Polícia Militar: Covardia Institucionalizada.

A polícia, no estado democrático de direito é uma instituição garantidora de direitos. Antes de mais nada, serve para impedir excessos, impedir atos de vandalismo, impedir, em síntese, que os direitos individuais sejam afetados de forma abusiva.

Segundo o relatado pelo Comandante da Polícia, Senhor Silva Filho (aquele que no vídeo agride um manifestante e, corajosamente, chama mais 6 ou 7 polícias para o “ajudarem” a deter o “perigoso preso”) o uso de cassetetes, cavalos, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, foi para garantir o direito de ir e vir dos motoristas.

Segundo um Procurador do Ministério Público, é bem curioso que os militares invoquem esse direito. Há alguns anos atrás paravam o trânsito para levantarem a bandeira. Além do mais, desde quando os manifestantes impediram alguém de chegar ao lugar que queria? Desde quando desviar trânsito é impedir o exercício do direito de ir e vir? Se for, espero que a próxima vez que a PM tenha que fazer uma blitz, tome cuidado com o BOPE e a cavalaria.

E não param ruas para fazer desfiles?

É diferente? É. Lá o estado está por trás, decreta regras que devem ser respeitadas, para que o Estado possa se manifestar. Aqui, o estado tem como administrador um corrupto, que saqueia os cofres públicos, que não cumpre sua função, e depois utiliza desse mesmo estado para punir os que se manifestam contra ele. Diga-se de passagem, os manifestantes lutam a favor da aplicação da lei. E apanham por isso. Bizarro como a polícia – lembre-se que sua função é resguardar direitos – bate, espanca, massacra pessoas que defendem a ordem que lhe dá legitimidade para usar a força. Força esta que só deve ser usada nos momentos estritamente necessários, como prega uma lei fulera chamada Constituição.

É óbvio que o poder do estado deve ser respeitado e que a polícia tem um papel importante nesse quesito. Porém, o uso da força, num estado democrático de direito, pressupõe seu uso legítimo. Seu uso legítimo requer democracia. Democracia requer respeito ao outro. Respeito ao outro requer diálogo. Diálogo requer garantias de direitos fundamentais. Como o da integridade física, como o da liberdade de se expressar, de discordar, de xingar, sem ser agredido. Ainda mais com força desproporcional.

A legitimidade do estado, desde 1988, não se embasa somente na força. Não é porque meu cassetete é mais poderoso que seu braço que eu posso fazer o que bem entender. A polícia Militar, na última quarta feira (09/12/2009), aparentemente esqueceu-se disso. Julgou-se competente para aplicar penas corporais, para partir para cima de manifestantes, para chamar manifestantes para o braço. A polícia, repito, existe para resguardar direitos, jamais para transgredi-los

É um absurdo que o Governador Arruda ainda ocupe um cargo público. É um absurdo que pessoas como o Coronel Silva Filho comandem uma instituição como a Polícia Militar. É um absurdo que a polícia ainda não tenha entendido seu papel no Estado Democrático de Direito e que descamba para a covardia institucional.

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7 respostas em “Polícia Militar: Covardia Institucionalizada.

  1. Está na hora de se reconhecer que o exercício “legítimo” de violência demanda elevados ônus. Igualmente, o exercício de função pública deve ser um fardo e não um prêmio.

  2. Mais uma denúncia contra o governo Arruda: Servidor do GDF que foi visto com camisa escrito “FORA” está sendo perseguido e forçado a pedir exoneração. Se não fizer, estão arrumando desculpas para exonerá-lo.
    Ainda não tenho os nomes exatos, mas a perseguição é grande e não vem só à cavalo.

  3. O governo do GDF montou uma verdadeira guarda pretoriana, a serviço do imperador do executivo e não da sociedade.
    O objetivo da PM na quinta-feira, foi abafar a manifestação.
    indícios:
    1) A PM havia feito uma passeata em frente a residência oficial pro-Arruda na segrunda-feira;
    2)A PM do GDF é a mais bem remunerada e equipada do Brasil.Foi a instituição que mais obteve benefícios no governo atual;
    3) Diversos escândalos envolveram o alto comando da PM nos últimos três anos, mas foram abafados;
    4) A PM do GDF está habituado a inúmeras manifestações que invariavelmente causam transtornos no trânsito do eixo monumental, ams prq, só no caso contra o Arruda, lançou suas cargas de cavalaria?

