Nacional de Reparação da Guatemala, desde o ponto de vista do grupo Mayan Q’eqchi’, um dos mais afetados pelo conflito armado interno no país. O trabalho chama a atenção para a necessidade de lidar com o passado tendo como referência os sobreviventes do conflito armado, e suas necessidades de “reparação, justiça, reconciliação e verdade”.

Diversos outros temas serão tratados na Conferência (veja sua apresentação e o programa completo), mas destaquei esses dois trabalhos porque dizem respeito diretamente à polêmica sobre a Comissão da Verdade e à atuação da Comissão de Anistia, no Brasil (aprofundaremos o debate sobre a Comissão de Verdade em outro texto; abordei brevemente o trabalho da Comissão da Anistia neste post). Por que a mídia brasileira omite, via de regra, ao criticar o PNDH-3, qualquer referência ao funcionamento das Comissões da Verdade em outros países?

Já na Universidade de Nottingham, a Conferência “The Pink Tide: Reconfiguring politics, power and political economy in the Americas” discute, dos dias 22 a 24 de janeiro, o processo de guinada das Américas para a esquerda, e tem o objetivo de “co-construir conhecimento relevante não apenas para acadêmicos, mas também para movimentos e comunidades lutando por justiça social nas Américas e na Europa”. A grande ênfase do programa de discussões, que contará com palestrantes como Noam Chomsky e John Holloway, é a atividade de resistência e construção contra-hegemônica dos movimentos sociais da América Latina (inclusive vários trabalhos sobre o Brasil).

Alguns dos melhores textos publicados aqui no blog do B&D tratam desse tema, absolutamente central em nossas preocupações políticas de transformação social. São de autoria do Rodrigo Santaella. Fica a recomendação, pra quem ainda não os tiver lido:

Hegemonia e contra-hegemonia: fim do consenso e perspectivas latino-americanas…

Debate com Emir Sader.

O caminho está aqui embaixo…

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3 respostas em “Em Cambridge e Nottingham: a luta dos movimentos sociais por direitos humanos na América Latina

  1. Pingback: Tweets that mention Em Cambridge e Nottingham: a luta dos movimentos sociais por direitos humanos na América Latina « Brasil e Desenvolvimento -- Topsy.com

  2. Telésforo e demais, td bem?

    A mídia brasileira realmente tem sido bastante omissa sobre o processo que vem se desenrolando nos demais países latino-americanos, de investigação dos abusos ocorridos nas ditaduras e mesmo de revisão das leis de anistia para permitir a punição pelos crimes de lesa-humanidade como a tortura.

    Mas acredito que esta tendência possa estar mudando, pois vi hoje mesmo uma no correio braziliense, em que se discutiam os exemplos da Argentina, do Uruguai e do Chile. Claro que o mais desejável é que haja um debate mais amplo o possível sobre o assunto, e a devida contextualização de um processo que não é apenas brasileiro seria um bom começo.

    Se o resultado do julgamento pelo STF do alcance da lei de anistia seguir o entendimento consagrado pelos próprios militares de que ela impede a persecução penal dos acusados de tortura, talvez, assim como ocorreu no Chile, a Corte Interamericana de Direitos Humanos tenha algo a dizer a respeito…

  3. Olhem só o nome de um dos livros mencionados no post do Telésforo: “The Pink Tide”. Será que o termo “pinko” se tornou tão importante a ponto de galgar um status acadêmico?

    😉

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