Limites

Por Mayra Cotta

Até onde ir por uma causa?

Essa é uma pergunta que quem milita deve estar preparado para responder. E, com freqüência, precisamos pensar sobre isso. Quais são os limites que devem ser colocados à perseguição de um objetivo? E, ainda mais difícil saber, em qual momento esses limites devem ser estabelecidos e até mesmo restabelecidos?

Isso porque, determinar limites para meras hipóteses, quando não se vive de fato a situação, não é tão complicado. Há diversas regras com as quais vamos, desde pequenos, nos acostumando; há princípios que parecem sustentar solidamente a maneira como escolhemos viver. E essas regras e princípios parecem tão certos que não achamos possível ultrapassar os limites por eles determinados; não achamos que será difícil manter-nos dentro desses limites. E, de fato, é tranqüilo respeitá-los quando não há uma possibilidade concreta de ultrapassá-los, quando eles não representam o obstáculo para se conquistar um objetivo pelo qual durante muito tempo se lutou.  Na verdade, enquanto não há essa possibilidade, não estamos escolhendo respeitar esses limites; estamos apenas nos mantendo dentro deles. 

Mas pode chegar um momento em que realmente é preciso escolher ultrapassar ou não ultrapassar os limites; respeitar ou não respeitar nossas próprias regras. E aí surgem as grandes questões.  A linha só se torna importante quando estamos a ponto de cruzá-la; ela é bastante clara à distância, mas vai ficando embaçada conforme nos aproximamos dela. E quando esta linha é o que impede a continuação da luta, é o que determina que o objetivo buscado não será alcançado, chega-se ao ponto no qual os limites precisam ser repensados.

Afinal, quem faz essas regras que impõem os limites? Não seriam elas mais um recurso da hegemonia para manutenção do sistema? Sabemos diferenciar os princípios que devem ser respeitados, em qualquer hipótese, para que a luta não seja ao final perdida daqueles princípios que existem apenas para que a luta nunca seja vencida? É preciso estar preparado para não aceitar sem questionamentos os limites impostos. É preciso estar aberto à possibilidade de redimensioná-los.

Cruzar uma linha pode ser terrível, desastroso; pode significar colocar abaixo todo um projeto. Não cruzar uma linha pode ser terrível, desastroso; pode significar jamais conseguir aquilo pelo o que sempre se lutou.

 

 

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Uma resposta em “Limites

  1. Estou passando pra deixar mais um comentério, afinal quem acompanha, cuida….

    Acredito que se possa ir longe, desde que não utilize de meios ecusos e não “suba” sobre” os outros para alcanças o objetivo.
    _______
    Leia também ->JORNAL AFOGANDO O GANSO/ http://afogandooganso.blogspot.com – Jornalístico, informativo, sarcástico, debochado, verdadeiro e interativo.
    Leia e vamos interagir…
    Grato.

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