  4. Pingback: Observatório da violência policial contra manifestações políticas « Brasil e Desenvolvimento

  5. Decepção. Não me ocorre outra palavra quando leio os argumentos deste texto, de alunos de estudantes da Universidade de Brasília. Qualquer pessoa que já tenha pego um ônibus na vida derruba 90% dos argumentos desse texto. Mas obviamente só falar isso não resolve nada, e eis que passo agora a desenvolver meus argumentos. Bem sistematicamente:

    “É bem curioso que os militares invoquem esse direito. Há alguns anos atrás paravam o trânsito para levantarem a bandeira”. Ora, as pessoas têm que persistir eternamente no erro? Ok, há um tempo eles faziam isso. E aí? que conclusão eu tiro disso? Na minha humilde opinião, conclui-se tão só que essa era uma prática errônea e, portanto, foi abandonada. Ora, ninguém está atrelado necessariamente a uma opinião, como bem ilustra, explicitamente, na fala de uma das personagens, o filme Doze Homens e Uma Sentença. Muito menos obrigado a persistir em um erro! Ora, há relativamente pouco tempo, acreditava-se que o átomo era, de fato, indivisível, que o cientificismo não tinha limites, que o racional e o cartesiano eram, por assim dizer, divinos – vide o fervor cientificista do início do século XX, encarnado, dentre muitos outros, por David Hilbert e seus devaneios. Encarregaram-se de demonstrar a falsidade destes últimos, dentre outros, Kurt Gödel, Einstein, Heisenberg, Schrödinger. Imagine se, a despeito disso, hoje ainda se tivesse esse mesmo fervor que ensejou duas Grandes Guerras e o fim famigerado, ponhamos assim, da última delas – muito embora, é bem verdade, esse paradigma hoje decadente ainda sobreviva. Mas o fato é que, reiterando, ninguém está obrigado a persistir em um erro. De fato, em pultima análise e conforme bem nota Sartre e a tese existenciaista em geral, ninguém está obrigado a rigorosamente nada. O homem está condenado, sim, a ser livre.

    Existencialismos e filosofias à parte, prossigamos para a parte que, de fato, me desapontou tanto quanto possível: “desde quando os manifestantes impediram alguém de chegar ao lugar que queria? Desde quando desviar trânsito é impedir o exercício do direito de ir e vir?” Que tipo de argumento é esse??? Qualquer pessoa – repito – que já tenha entrado em um ônibus sabe que esse “argumento” – e perdão pela ironia, mas foi inevitável – é tão falho quanto se possa ser. Ou mesmo qualquer um que more em uma cidade satélite, enfim, e vê uma BR, – sim, pasmem, uma BR, rodovia federal – ser “ocupada” (invadida? não, lógico que não). E eis que utilizo-me de uma frase slogan de alguém que acredito ser ídolo de vocês (ou ao menos vocês tecem elogios em demasia ao respectivo partido deste), o famigerado ex-presidente da república, que mandou libertarem Battisti: “deixa o homem trabalhar”!

    “E não param ruas para fazer desfiles”? Ahhhmmmmm????????? Quando????? No 7 de setembro? Na posse do presidente? Ahh, já sei: no dia da bandeira! De qualquer forma, realmente não me vem à memória nenhuma ocasião em que se fechou uma BR (obviamente, excluindo-se a hipótese de manutenção), diferentemente de alguns movimentos sociais de que tomei notícia, mais especificamente, em uma BR que liga Sobradinho e Planaltina ao Plano Piloto.

    Vocês falam muito em alteridade, mas parece que ela só serve, ironicamente, para os outros. Pensar naqueles que estão nos ônibus (ou nos carros, não interessa), querendo trabalhar para sustentar suas famílias? Pra quê? Ora, vocês são os ESQUERDISTAS! São donos da verdade! VOCÊS, os COMPANHEIROS, podem depreciar patrimônio público, impedir as pessoas de chegarem aos seus respectivos locais de trabalho – ou retornarem para casa após uma jornada trabalhista exaustiva -, podem – oras, mas isso é óbvio! – fazer o que bem entenderem. Isso sim é bem curioso: cadê a alteridade? Vocês, da esquerda, como guardiões da sociedade, óbvio, dispensam a alteridade, uma vez que vocês salvaguardam os cidadãos, certo? Recomendo, pois, a leitura ilustrativa da Revolução dos Bichos e, de maneira mais geral, de qualquer livro de história do século XX, em especial, da segunda metade.

