2010

Por Gabriel Santos Elias

Entramos em 2010. Finalmente. É certo que o B&D entra um pouco atrasado, mas cá estamos nós. E o que devemos esperar deste ano?

Vamos começar com o óbvio, é ano de eleição. O que quer dizer que a política vai estar a mil, não necessariamente o congresso nem nos ministérios, que no segundo semestre praticamente param de funcionar, mas as articulações feitas nos gabinetes, restaurantes e principalmente no cafezinho vão definir os resultados da atividade política nos anos que seguirão.

Para a presidência, provavelmente será mesmo uma disputa entre PSDB e PT. E a estratégia do PT de fazer uma disputa plebiscitária – comparando o Governo de Fernando Henrique Cardoso com o Governo Lula – tem dado certo. O PSDB também está certo em tentar ao máximo fugir dessa armadilha, pois essa comparação não é nem um pouco boa para eles. O problema é a forma como eles têm feito essa fuga.

Por um lado buscam igualar seus candidatos, dizer que os dois são candidatos de esquerda. Para isso buscam o histórico de José Serra, como liderança estudantil contra a ditadura e sua prática em política econômica, supostamente com maior intervenção estatal. Essa estratégia tem suas limitações, pois se formos comparar o perfil dos candidatos realmente se assemelham muito, individualmente. Porém, a situação política e as alianças construídas por cada candidato é diferente e isso tem muito mais impacto na prática que o histórico de cada um. Além do que, se a estratégia é descolar da imagem de Fernando Henrique Cardoso, reforçar a imagem de intelectual de esquerda que aos poucos vai se convertendo a direita não é uma boa.

Por outro lado, o PSDB fica numa saia justa, tem que defender seu presidente de honra dos ataques sem entrar de fato no meio da disputa. E quando a causa é frágil, não tem como construir um argumento de defesa forte. Então o partido acaba caindo em situações que chegam a ser tragicômicas, como acusar o PT de discriminar os ricos do Brasil (Veja aqui). Ainda que ridículo, esta ainda me parece mais sincera que a primeira estratégia.

Mas vamos continuar que o ano é longo.

E esse é um ano crucial para o PT. Estar ou não a frente do Governo Federal no ano que vem vai mudar muito o que o PT é hoje. Uma vez um petista amigo meu disse que “bom pro país, ruim pro partido”. O que queria dizer é que governar o país e manter a defesa dos princípios do partido é muito complicado. No caso do Governo Lula então, que é um governo de amplo consenso, bagunçou muito a organização partidária em nome das estratégias políticas de alianças. O PT, como partido, se perdeu entre o governo e da base, se perdeu na noção da importância de seus princípios em relação a importância da estratégia para se chegar a seus objetivos e se perdeu como partido de massas, culminando com a escolha de Dilma Rousseff como candidata do partido escolhida por Lula simplesmente por não haver nenhum outro quadro para disputar com ela.

Ser governo é realmente muito difícil para um partido de massas. Lidar com as pressões internas, seguir seus princípios e a necessidade de apoio externo forma uma equação muito complicada. O PT aumentou o número de filiados a reboque da força do governo e da popularidade do presidente Lula, mas perdeu bastante nos processos internos democráticos do partido. O PT precisa de um momento para retomar o processo inicial do partido, escapar do personalismo em torno do Lula e trabalhar sobre um novo projeto para o Brasil. Nesse momento acredito que o ideal para o PT, como partido, seria que perdesse as eleições do ano que vem. Mas seria bom para o país?

Ainda não sei, mas os petistas com certeza acreditam que não, e não vão deixar barato para o PSDB essas eleições. Dilma Rousseff, a “mãe do PAC” provavelmente é a candidata preferida de empreiteiras de todo o país. Grandes empresários contribuirão muito com essa campanha que pode chegar a ser a mais cara da história do país. O PT continuará ampliando suas alianças, principalmente com líderes locais, o que leva a diversos conflitos focais e algumas das já conhecidas contradições políticas do partido, como aliar-se aos Sarneys da nossa política.

Ainda não é possível falar com muita exatidão sobre esse tema, mas podem ter certeza que o B&D vai ter uma atuação muito direta nessas eleições. Podem esperar para ver.

No Distrito Federal a disputa já começou, e volta a todo vapor a partir de amanhã, quando iniciaremos com o movimento Fora Arruda um acampamento de vigília em frente a Câmara Legislativa do DF para acompanhar a volta da atividade parlamentar no dia 11.

Leonardo Prudente, que foi gravado colocando dinheiro de propina até nas meias por não caber mais nos bolsos, volta a atividade como Presidente da casa. Uma de suas funções é organizar a investigação da CPI contra… é! Contra si mesmo e todos seus próprios comparsas nas atividades criminosas das quais fomos vítimas. Arruda já faz piadinha sobre a repercussão da indignação da população contra seu governo.

Essa trégua que demos para a época de festas de fim de ano foi mais que suficiente para que ficassem saidinhos novamente. Passou da hora de mostrarmos a força do povo nas ruas! Não podemos ficar parados na frente da TV vendo as coisas acontecerem.

O movimento Fora Arruda é o responsável hoje por garantir a saída e a justa punição dos envolvidos no esquema de corrupção do governo do DF. Deixar simplesmente nas mãos das instituições, todas de uma forma ou de outra envolvidas nesse mesmo esquema, não funciona e já percebemos isso. Além do mais, o movimento deve cuidar para afastar a possibilidade de eleição de Roriz para o Governo, já que este continua liderando as pesquisas. Para isso deve também cuidar da construção de uma candidatura alternativa que carregue os votos da população indignada com tantos anos de corrupção no Distrito Federal. Talvez essa seja nossa tarefa mais complicada, que terá mais impacto no futuro do nosso estado, ou distrito.

Na Universidade de Brasília teremos nosso tão esperado Congresso Estatuinte. Esse espaço é resultado da nossa mobilização que se iniciou em 2008 com a ocupação da reitoria. Esse processo é inspirador para todas as nossas mobilizações. Com a ocupação da reitoria nós estudantes conseguimos a saída do reitor e de todos seus decanos, a eleição do reitor pró-tempore que apoiávamos e a eleição do atual reitor, José Geraldo, também com o decisivo apoio dos estudantes. Mantemos o nosso poder de mobilização e nossas estratégias. Já ocupamos a Camara Legislativa do DF, ocupamos as ruas para garantir a saída do governador e sua máfia. Os estudantes da UnB neste ano terão esse desafio, ocupar tanto as ruas contra o Arruda, como o espaço democrático do Congresso Estatuinte para definir os rumos da nossa universidade, tudo isso em ano de eleições tanto nacionais como para o Diretório Central dos Estudantes.

Listei apenas três coisas principais que serão de grande importância neste ano. Além disso, com certeza teremos várias outras atividades ao longo do ano!

Que seja um ano de muitas vitórias para todos nós!

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Uma resposta em “2010

  1. Gabriel,
    Que 2010 seja um ano de grandes conquistas para o cenário atual brasileiro.
    Que cada um faça sua parte, seja nas ruas, ou mesmo dentro de suas casas. Mas que todos pensem e façam efetivamente alguma coisa em prol da moral-honestidade- politica que aliás não é nenhum mérito, afinal são principios básicos e dever de todo cidadão.
    Abraços
    Patricia

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