Entrelinhas candango-brasileiras

Por Saionara Reis

 Quando nascemos fomos programados a receber o que vocês nos empurravam com os enlatados dos USA, de nove às seis. Soltando pipas inocentes pelas esquinas, pisando no chão vermelho dessa terra de ninguém/de poucos, acreditando que a vida resguarda a cada um/a aquilo que pelos Santos fizemos por merecer. Convivendo lado a lado com a tragédia ou com a alegria; dos quintais floridos sorriam os bem-aventurados e na terra morta as barrigas cresciam de ar e verme.

Desde pequeno nós comemos lixo comercial e industrial, alimentando nossas almas e anseios com as pouca-verdades e falsas necessidades que transcorriam nosso sangue em ondas eletromagnéticas fumegantes. Amaciados por promessas vazias e pelo cansaço de mais um longo e duro dia de trabalho, agradecemos aos deuses pela farinha e pela água. E mais uma vez, calad@s na calada da noite, lamentávamos a má sorte por não ter nascido num lugar mais colorido.

Eis que depois de 20 anos na escola, não é difícil aprender todas as manhas, seu jogo sujo. Ah não, não é assim que tem que ser. Levanto. À minha esquerda estão aquelas crianças sujas, famintas, doentes, carentes de amor e sangue, excluídas das suas próprias vidas, como eu. Para além do muro está o mundo irreal, ideal e distante, aquele que me disseram ser inatingível, aquele dos homens dignos e bons, o mundo da verdadeira justiça. Da verdadeira justiça cega, que de tão cega é incapaz de olhar ao redor e identificar o mundo mundo, vasto mundo de injustiça e indignidade sustentado para sustentá-la em seu vão pedestal.

Grito sufocado no meu mais alto timbre, para todo e cada ser vivo e morto nesta terra, para além de qualquer muro e rodeado de uma nova esperança: “Basta! Vamos fazer nosso dever de casa e aí então eles vão ver suas crianças derrubando reis, fazer comédia no cinema com as suas leis! Vamos à luta, pois o campo de batalha é a nossa própria casa, nossos filhos e filhas, nosso significado, nossa existência. Vamos escrever nossa própria história, nosso próprio país, nossa própria nação, e ela só reconhecerá a igualdade, a dignidade, a liberdade e o respeito; de tod@s para tod@s. Agora chegou a nossa vez. Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês.”

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“[…] este sentimiento de libertad que sólo merece apostar por él en estos momentos: el sentimiento de las mañanas olvidadas de nuestra infancia, cuando todo podía pasar porque era nuestra, como seres humanos creativos, que se han despertado, no los futuros humanos-máquinas productivos de la subordinación, el entrenamiento, el trabajador alienado, el propietario privado, el hombre de familia. Es el sentimiento de enfrentarse a los enemigos de la libertad – no temerles nunca más.Así que, todos los que quieran ocuparse de sus negocios, como si nada pasara, como si nada hubiera pasado nunca, tienen serias razones para inquietarse. El fantasma de la libertad siempre llega con un cuchillo entre los dientes, con violencia para romper cada cadena que reduce la vida a una miserable repetición, útil para que las relaciones sociales de dominación se reproduzcan. […] Sin embargo, aceptamos toda la responsabilidad por la lucha común, porque es una lucha por la libertad. Sin ser obligados a aceptar con cada expresión de tal fenómeno masivo, sin ser partidarios de la violencia ciega o la violencia por la violencia, consideramos la existencia de este fenómeno correcta.¡No dejemos que este inflamable hálito de poesía se calme o muera! Convirtámoslo en una utopía certera: ¡la transformación del mundo y la vida!¡No hay paz para la policía y sus dirigentes!¡Quién sea que no entienda la rabia puede simplemente callarse!”

Grupo surrealista de Atenas, Dezembro de 2008

“La lucha por la liberación social sigue.

La rebelión sigue viva, nada es como antes.

La solidaridad es nuestra arma.”

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