    “Se for, espero que a próxima vez que a PM tenha que fazer uma blitz, tome cuidado com o BOPE e a cavalaria”. Realmente, é exatamente análoga a situação de policiais que prezam pela segurança no trânsito e até dificultam-no, por vezes pondo cones nas pistas (muito embora, na maioria das blitz de que participei, a polícia fica à margem da via e, eventualmente, pedem para se parar um carro irregular ou mesmo um caminhão para inspeção de carga, diga-se de passagem, legal e legítima) e a situação de meia dúzia de idealistas, digamos até bem intencionados, seguidos de uma massa de manobra enorme que impedem o trânsito, bloqueiam uma pista que seja, muitos deles vândalos, muitos deles só procurando um motivo para vandalizar e, depois, se recolher, em sua BMW, Mercedes, Audi ou similares; e depois se fazer de vítima por causa de um spray de pimenta; e depois usar a tática mais velha do livro de jogar a culpa para o outro lado, de aí sim mostrar a alteridade, mas para [i]criticar, menosprezar[/i] o outro e eis o motivo pelo qual não me agrada ironizar esse texto: na falta de argumento, ridiculariza-se o outro. Acredito ter demonstrado que não é o caso de falta de argumentos, mas, infelizmente, li, nesta página, um dos textos mais mal fundamentados que já vi, o que me motivou, até ilegitimamente, quem sabe, a denunciar os argumentos tão levianos que encontrei, a fim de que se tome consciência disso, vez que a falta de crítica, mesmo para argumentos mais levianos, já mostrou seu poder durante as experiências mais sombrias da história da humanidade. Não deixemos isso se repetir.

  6. “Além do mais, desde quando os manifestantes impediram alguém de chegar ao lugar que queria? Desde quando desviar trânsito é impedir o exercício do direito de ir e vir? Se for, espero que a próxima vez que a PM tenha que fazer uma blitz, tome cuidado com o BOPE e a cavalaria.”

    Ah! Como é bom se dar ao luxo de estudar em uma boa universidade, ter acesso a um computador e à internet e ter tempo para escrever tão preciosas palavras! Deixem-me apenas contar um segredo para vocês, que mais uma vez mostram que, por trás do discurso esquerdista vazio que supostamente pretende mudar o mundo, não se dão ao trabalho de parar um segundo para pensar no outro; o mesmo “outro” que vocês dizem lutar por.

    Muitas (mas muitas mesmo!) pessoas que são surpreendidas pelos protestos que acontecem na Esplanada (e acontecem TODOS os dias), acabam chegando atrasadas ao seu trabalho. O segredo é o seguinte: algumas delas ouvem dos chefes que são desleixadas, relapsas com o trabalho e acabam recebendo uma advertência. Já ouvi até casos de demissão. Não, não adianta explicar que o atraso ocorreu porque valorosos militantes da gloriosa esquerda estavam protestanto por um mundo melhor, em que todos leiam Marx desde pequenininho!

    Infelizmente a maioria dessas pessoas não têm internet ou tempo, após um longo e cansativo dia de trabalho, para responder à tão generosa pergunta “desde quando os manifestantes impediram alguém de chegar ao lugar que queria?”. Por isso, tomo-lhes a palavra. Vocês impedem trabalhadores honestos de chegar ao seu destino, vocês fazem com que eles levem advertências da qual não são culpados (e digo isso porque já cansei de ver contínuos e recepcionistas levando bronca), vocês fazem com que eles, em vez de levantar às 6h, levantem às 5h para ter tempo hábil para chegar ao trabalho na hora caso encontrem com algum “bem-intencionado” protesto pelo caminho. Ah, vocês não sabiam disso? Vocês acham que atrapalham apenas os senadores, deputados e políticos corruptos do país? Não. Estes não estão nem aí. Eles estão nos seus carros com motoriasta e ar-condicionado, abrem seus notebooks, seus iphones e ipads para passar o tempo enquanto vocês acham que estão mudando o mundo.

    Aqui, faço um parêntese. Não tenho absolutamente nada contra protestos. Aliás, devíamos protestar mais, mas sobre coisas mais relevantes para a nossa vida do que a liberdade de Cesare Battisti (ops, será que esse meu comentário também sofrerá censura?!). Continuem protestando, mas usem a inteligência para pensar em algo menos egoísta e que, de preferência, não ocupe 4 faixas do Eixo Monumental. Se assim continuar, o máximo que vão conseguir é colocar motoristas e trabalhadores que usam ônibus contra as causas defendidas por vocês.

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