Político na UnB

Por Gustavo Moreira Capela

Hoje o professor Roberto Mangabeira Unger vai  à Universidade de Brasília discutir sua proposta para o futuro do país. Mangabeira é um intelectual de grande porte. É gênio declarado desde muito novo, virou professor de Harvard aos 23 anos, escreveu livros que são comentados pelos maiores pensadores do mundo, foi elogiado por nomes como Richard Rorty e já foi considerado dono “da teoria social mais poderosa da segunda metade do século vinte”. Certamente, não é pouca coisa.

Não há dúvidas que seus anseios políticos o levam à UnB. Unger nunca escondeu sua vontade de se lançar na política, tendo como frustrada a tentativa de adquirir um assento na Casa do povo pelo Rio de Janeiro e de se lançar como candidato à presidência pelo PDT em 2002. Agora, com as eleições se aproximando, Mangabeira  já mudou de partido – agora é filiado ao PMDB, antes era do PRB – e buscará apoio para uma candidatura própria. Seu grande sonho é ser presidente do país.

Entretanto e não obstante todos os argumentos elencados acima, a prática de um evento nos moldes do que ocorrerá amanhã na Universidade de Brasília deveria ser transformada em costume. A universidade é um centro de produção de conhecimento. Deveria ser também o lócus de um debate amplo e  exaustivo entre os anseios políticos de um partido, de um indivíduo ou de um movimento social, e as teorias que os sustentam. Essa é uma forma de aproximar a Universidade e seus teóricos da área de humanas ao mundo concreto que nos envolve. Discutir os rumos do país e as mudanças estruturais que precisam ser pautadas em cada uma das áreas traz ganhos incomensuráveis para qualquer uma das partes. Enquanto o político (indivíduo,partido ou movimento social) ganha respaldo ou repensa sua estratégia, os estudiosos ganham subsídios fáticos para suas pesquisas.

Pensar um país não é algo a ser feito individualmente, setorialmente ou regionalmente. Assim como o país é pluralíssimo, as idéias que acompanham as diferenças também são as mais diversas. A universidade tem a função social de representar essa diversidade através da produção do conhecimento voltada para os anseios coletivos. Um plano nacional deve, pelo menos, passar pelo crivo dessas instituições n que tange às suas idéias.

Vejam, não defendo que a Universidade seja o único sujeito da fiscalização de idéias. A universidade, se imbuída de sua real função, terá contatos freqüentes e constantes com os movimentos sociais, estará atento às demandas dos mais diversos atores da sociedade, será  um ambiente plural e representativo, de acesso a todas as classes, e produzirá conhecimento voltado para o bem da coletividade, não pelo acúmulo da capital.

Claro que, para isso, é necessária uma reforma abrupta em todos os segmentos sociais. Não há reforma nas diretrizes educacionais que perpasse a lógica de um sistema que não presenteia conhecimento alheio ao acúmulo de capital. Até lá, entretanto, faz-se mister elogiar a iniciativa do ex-ministro. Quem possui idéias e quer construir um plano, uma estratégia de alternativa, tem que submetê-la ao crivo da crítica pública. Tem que expor suas razões e ouvir as do outro. Para além de permitir alterações com base no que ouve, é capaz de refletir com atenção ao que aprendeu com a vivência de compartilhar uma idéia própria.

Numa universidade, discutir com intelectuais que possuem planos concretos para a transformação, mudança, ou até manutenção das formas sociais é importante. Debater os planos políticos de um indivíduo que projeta idéias para sua atuação é indispensável.

Esperamos todos lá! Com idéias, planos e críticas à “Alternativa” que nos será apresentada.

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